Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 170 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Receptores muscarínicos

Suxametônio Dimetilfenilpi-Nicotina Acetilcolina

perazínio

Epibatidina Citosina

Vareniclinab

Dimetilfenilpi- b Vareniclina perazínio

Tubocurarina

Pancurônio Mecamilamina

α-Bungarotoxina

Atracúrio Trimetafana Mecamilamina

Antagonistas α-Conotoxina – Vecurônio

Hexametônio Metilaconitina

α-Bungarotoxina Metilaconitina

α-Conotoxina

α-Conotoxina

a Esta tabela mostra apenas os principais subtipos expressos nos tecidos de mamíferos. Vários outros subtipos são expressos em

determinadas regiões do cérebro e também no sistema nervoso periférico e em tecidos não neuronais. Para mais detalhes, ver

Capítulo 40 e a revisão de Kalamida et al. (2007).

bA vareniclina é usada como ajuda para o tratamento do tabagismo. Atua como um agonista parcial nos receptores (α ) (β2) e 4 2 3

como um agonista total nos receptores (α7)5 (ver Capítulo 50).

 

A ação diferente de agonistas e antagonistas sobre as sinapses

neuromusculares e ganglionares tem importância prática e reflete

principalmente as diferenças existentes entre os receptores nicotínicos

musculares e neuronais (ver Tabela 14.1).

 

RECEPTORES MUSCARÍNICOS

Os receptores muscarínicos (mAChR) são típicos receptores acoplados à

proteína G (ver Capítulo 3), e são conhecidos cinco subtipos moleculares

(M 1-M5). Os subtipos com numeração ímpar (M1, M3 e M5) acoplam-se à

proteína G q para ativar a via de fosfatos de inositol (ver Capítulo 3),

enquanto os receptores pares (M2, M4) atuam através de Gi para abrir os canais de potássio (K ir), provocando hiperpolarização da membrana, podendo ainda inibir a adenilato ciclase, embora a quantidade de cAMP

intracelular seja em geral baixa. Os agonistas muscarínicos, além dos

mecanismos de transdução, também ativam a via das proteinoquinases

ativadas por mitógenos. A localização e a farmacologia dos vários subtipos

de receptores estão resumidas na Tabela 14.2.

Os receptores M 1 (“neuronais”) são encontrados principalmente em neurônios do SNC, em neurônios periféricos e nas células parietais do

estômago. Atuam como mediadores dos efeitos excitatórios como, por

exemplo, a excitação muscarínica lenta mediada pela ACh nos gânglios

simpáticos (ver Capítulo 13) e em neurônios centrais. Essa excitação é

produzida por diminuição da condutância ao K+, que provoca

despolarização da membrana. A deficiência desse tipo de efeito mediado

pela ACh no cérebro está possivelmente associada à demência (ver Capítulo

41), embora camundongos transgênicos “nocaute” para o receptor M1

apresentem apenas uma leve disfunção cognitiva. Os receptores M 1 também estão envolvidos no aumento da secreção ácida do estômago que ocorre

após estimulação vagal (ver Capítulo 31).

 

Tabela 14.2 Subtipos de receptores muscarínicos.a

 

M3

M (“neuronais”) M (“cardíacos”) (“glandulares/do M M 1 2 45

músculo liso”)

Principais Gânglios autônomos Coração: átrios Glândulas SNC SNC: expressão

localizações (incluindo os exócrinas: salivares muito localizada

SNC: amplamente

gânglios intramurais etc. na substância

distribuídos

no estômago), negra

Musculatura lisa:

glândulas oxínticas

trato

gástricas (secreção gastrintestinal,

Glândulas

ácida) olhos, vias

salivares

respiratórias,

Glândulas: salivar,

bexiga Íris/músculo

lacrimal etc.

ciliar

Vasos sanguíneos:

Córtex cerebral

endotélio

 

↑ IP , DAG ↓ cAMP 3

 

Despolarização Inibição ↑ IP3

↓ cAMP ↑ IP3

Resposta celular Excitação (peps ↓ condutância ao Estimulação

lento) 2+ Ca Inibição Excitação

↑ 2+ [Ca]

↓ condutância ao ↑ condutância ao i K+ + K

Secreção gástrica,

Inibição cardíaca salivar

Estimulação do SNC Inibição neural Contração da

 

