Rang e Dale: Farmacologia
Trânsito e secreção de peptídios
(33 resíduos) é o principal peptídio produzido no intestino, enquanto o
cérebro produz principalmente CCK-8. De forma semelhante, o precursor
opioide pró-dinorfina origina vários peptídios com uma sequência terminal
comum, cujas proporções variam em diferentes tecidos e em diferentes
neurônios no cérebro. Em alguns casos (p. ex., o mediador inflamatório
bradicinina, p. 247), a clivagem peptídica que ocorre após a liberação gera
um novo peptídio ativo (des-Arg9-bradicinina), que age em um receptor
distinto, e ambos os peptídios contribuem de forma diferente para a resposta
inflamatória combinada.
TRÂNSITO E SECREÇÃO DE PEPTÍDIOS
Os mecanismos básicos pelos quais os peptídios são sintetizados,
acondicionados em vesículas, processados e secretados estão resumidos na
Figura 19.1. Existem duas vias secretoras, uma para a secreção constitutiva
e outra para a secreção regulada. As proteínas secretadas constitutivamente
(p. ex., proteínas plasmáticas, alguns fatores da coagulação) não são
armazenadas em quantidades apreciáveis, e a secreção está acoplada à
síntese. A secreção regulada, assim como com muitos hormônios e
transmissores, é controlada por sinais ativados por receptores que levam a
um aumento de Ca2+ intracelular (ver Capítulo 4), e os peptídios prontos
para liberação são armazenados em vesículas citoplasmáticas. Interações
proteína-proteína específicas parecem ser responsáveis pela distribuição das
diferentes proteínas e pelo seu trajeto nas diferentes vesículas, assim como
pela sua liberação seletiva. A identificação das proteínas “de trânsito”
específicas envolvidas em determinadas vias secretórias pode revelar novos
alvos farmacológicos para o controle seletivo da secreção.