Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 138 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Efeitos da variação na velocidade de absorção

EFEITOS DA VARIAÇÃO NA VELOCIDADE DE

 

ABSORÇÃO

Se o fármaco for absorvido lentamente do intestino ou do local de injeção

para o plasma, o efeito é o mesmo (em termos de um modelo

compartimental) que o observado durante uma infusão lenta a uma

velocidade variável na corrente sanguínea. Para o propósito de uma

modelagem cinética, a transferência do fármaco do local de administração

para o compartimento central pode ser representada por uma constante de

velocidade, kabs (ver Figura 11.2). O modelo assume que a velocidade de absorção é diretamente proporcional, em qualquer momento, à quantidade

do fármaco que ainda não foi absorvida, que é, no melhor dos casos, uma

estimativa grosseira da realidade. O efeito de uma absorção lenta sobre o

aumento e a redução da concentração plasmática é mostrado na Figura 11.5.

As curvas mostram o efeito de diferentes tempos de absorção da mesma

quantidade de fármaco. Em cada caso, o fármaco é absorvido

completamente, mas a concentração de pico aparece mais tardiamente,

sendo mais baixa e menos acentuada quando a absorção é lenta. Em um

caso limite, uma forma de administração que libere o fármaco a uma

velocidade constante à medida que ele percorre o íleo (ver Capítulo 9)

aproxima-se de uma infusão em velocidade constante. Após o término da

absorção, a concentração plasmática declina com a mesma meia-vida,

independentemente da velocidade de absorção.

▼ Para o tipo de modelo farmacocinético discutido aqui, a área sob a

curva de concentração plasmática versus tempo (AUC) é diretamente

proporcional à quantidade total do fármaco introduzida no

compartimento plasmático, independentemente da velocidade com a

qual ele entrou. Uma absorção incompleta, ou a destruição pelo

metabolismo de primeira passagem antes de o fármaco chegar ao

compartimento plasmático, reduz a AUC após administração oral (ver

Capítulo 9). No entanto, alterações na velocidade de absorção não

afetam a AUC. Mais uma vez, é importante observar que, após a

absorção ser completa, a relação entre a velocidade de administração e a

concentração plasmática no estado de equilíbrio (Equação 11.3) não é

afetada pela kabs, embora haja redução da amplitude de oscilação da

concentração plasmática para cada dose se a velocidade de absorção for

reduzida.

 

Figura 11.5 Efeito da absorção lenta de um fármaco sobre sua concentração

plasmática. A. Comportamento previsto pelo modelo de compartimento único com um fármaco absorvido no intestino ou no local da injeção em diferentes velocidades. A meia-vida de eliminação é de 6 h. As meias-vidas de absorção (t abs) estão indicadas no 1/2

diagrama (zero indica absorção instantânea, correspondendo à administração intravenosa). Repare que o pico da concentração plasmática é reduzido e retardado pela absorção lenta, e a duração da ação está um pouco aumentada. B. Concentrações plasmáticas de aminofilina em seres humanos após a administração oral e intravenosa de doses iguais. (Dados de Swintowsky, J.V., 1956. J. Am. Pharm. Assoc. 49, 395.)