Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 471 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

39 Aminoácidos Transmissores

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Neste capítulo, discutiremos os principais neurotransmissores no sistema

nervoso central (SNC), especificamente, o transmissor excitatório,

glutamato, e os transmissores inibitórios GABA e a glicina. Esta tem sido

uma área de intenso interesse científico nos últimos anos. A exposição das

complexidades dos receptores aminoácidos e dos mecanismos de

sinalização esclareceu consideravelmente seu papel na função cerebral e em

seus prováveis envolvimentos nas doenças do SNC. Foram desenvolvidos

fármacos que têm como alvo receptores e transmissores específicos; no

entanto, a transposição desse conhecimento para o desenvolvimento de

fármacos para uso terapêutico está começando a acontecer somente agora.

Aqui, apresentamos os princípios farmacológicos e incluímos referências

recentes para aqueles que buscam mais detalhes.

 

AMINOÁCIDOS EXCITATÓRIOS

 

AMINOÁCIDOS EXCITATÓRIOS COMO TRANSMISSORES NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

O L-glutamato é o transmissor excitatório principal e onipresente no SNC.

▼ A conscientização da importância do glutamato veio lentamente

(Watkins e Jane, 2006). Nos anos 1950, trabalhos sobre o sistema

nervoso periférico destacaram os papéis transmissores da acetilcolina e

das catecolaminas e, uma vez que o cérebro também continha essas

substâncias, parecia haver poucas razões para investigações adicionais.

A presença do ácido γ-aminobutírico (GABA; ver p. 493) no cérebro e

seu poderoso efeito inibitório nos neurônios foram descobertos nos anos

1950, e seu papel como transmissor foi postulado. Ao mesmo tempo, o

trabalho do grupo de Curtis em Camberra mostrou que o glutamato e

vários outros aminoácidos ácidos produziam forte efeito excitatório,

porém parecia inconcebível que esses metabólitos tão comuns pudessem

ser de fato transmissores. Durante os anos 1960, o GABA e os

aminoácidos excitatórios (AAE) foram considerados, até mesmo por

seus descobridores, meras curiosidades farmacológicas. Nos anos 1970,

o modesto aminoácido glicina foi estabelecido como transmissor

inibitório na medula espinal, dando lugar à ideia de que os

transmissores tinham de ser moléculas exóticas, bonitas demais para

qualquer papel que não fosse o de cair nos braços de um receptor. Uma

vez que a glicina foi aceita, o restante seguiu-se rapidamente.

Importante avanço foi a descoberta dos antagonistas dos AAE,

fundamentada no trabalho de Watkins, em Bristol, que possibilitou que

o papel fisiológico do glutamato fosse estabelecido inequivocamente e

também levou à conscientização de que os receptores dos AAE são

heterogêneos.

Fazer justiça à riqueza das descobertas neste campo nos últimos 25 anos

está além do alcance deste livro; para mais detalhes, ver Traynelis et al.

(2010) e Nicoletti et al. (2011). Aqui, debruçamo-nos sobre aspectos