Vogel: Análise Química Quantitativa
3.12 Buretas
Se a pipeta for descarregada muito depressa, o volume liberado pode variar. O orifício da pipeta deve produzir um tempo de vazão da ordem de 20 s para uma pipeta de 10 ml, 30 s para uma pipeta de 25 ml e 35 s para uma pipeta de 50 ml.
Pipetas graduadas
Pipetas graduadas são tubos retos de diâmetro relativamente pequeno, sem bulbo central, construídos segundo a especificação padrão BS 6696 (1986). Elas também têm códigos de cores, de acordo com as normas ISO 1769. Existem três tipos:
Tipo 1, libera um volume determinado entre uma marca no topo (zero) até uma marca de
graduação escolhida.
Tipo 2, libera um volume determinado entre uma marca de graduação escolhida e a ponta
(zero).
Tipo 3, calibrado para conter um volume determinado da ponta até a marca de graduação
escolhida e, portanto, calibrada para remover um volume definido de solução.
No caso das pipetas do tipo 2, ao contrário do procedimento normal, a gota de líquido que permanece na ponta deve ser aproveitada. Estas pipetas são distinguidas por um anel branco ou uma marca fosqueada com jato de areia na parte superior.
Pipetas de seringa ou micropipetas
As pipetas de seringa ou micropipetas são muito comuns no laboratório. Elas são usadas na manipulação de soluções tóxicas e volumes repetidos em grande número para análises múltiplas. As pipetas podem ter volumes fixos ou variáveis. Elas usam um sistema de acionamento que permite a operação por um botão no topo da pipeta. O êmbolo percorre dois pontos fixos, o que permite a liberação de um volume constante. As pipetas de seringa são ligadas a pontas afiladas plásticas descartáveis (normalmente de polietileno ou polipropileno) que não retêm água e ajudam a manter constante o volume de líquido liberado. O líquido fica inteiramente na ponta de plástico e basta substituir a ponta para que a mesma pipeta possa ser usada em diferentes soluções. Elas liberam volumes de 1 μl a 10 ml, reprodutíveis com margem de 1%.
A liberação de volumes inferiores a 1 μl é feita, normalmente, com seringas de agulha
especiais, do tipo empregado na cromatografia com fase gasosa (Cap. 9). Pipetas micrométricas são usadas na liberação, gota a gota, de soluções. Elas têm um controle micrométrico que opera o êmbolo da seringa ligado a uma agulha de aço inoxidável. O volume liberado é medido com exatidão pela escala micrométrica.
3.12 Buretas Buretas são tubos cilíndricos longos, graduados, de diâmetro interno uniforme, com uma torneira de vidro ou politetrafluoretileno (PTFE) na extremidade inferior e uma ponta. As torneiras de PTFE têm a grande vantagem de dispensarem lubrificação.
É, às vezes, vantajoso usar buretas com a ponta estendida dobrada duas vezes em ângulo reto, o que separa a extremidade afilada 7,5 a 10 cm do corpo da bureta. Isto facilita o posicionamento da bureta em montagens complicadas. Assim, por exemplo, na titulação de soluções aquecidas, o corpo da bureta fica afastado da fonte de calor. Buretas com torneiras de duas vias são adequadas para a ligação com reservatórios de soluções de estoque.
Como toda vidraria aferida, as buretas são produzidas segundo as especificações das Classes A e B, e as normas BS 846 (1985) ou ISO 385 (1984). As buretas da Classe A podem ser adquiridas com certificados BST. As marcas de graduação de todas as buretas da Classe A e algumas da Classe B circundam completamente a bureta. Isto é muito importante para evitar erros de paralaxe nas leituras. Eis alguns valores de tolerância típicos da Classe A. Para a Classe B, os valores são aproximadamente o dobro.
Capacidade 5 10 50 100
total (ml)
Tolerância 0,02 0,02 0,05 0,10
(ml)
Além do volume, existem também especificações para o comprimento da parte graduada da bureta e o tempo de escoamento.
Quando em uso, a bureta deve estar fixa na vertical. Existem várias garras de bureta próprias para esta finalidade. Não use garras comuns de laboratório. A garra ideal permite a leitura sem que a bureta tenha que ser removida do suporte.
Lubrificantes para as torneiras de vidro
As torneiras de vidro das buretas são lubrificadas para evitar que colem ou deslizem mal durante o uso. O lubrificante mais comum é vaselina pura, porém ela é muito macia e, salvo se for usada em quantidades muito pequenas, o lubrificante pode chegar ao ponto de junção da ponta com o corpo da torneira, bloqueando, eventualmente, a saída da bureta. Existem lubrificantes de torneiras disponíveis no comércio. Não use lubrificantes na base de silicone porque eles tendem a escorrer pelas paredes da bureta e contaminar a parte interna.
Para lubrificar a torneira, remova a tampa da junta e aplique dois pequenos filetes de lubrificante ao longo do êmbolo da torneira, aproximadamente a meia distância entre as extremidades e o furo da torneira. Recoloque-a em posição e gire algumas vezes para formar um filme fino uniforme de lubrificante ao longo da junta esmerilhada. Um anel ou outra forma de retentor ajuda a reduzir a chance de deslocamento quando em uso.