Resposta (? melhora da musculatura lisa Aumento da Efeitos Desconhecida cognição) gastrintestinal funcional locomoção muscarínicos

Secreção gástrica centrais (p. ex., Acomodação

tremor, e ocular hipotermia)

Vasodilatação

Acetilcolina

 

Agonistas não Carbacol

seletivos (ver

Oxotremorina

também a Tabela

14.3) Pilocarpina

Betanecol

Agonistas McNA343 Cevimelina

seletivos

Atropina

 

Antagonistas não Dicicloverina

seletivos (ver

Tolterodina

também a Tabela

14.5) Oxibutinina

Ipratrópio

 

Agonistas Pirenzepina Toxina mamba

Galamina (p. 178) Darifenacina

seletivos MT3

Toxina mamba MT7

a Esta tabela mostra apenas os subtipos predominantes expressos em tecidos de mamíferos. Para maior detalhamento, ver

Capítulo 40 e a revisão de Kalamida et al. (2007).

Os fármacos em utilização clínica estão em negrito.

SNC, sistema nervoso central; DAG, diacilglicerol; peps, potencial excitatório pós-sináptico; IP 3, trifosfato de inositol.

 

Os receptores M2 (“cardíacos”) estão presentes no coração e também nas terminações pré-sinápticas de neurônios centrais e periféricos. Exercem

efeitos inibitórios, principalmente por meio do aumento da condutância ao

K+ e da inibição dos canais de cálcio (ver Capítulo 4). A ativação desses

receptores é responsável pela inibição colinérgica do coração, bem como

pela inibição pré-sináptica no SNC e na periferia (ver Capítulo 13). Os

receptores M 2 também são expressos juntamente com os receptores M3 no músculo liso das vísceras e contribuem para o efeito estimulante da

musculatura lisa, próprio dos agonistas muscarínicos em vários órgãos.

Os receptores M3 (glandulares/do músculo liso) produzem principalmente efeitos excitatórios; ou seja, estimulação das secreções

glandulares (salivares, brônquicas, sudoríparas etc.) e contração do músculo liso das vísceras. A ativação dos receptores M 3 também provoca relaxamento de alguns músculos lisos (principalmente vascular) por meio

da liberação de óxido nítrico de células endoteliais vizinhas (ver Capítulo

21). Os receptores M 3 também estão presentes em locais específicos do

SNC (ver Capítulo 40).

Os receptores M4 e M5 estão em grande parte restritos ao SNC, e seu papel funcional não está bem esclarecido, embora camundongos

desprovidos desses receptores mostrem alterações comportamentais.

A secreção de citocinas pelos linfócitos e outras células é regulada pelos

receptores M 1 e M3, enquanto os receptores M2 e M4 afetam a proliferação celular em diferentes situações, abrindo a possibilidade de novos papéis

terapêuticos para os ligantes de mAChR (Wessler e Kirkpatrick, 2008).

A região de ligação do agonista é altamente conservada entre os

diferentes subtipos, em que as tentativas de desenvolver agonistas e

antagonistas seletivos apresentaram um sucesso limitado. A maioria dos

agonistas conhecidos é composta de substâncias não seletivas, embora um

composto experimental (o McNA343) seja seletivo para os receptores M1.

A cevimelina, um agonista receptor M3 relativamente seletivo, é utilizada para melhorar a secreção salivar e lacrimal na síndrome de Sjögren, uma

doença autoimune caracterizada por secura na boca e nos olhos. É possível

que novos ligantes alostéricos mAChR, tais como moduladores alostéricos

positivos (PAM, ver Capítulo 3, Figura 3.7), que são atualmente foco de

muito interesse (Nickols e Conn, 2014), tornem possível melhor

seletividade de subtipo dos fármacos que atuam nessa importante classe de

receptores, por exemplo, ao terem como alvo os receptores muscarínicos do

SNC, sem produzir efeitos secundários cardiovasculares (ver Capítulo 41).

Existe maior seletividade de subtipo entre antagonistas. Embora a

maioria dos antagonistas muscarínicos clássicos (p. ex., atropina, hioscina) seja não seletiva, a pirenzepina (anteriormente utilizada no tratamento de