Rang e Dale: Farmacologia
Urticária
mediadores inflamatórios na pele pelos mastócitos (p. ex., histamina,
leucotrienos, proteases e citocinas).
URTICÁRIA
▼ Este termo refere-se a um conjunto de alterações inflamatórias da
pele caracterizadas por elevações ou pápulas na pele (“urticária”). Tais
inflamações apresentam normalmente margem avermelhada e são
intensamente pruriginosas. Existem várias causas conhecidas, incluindo
exposição ao sol (urticária solar),4 calor ou frio, mordeduras ou picadas
de inseto, alimentos ou infecção, bem como alguns fármacos. Muitos
casos são de natureza alérgica, enquanto outros são de causa
desconhecida. Uma manifestação bizarra de urticária observada em
algumas pessoas é a dermografia – literalmente, “escrita na pele”.
Trata-se de uma forma exagerada da “resposta tripla” causada pela
injeção de histamina na pele (ver Capítulo 18) e, nesse caso, provocada
por coçadura ou, em alguns casos, simplesmente por riscar ou esfregar a
pele.
A urticária está associada a alterações inflamatórias na derme, incluindo
desgranulação mastocitária e a liberação de mediadores que a
acompanha. Pode coexistir com uma condição relacionada,
angioedema, que afeta primariamente os vasos sanguíneos da camada
dérmica. A urticária pode desaparecer relativamente depressa ou
persistir por semanas (urticária crônica). Esse distúrbio pode ser difícil
de manejar, e até mesmo os glicocorticoides, que suprimem a maior
parte das respostas inflamatórias, geralmente não são efetivos.
PSORÍASE
▼ Com exceção da dermatite atópica, a psoríase é a doença inflamatória
cutânea mais comum que afeta cerca de 2 a 3% dos europeus. É uma
doença autoimune e já foram identificados um componente genético e
vários locais de suscetibilidade, a maior parte dos quais relacionada com
o funcionamento do sistema imune. Citocinas, como TNF, IL-17 e IL-
23, estão envolvidas no mecanismo inflamatório, e biofármacos
anticitocinas podem ser usados para tratar manifestações graves da
doença (ver Capítulo 7). Histologicamente, manifesta-se por inflamação
acompanhada por hiperproliferação de queratinócitos. Isso leva a
acúmulo de pele morta em placas nos locais da doença. A forma mais
comum é a psoríase em placas. Esta se apresenta como áreas de pele
prateado-esbranquiçada em escamas, rodeadas por margens vermelhas.
A distribuição é habitualmente muito característica, com placas que
surgem primeiro nos joelhos e cotovelos. As lesões podem ser dolorosas
e são por vezes pruriginosas (de fato, a palavra “psoríase” tem origem
no grego e significa literalmente “pele com coceira”, embora, em
contraste com o eczema, o prurido não seja de forma alguma um
sintoma predominante).
A psoríase pode ainda afetar as unhas, dando-lhes um aspecto
“perfurado”, as articulações (típica, mas não exclusivamente, as
articulações interfalângicas distais) e outros tecidos conjuntivos (artrite
psoriática).
A psoríase é geralmente uma condição para toda a vida, mas pode
aparecer e desaparecer sem razão aparente. Diz-se que o estresse é um
fator precipitante, tal como o ressecamento da pele. Vários fármacos (p.
ex., antagonistas β-adrenérgicos, AINE e lítio) são possíveis
precipitantes de surtos da doença (Basavaraj et al., 2010).