Rang e Dale: Farmacologia
Princípios terapêuticos alternativos
cresceu rapidamente em parceria com a evolução da química orgânica e
outras ciências biomédicas, e foi rápida em assimilar os avanços
significativos em biologia molecular e celular no final do século XX. Sinais
de seu passado aventureiro ainda acompanham a farmacologia, pois a
indústria farmacêutica tornou-se um grande negócio e, atualmente, grande
parte das pesquisas farmacológicas acontece sob motivações comerciais,
uma colocação mais fria e pragmática do que a academia.5 Nenhuma outra
“logia” biomédica está tão próxima de Mammon.
Figura 1.1 Desenvolvimento da farmacologia.
PRINCÍPIOS TERAPÊUTICOS ALTERNATIVOS
A medicina moderna conta muito com os fármacos como principal
ferramenta de terapia. Naturalmente, outros procedimentos terapêuticos –
cirurgia, dietas, exercícios, tratamentos psicológicos etc. – também são
importantes, bem como o não intervencionismo intencional, mas nenhum é
tão largamente aplicado quanto a terapia baseada em fármacos.
Antes da criação das abordagens baseadas na ciência, houve reiteradas
tentativas para se construírem sistemas terapêuticos, muitos dos quais
produziram resultados ainda piores do que os do puro empirismo. Um deles
foi a alopatia, adotada por James Gregory (1735-1821). Os remédios que
defendia incluíam sangria, eméticos e purgativos, e eram usados até que os
sintomas principais da doença fossem suprimidos. Muitos pacientes
morriam com tais tratamentos, e foi em reação a isso que Hahnemann
introduziu a prática da homeopatia no início do século XIX. Os princípios
improváveis que norteiam a homeopatia são:
• O semelhante cura o semelhante
• A atividade pode ser potencializada por diluição.
Rapidamente, o sistema chegou às raias do absurdo: por exemplo,
Hahnemann recomendava o uso de fármacos em diluições de 1:1060, o
equivalente a uma molécula em uma esfera do tamanho da órbita de
Netuno.
Muitos outros sistemas terapêuticos vieram e se foram, e vários
princípios dogmáticos que faziam parte de sua doutrina tenderam mais a
atrapalhar do que a impulsionar o progresso científico. Atualmente, os
sistemas terapêuticos que têm uma base fora do domínio da ciência
continuam sendo populares sob a denominação geral de medicina
“alternativa” ou “complementar”. Em sua maioria, esses sistemas rejeitam o
“modelo médico”, que atribui a doença a um desequilíbrio subjacente das funções normais, o qual pode ser definido em termos fisiológicos ou