Rang e Dale: Farmacologia
Introdução
A sobrevivência exige fornecimento contínuo de energia para manter a
homeostase, mesmo quando o suprimento alimentar é intermitente. A
evolução da espécie forneceu o mecanismo para armazenar qualquer
excesso de energia latente de produtos alimentares no tecido adiposo, como
triglicerídeos ricos em energia, de tal modo que estes pudessem ser
facilmente mobilizados quando o alimento estivesse escasso. Esse
mecanismo, controlado pelos chamados genes econômicos, foi a aquisição
óbvia para os ancestrais do ser humano que caçavam e colhiam
comunitariamente; porém, em muitas sociedades, a combinação de estilo de
vida sedentário, suscetibilidade genética, influências culturais e acesso
irrestrito a amplo suprimento de alimentos altamente calóricos levou à
epidemia global de obesidade, ou “globesidade”, como algumas vezes é
chamada. A obesidade é um componente de um conjunto de distúrbios
descritos em outros capítulos, os quais frequentemente coexistem no
mesmo indivíduo, compreendendo o que é agora descrito como síndrome
metabólica (anteriormente, síndrome X) e que constitui um problema de
saúde pública que está aumentando rapidamente.
DEFINIÇÃO DE OBESIDADE
A obesidade pode ser definida como a doença em que a saúde (e, por isso, a
expectativa de vida) é afetada adversamente por excesso de gordura
corporal.1 No entanto, quando se pode dizer que um indivíduo se torna
obeso? Em geral, a marca aceita pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) é o índice de massa corporal (IMC), expresso como P/A2, em que P
= peso corporal (em kg), A = altura (em metros). Embora não seja o índice
perfeito, já que não distingue entre gordura e massa magra, o IMC, em
geral, correlaciona-se bem a outras medidas de gordura corporal e é amplamente utilizado como um índice prático. Enquanto existem problemas