Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 456 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

18.11 Lei de Beer: espectro quantitativo no infravermelho

18.13. Esta linha é usada para estabelecer um valor para I0 pela medida da distância vertical da tangente pelo máximo do pico até a escala de

comprimento de onda. O valor de I é obtido de maneira semelhante,

medindo-se a distância do máximo de absorção até a escala de comprimento

de onda. Assim, a absorbância de qualquer pico não corresponde à altura da

absorção medida diretamente na abcissa do gráfico. Seu valor, A calc, é dado pela equação

 

Fig. 18.13 Medida da linha de base tangente

 

onde I0 e I são os valores medidos usando a linha de base.

Este procedimento tem a vantagem de eliminar algumas fontes potenciais

de erro. As medidas não dependem das posições acuradas dos

comprimentos de onda porque elas são feitas sobre o próprio espectro e

qualquer erro devido às células pode ser evitado com o uso da mesma célula

de espessura fixa. A medida de A calc elimina quaisquer variações da intensidade da fonte, da óptica do instrumento ou da sensibilidade.

 

18.11 Lei de Beer: espectro quantitativo no infravermelho

 

Como os espectros eletrônicos no ultravioleta e no visível, os espectros são

registrados no infravermelho como absorbância (A) ou transmitância (T). A

lei de Beer,

discutida na Seção 17.2, também se aplica ao infravermelho. Do mesmo

 

modo, a absorbância de uma mistura de compostos em um determinado

comprimento de onda (ou freqüência) é a soma das absorbâncias dos

constituintes da mistura naquele comprimento de onda (ou freqüência):

 

A observado= A1+ A2+ A3= ε1c1l+ ε2c2l+ ε3c3l

 

porque o passo óptico, l, é constante.

Levou muito tempo para que a espectrofotometria quantitativa no

infravermelho se tornasse uma técnica de uso comum. Existem várias

razões para isto:

 

(a) Os coeficientes de absorção molar (absortividades molares) são

usualmente 10 vezes menores do que na região do espectro eletrônico.

Isto significa que o infravermelho é geralmente menos sensível.

(b) A faixa mais acurada para medidas quantitativas vai de T = 55% a T =

20% (A = 0,26 a A = 0,70). A acurácia diminui rapidamente fora

destas faixas.

(c) Os espectrômetros mais antigos tinham erro experimental de ±1%.

 

Embora pouco se possa fazer para diminuir a desvantagem das

absortividades molares baixas, o melhor projeto dos aparelhos, as melhorias

na relação sinal/ruído e o aparecimento dos instrumentos de FT-IR

superaram, na prática, as limitações de acurácia e de instrumento. Em

conseqüência, os procedimentos quantitativos no infravermelho são muito

mais usados, freqüentemente no controle de qualidade e no estudo de

materiais. As aplicações caem em três grupos distintos.

 

Medições com a lei de Beer

 

Quando um composto tem uma banda de absorção intensa, estreita e bem

definida, é possível utilizá-la em medidas quantitativas por comparação entre a absorbância, Au, de uma amostra de concentração desconhecida, cu,

com a absorbância correspondente, As, de uma solução padrão de

concentração conhecida, cs, usando uma célula de passo óptico conhecido. A absorbância da solução padrão em um dado comprimento de onda é

 

As= εcsl

 

e a absorbância da concentração desconhecida no mesmo comprimento de

onda,

 

A u= εcul

 

Assim,

 

Logo, a concentração do desconhecido é

 

Observe que o cálculo implica uma relação linear entre a absorbância e a

concentração e, portanto, só pode ser usado em pequenas faixas de

concentração.

 

Uso de uma curva de calibração

 

O uso de curvas de calibração elimina quaisquer problemas devidos à

absorbância não-linear ou a problemas de concentração. A curva significa

que qualquer concentração desconhecida cujo espectro foi obtido nas

mesmas condições de uma série de padrões pode ser obtida dela

diretamente. O procedimento exige que todos os padrões e amostras sejam

obtidos na mesma célula de espessura constante, embora não haja

necessidade de se conhecer as dimensões da célula nem a absortividade

molar da banda de absorção escolhida. Elas são constantes para todas as

medidas. Os resultados da Tabela 18.3 são típicos da concentração de um

antioxidante, medida em 3655 cm–1, usado como aditivo em um óleo. A Fig.

18.14 mostra graficamente os resultados.

 

Tabela 18.3 Determinação da concentração de um antioxidante usando a espectroscopia de infravermelho

 

Concentração de A

antioxidante (% w/v)

 

0,129 0,024

 

0,251 0,044

 

0,514 0,094

 

0,755 0,138

 

1,016 0,186

 

1,273 0,233

 

desconhecido 0,104

Fig. 18.14 Curva de calibração para a determinação de um antioxidante

 

Métodos de adição padrão

 

Os métodos de adição padrão não são muito utilizados na espectroscopia

quantitativa de infravermelho. Eles se limitam a determinações de

componentes em baixa concentração em misturas de muitos componentes.

O procedimento envolve a preparação de uma série de soluções em um

solvente que não absorve no comprimento de onda de absorção escolhido

para a análise. As soluções são feitas a partir de uma série de concentrações

crescentes do analito puro (semelhante ao conjunto de concentrações usados

para uma curva de calibração) e a cada uma é adicionada uma quantidade

conhecida e constante da amostra de concentração desconhecida. Todas as

soluções são diluídas até um volume predeterminado e suas absorbâncias

medidas em uma célula de espessura constante, com varredura da banda de

absorção escolhida.

O gráfico de absorbância contra concentração do analito puro não passa

pela origem porque todos os valores de absorbância aumentam pelo mesmo

valor devido à adição da amostra de concentração desconhecida. A

extrapolação do gráfico até o eixo horizontal dá a concentração do

desconhecido com o sinal negativo. Ela pode ser determinada também pela

inclinação da reta, tomando dois pontos na linha, como na Fig. 18.15. Isto

significa que