Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 311 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

12.9 Aplicações de DTA e DSC

amostra. A maior parte dos equipamentos modernos de DTA inclui um

dispositivo para o encapsulamento da amostra. É prática corrente

encapsular a amostra entre placas metálicas de alta condutividade térmica.

Assim, a amostra fica na forma de uma pastilha fina que permite melhor

contato térmico entre a amostra e o sensor de temperatura.

É prática corrente o uso em DSC de um recipiente vazio como referência

(o mesmo é feito em DTA quando o peso da amostra é da ordem de 1 mg).

Quando o peso é maior, é necessário usar um material de referência porque

o peso total da amostra e seu recipiente deve ser aproximadamente igual ao

peso da referência e seu recipiente. O material de referência deve ser

selecionado de modo a ter características térmicas semelhantes às da

amostra. O material de referência mais usado é α-alumina de grau de pureza

analítico. Antes do uso, α-alumina deve ser recalcinada e estocada em um

dessecador contendo perclorato de magnésio. Kieselguhr é outro material

de referência usado quando a amostra tem natureza fibrosa. Quando há

diferença muito grande entre as características térmicas da amostra e dos

materiais de referência ou quando ΔT é grande, costuma-se diluir a amostra

com a substância de referência. Pode-se fazer a diluição misturando bem

proporções adequadas da amostra e do material de referência.

 

12.9 Aplicações de DTA e DSC

 

As mudanças de peso monitoradas por termogravimetria envolvem,

invariavelmente, absorção ou liberação de energia e podem ser medidas por

DSC ou DTA. Ocorrem, entretanto, mudanças de energia que não são

acompanhadas por ganho ou perda de peso. Fusão, cristalização,

amolecimento e as transições no estado sólido não envolvem mudanças de

peso. Por isto, a TG é comumente utilizada juntamente com DTA e DSC.

A análise qualitativa de materiais foi uma das primeiras aplicações da

DTA, um método rápido para a identificação de minerais, argilas e materiais

poliméricos. Assim, por exemplo, quando se usa a DTA com atmosfera de

nitrogênio, a crisotila (asbesto branco) mostra um pico endotérmico de

desidroxilação em 650°C e um pico exotérmico de cristalização característico em 845°C. Pode-se detectar por DTA uma amostra com 1%

p/p de crisotila em talco. Esta técnica é rápida porque não envolve a longa

etapa de preparo da amostra requerida pelos outros métodos. Os polímeros

têm seus pontos de amolecimento endotérmicos característicos. Assim, cada

componente de uma mistura de vários polímeros comerciais pode ser

facilmente identificado com DTA por sua região endotérmica de

amolecimento.

DTA e, particularmente, DSC são usadas em química farmacêutica na

investigação da pureza de produtos, identificação de isômeros ópticos,

ocorrência de polimorfismo e formação de eutéticos. Na indústria

alimentícia, as gorduras comestíveis e óleos podem ser caracterizados por

métodos térmicos diferenciais. Para medidas quantitativas, prefere-se DSC

porque ela requer apenas um padrão para calibração da área dos picos. Em

DTA e DSC, a área do pico, A, depende da massa da amostra, m, do calor

da reação, ΔH, e de uma constante empírica, K, em que

 

A = ±ΔHmK

 

Em DTA, a constante K depende da temperatura. Isto exige que a calibração

das áreas dos picos seja feita com o padrão na mesma faixa de temperatura

a ser usada para a amostra. Com um equipamento de DSC eficiente, a

constante K praticamente não depende da temperatura e só um padrão é

necessário para a calibração. Assim, em DSC, a constante K é determinada

com um padrão de alta pureza e uma entalpia de fusão (ΔHf) conhecida com exatidão. O metal índio puro, com ponto de fusão a 156,5°C, é muito

empregado. Um instrumento moderno comandado por um

microprocessador avalia K usando a área do pico obtida da fusão

endotérmica do índio. Qual seria, então, o papel da DTA na análise térmica

moderna? Quando este capítulo foi redigido, a temperatura máxima

alcançada pela DSC é da ordem de 800°C, enquanto alguns instrumentos de

DTA podem chegar até 2000°C. Por este motivo, a DTA ainda é usada em

estudos de minerais e materiais refratários e cerâmicos em altas

temperaturas.