Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 594 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Tipos de fármacos antidepressivos

Os antidepressivos são agrupados nas seguintes categorias:

 

Inibidores da recaptação de monoaminas

 

• Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (5-HT) (ISRS) (p. ex.,

fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina, citalopram,

escitalopram, vilazodona)

• Antidepressivos tricíclicos (ADT) clássicos (p. ex., imipramina,

desipramina, amitriptilina, nortriptilina, clomi-pramina). Estes

variam na sua atividade e seletividade no que diz respeito à inibição da

recaptação de norepinefrina e 5-HT

• Inibidores mais recentes e misturados da recaptação de norepinefrina e

5-TH (p. ex., venlafaxina [um pouco seletiva para 5-HT, embora menos

que os ISRS], desvenlafaxina, duloxetina)

• Inibidores da recaptação da norepinefrina (p. ex., reboxetina,

atomoxetina, bupropiona)

• A preparação da erva-de-são-joão, cujo principal ingrediente ativo é a

hiperforina, tem eficácia clínica semelhante à maioria dos

antidepressivos prescritos. É inibidor fraco da recaptação, mas também

tem outras ações.3

Teoria das monoaminas para a depressão

 

• A teoria das monoaminas, proposta em 1965, sugere que a depressão resulta de

transmissão monoaminérgica funcionalmente de ciente (norepinefrina e/ou 5-

hidroxitriptamina) no sistema nervoso central

• A teoria baseou-se na capacidade de a maioria dos antidepressivos conhecidos

(antidepressivos tricíclicos e inibidores da monoamina oxidase) facilitar a transmissão

monoaminérgica e de fármacos, como a reserpina, causarem depressão

• Estudos bioquímicos sobre pacientes depressivos não sustentam claramente a hipótese

das monoaminas em sua forma simples Embora a hipótese das monoaminas em sua

forma simples seja insu ciente como explicação de depressão, a manipulação

farmacológica da transmissão de monoaminas continua a ser o enfoque terapêutico mais

bem-sucedido

• A teoria do viés afetivo negativo sugere que os fármacos podem produzir alterações

comportamentais imediatas, mas que os pacientes que tomam os fármacos necessitam de

tempo para se conscientizarem das melhoras no seu humor

• Evidências recentes sugerem que a depressão pode associar-se à neurodegeneração e à

redução da neurogênese no hipocampo

• Enfoques atuais concentram-se em outros mediadores, nas vias de transdução de sinais,

em fatores de crescimento etc., mas as teorias continuam imprecisas.

 

Antagonistas do receptor da monoamina

• Fármacos como mirtazapina, trazodona, mianserina são não seletivos

e inibem uma variedade de receptores, inclusive os receptores α2-

adrenérgicos e 5-HT 2. Também apresentam efeito brando sobre a

recaptação de monoaminas.

Inibidores da monoamina oxidase (IMAO)

• Inibidores irreversíveis não competitivos (p. ex., fenelzina,

tranilcipromina) que não são seletivos com respeito aos subtipos

MAO-A e B

• Inibidores reversíveis seletivos para MAO-A (p. ex., moclobemida).

 

Agonista do receptor da melatonina

• A agomelatina é um agonista dos receptores MT1 e MT2 da melatonina

e um antagonista fraco de 5-HT2C.

 

Outros agentes

• A cetamina é um bloqueador não competitivo do canal NMDA.

A Tabela 48.2 resume as principais características desses tipos de fármacos.

Também deve ser feita menção de eletroconvulsoterapia (ECT), terapia

eletromagnética, estimulação cerebral profunda e estimulação vagal, que

são eficazes e, em geral, atuam mais rapidamente que os antidepressivos (p.

619).

A certo ponto, o termo “fármaco antidepressivo” torna-se confuso,

porque muitos desses fármacos são agora também usados para tratar

patologias para além da depressão. Estas incluem:

 

• Dor neuropática (p. ex., amitriptilina, nortriptilina, duloxetina; ver

Capítulo 43)

• Transtornos de ansiedade (p. ex., ISRS, venlafaxina, duloxetina; ver

Capítulo 45)

• Fibromialgia (p. ex., duloxetina, venlafaxina, ISRS, ADT; ver Capítulo

43)

• Transtorno bipolar (p. ex., fluoxetina em conjunto com a olanzapina;

ver adiante)