Rang e Dale: Farmacologia
Tipos de fármacos antidepressivos
Os antidepressivos são agrupados nas seguintes categorias:
Inibidores da recaptação de monoaminas
• Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (5-HT) (ISRS) (p. ex.,
fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina, citalopram,
escitalopram, vilazodona)
• Antidepressivos tricíclicos (ADT) clássicos (p. ex., imipramina,
desipramina, amitriptilina, nortriptilina, clomi-pramina). Estes
variam na sua atividade e seletividade no que diz respeito à inibição da
recaptação de norepinefrina e 5-HT
• Inibidores mais recentes e misturados da recaptação de norepinefrina e
5-TH (p. ex., venlafaxina [um pouco seletiva para 5-HT, embora menos
que os ISRS], desvenlafaxina, duloxetina)
• Inibidores da recaptação da norepinefrina (p. ex., reboxetina,
atomoxetina, bupropiona)
• A preparação da erva-de-são-joão, cujo principal ingrediente ativo é a
hiperforina, tem eficácia clínica semelhante à maioria dos
antidepressivos prescritos. É inibidor fraco da recaptação, mas também
tem outras ações.3
Teoria das monoaminas para a depressão
• A teoria das monoaminas, proposta em 1965, sugere que a depressão resulta de
transmissão monoaminérgica funcionalmente de ciente (norepinefrina e/ou 5-
hidroxitriptamina) no sistema nervoso central
• A teoria baseou-se na capacidade de a maioria dos antidepressivos conhecidos
(antidepressivos tricíclicos e inibidores da monoamina oxidase) facilitar a transmissão
monoaminérgica e de fármacos, como a reserpina, causarem depressão
• Estudos bioquímicos sobre pacientes depressivos não sustentam claramente a hipótese
das monoaminas em sua forma simples Embora a hipótese das monoaminas em sua
forma simples seja insu ciente como explicação de depressão, a manipulação
farmacológica da transmissão de monoaminas continua a ser o enfoque terapêutico mais
bem-sucedido
• A teoria do viés afetivo negativo sugere que os fármacos podem produzir alterações
comportamentais imediatas, mas que os pacientes que tomam os fármacos necessitam de
tempo para se conscientizarem das melhoras no seu humor
• Evidências recentes sugerem que a depressão pode associar-se à neurodegeneração e à
redução da neurogênese no hipocampo
• Enfoques atuais concentram-se em outros mediadores, nas vias de transdução de sinais,
em fatores de crescimento etc., mas as teorias continuam imprecisas.
Antagonistas do receptor da monoamina
• Fármacos como mirtazapina, trazodona, mianserina são não seletivos
e inibem uma variedade de receptores, inclusive os receptores α2-
adrenérgicos e 5-HT 2. Também apresentam efeito brando sobre a
recaptação de monoaminas.
Inibidores da monoamina oxidase (IMAO)
• Inibidores irreversíveis não competitivos (p. ex., fenelzina,
tranilcipromina) que não são seletivos com respeito aos subtipos
MAO-A e B
• Inibidores reversíveis seletivos para MAO-A (p. ex., moclobemida).
Agonista do receptor da melatonina
• A agomelatina é um agonista dos receptores MT1 e MT2 da melatonina
e um antagonista fraco de 5-HT2C.
Outros agentes
• A cetamina é um bloqueador não competitivo do canal NMDA.
A Tabela 48.2 resume as principais características desses tipos de fármacos.
Também deve ser feita menção de eletroconvulsoterapia (ECT), terapia
eletromagnética, estimulação cerebral profunda e estimulação vagal, que
são eficazes e, em geral, atuam mais rapidamente que os antidepressivos (p.
619).
A certo ponto, o termo “fármaco antidepressivo” torna-se confuso,
porque muitos desses fármacos são agora também usados para tratar
patologias para além da depressão. Estas incluem:
• Dor neuropática (p. ex., amitriptilina, nortriptilina, duloxetina; ver
Capítulo 43)
• Transtornos de ansiedade (p. ex., ISRS, venlafaxina, duloxetina; ver
Capítulo 45)
• Fibromialgia (p. ex., duloxetina, venlafaxina, ISRS, ADT; ver Capítulo
43)
• Transtorno bipolar (p. ex., fluoxetina em conjunto com a olanzapina;
ver adiante)