Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 393 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Introdução

A sobrevivência exige fornecimento contínuo de energia para manter a

homeostase, mesmo quando o suprimento alimentar é intermitente. A

evolução da espécie forneceu o mecanismo para armazenar qualquer

excesso de energia latente de produtos alimentares no tecido adiposo, como

triglicerídeos ricos em energia, de tal modo que estes pudessem ser

facilmente mobilizados quando o alimento estivesse escasso. Esse

mecanismo, controlado pelos chamados genes econômicos, foi a aquisição

óbvia para os ancestrais do ser humano que caçavam e colhiam

comunitariamente; porém, em muitas sociedades, a combinação de estilo de

vida sedentário, suscetibilidade genética, influências culturais e acesso

irrestrito a amplo suprimento de alimentos altamente calóricos levou à

epidemia global de obesidade, ou “globesidade”, como algumas vezes é

chamada. A obesidade é um componente de um conjunto de distúrbios

descritos em outros capítulos, os quais frequentemente coexistem no

mesmo indivíduo, compreendendo o que é agora descrito como síndrome

metabólica (anteriormente, síndrome X) e que constitui um problema de

saúde pública que está aumentando rapidamente.

 

DEFINIÇÃO DE OBESIDADE

A obesidade pode ser definida como a doença em que a saúde (e, por isso, a

expectativa de vida) é afetada adversamente por excesso de gordura

corporal.1 No entanto, quando se pode dizer que um indivíduo se torna

obeso? Em geral, a marca aceita pela Organização Mundial da Saúde

(OMS) é o índice de massa corporal (IMC), expresso como P/A2, em que P

= peso corporal (em kg), A = altura (em metros). Embora não seja o índice

perfeito, já que não distingue entre gordura e massa magra, o IMC, em

geral, correlaciona-se bem a outras medidas de gordura corporal e é amplamente utilizado como um índice prático. Enquanto existem problemas