Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 8 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Princípios terapêuticos alternativos

cresceu rapidamente em parceria com a evolução da química orgânica e

outras ciências biomédicas, e foi rápida em assimilar os avanços

significativos em biologia molecular e celular no final do século XX. Sinais

de seu passado aventureiro ainda acompanham a farmacologia, pois a

indústria farmacêutica tornou-se um grande negócio e, atualmente, grande

parte das pesquisas farmacológicas acontece sob motivações comerciais,

uma colocação mais fria e pragmática do que a academia.5 Nenhuma outra

“logia” biomédica está tão próxima de Mammon.

 

Figura 1.1 Desenvolvimento da farmacologia.

 

PRINCÍPIOS TERAPÊUTICOS ALTERNATIVOS

A medicina moderna conta muito com os fármacos como principal

ferramenta de terapia. Naturalmente, outros procedimentos terapêuticos –

cirurgia, dietas, exercícios, tratamentos psicológicos etc. – também são

importantes, bem como o não intervencionismo intencional, mas nenhum é

tão largamente aplicado quanto a terapia baseada em fármacos.

Antes da criação das abordagens baseadas na ciência, houve reiteradas

tentativas para se construírem sistemas terapêuticos, muitos dos quais

produziram resultados ainda piores do que os do puro empirismo. Um deles

foi a alopatia, adotada por James Gregory (1735-1821). Os remédios que

defendia incluíam sangria, eméticos e purgativos, e eram usados até que os

sintomas principais da doença fossem suprimidos. Muitos pacientes

morriam com tais tratamentos, e foi em reação a isso que Hahnemann

introduziu a prática da homeopatia no início do século XIX. Os princípios

improváveis que norteiam a homeopatia são:

 

• O semelhante cura o semelhante

• A atividade pode ser potencializada por diluição.

 

Rapidamente, o sistema chegou às raias do absurdo: por exemplo,

Hahnemann recomendava o uso de fármacos em diluições de 1:1060, o

equivalente a uma molécula em uma esfera do tamanho da órbita de

Netuno.

Muitos outros sistemas terapêuticos vieram e se foram, e vários

princípios dogmáticos que faziam parte de sua doutrina tenderam mais a

atrapalhar do que a impulsionar o progresso científico. Atualmente, os

sistemas terapêuticos que têm uma base fora do domínio da ciência

continuam sendo populares sob a denominação geral de medicina

“alternativa” ou “complementar”. Em sua maioria, esses sistemas rejeitam o

“modelo médico”, que atribui a doença a um desequilíbrio subjacente das funções normais, o qual pode ser definido em termos fisiológicos ou