Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 333 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Urticária

mediadores inflamatórios na pele pelos mastócitos (p. ex., histamina,

leucotrienos, proteases e citocinas).

 

URTICÁRIA

▼ Este termo refere-se a um conjunto de alterações inflamatórias da

pele caracterizadas por elevações ou pápulas na pele (“urticária”). Tais

inflamações apresentam normalmente margem avermelhada e são

intensamente pruriginosas. Existem várias causas conhecidas, incluindo

exposição ao sol (urticária solar),4 calor ou frio, mordeduras ou picadas

de inseto, alimentos ou infecção, bem como alguns fármacos. Muitos

casos são de natureza alérgica, enquanto outros são de causa

desconhecida. Uma manifestação bizarra de urticária observada em

algumas pessoas é a dermografia – literalmente, “escrita na pele”.

Trata-se de uma forma exagerada da “resposta tripla” causada pela

injeção de histamina na pele (ver Capítulo 18) e, nesse caso, provocada

por coçadura ou, em alguns casos, simplesmente por riscar ou esfregar a

pele.

A urticária está associada a alterações inflamatórias na derme, incluindo

desgranulação mastocitária e a liberação de mediadores que a

acompanha. Pode coexistir com uma condição relacionada,

angioedema, que afeta primariamente os vasos sanguíneos da camada

dérmica. A urticária pode desaparecer relativamente depressa ou

persistir por semanas (urticária crônica). Esse distúrbio pode ser difícil

de manejar, e até mesmo os glicocorticoides, que suprimem a maior

parte das respostas inflamatórias, geralmente não são efetivos.

 

PSORÍASE

▼ Com exceção da dermatite atópica, a psoríase é a doença inflamatória

cutânea mais comum que afeta cerca de 2 a 3% dos europeus. É uma

doença autoimune e já foram identificados um componente genético e

vários locais de suscetibilidade, a maior parte dos quais relacionada com

o funcionamento do sistema imune. Citocinas, como TNF, IL-17 e IL-

23, estão envolvidas no mecanismo inflamatório, e biofármacos

anticitocinas podem ser usados para tratar manifestações graves da

doença (ver Capítulo 7). Histologicamente, manifesta-se por inflamação

acompanhada por hiperproliferação de queratinócitos. Isso leva a

acúmulo de pele morta em placas nos locais da doença. A forma mais

comum é a psoríase em placas. Esta se apresenta como áreas de pele

prateado-esbranquiçada em escamas, rodeadas por margens vermelhas.

A distribuição é habitualmente muito característica, com placas que

surgem primeiro nos joelhos e cotovelos. As lesões podem ser dolorosas

e são por vezes pruriginosas (de fato, a palavra “psoríase” tem origem

no grego e significa literalmente “pele com coceira”, embora, em

contraste com o eczema, o prurido não seja de forma alguma um

sintoma predominante).

A psoríase pode ainda afetar as unhas, dando-lhes um aspecto

“perfurado”, as articulações (típica, mas não exclusivamente, as

articulações interfalângicas distais) e outros tecidos conjuntivos (artrite

psoriática).

A psoríase é geralmente uma condição para toda a vida, mas pode

aparecer e desaparecer sem razão aparente. Diz-se que o estresse é um

fator precipitante, tal como o ressecamento da pele. Vários fármacos (p.

ex., antagonistas β-adrenérgicos, AINE e lítio) são possíveis

precipitantes de surtos da doença (Basavaraj et al., 2010).