Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 299 de 751

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Endotélio vascular na hemostasia e na trombose

IX e X (mostrados nos quadros azuis); ver Figura 25.4. As heparinas ativam a antitrombina III. AT III, antitrombina III; HBPM, heparinas de baixo peso molecular; FL, fosfolipídio carregado negativamente fornecido pelas plaquetas ativadas.

 

Hemostasia e trombose

 

• Hemostasia é a interrupção do sangramento de vasos sanguíneos lesionados e é essencial

à sobrevivência. Os fenômenos principais são:

– Adesão e ativação de plaquetas

– Coagulação sanguínea (formação de brina)

• A trombose é uma condição patológica resultante da inadequada ativação dos

mecanismos hemostáticos:

– A trombose venosa geralmente está associada à estase sanguínea; um trombo

venoso tem um pequeno componente de plaquetas e um grande componente de

brina

– A trombose arterial geralmente está associada à aterosclerose, e o trombo contém

um grande componente plaquetário

• Uma porção do trombo pode destacar-se, viajar na forma de um êmbolo e alojar-se a

distância, causando isquemia e/ou infarto.

 

ENDOTÉLIO VASCULAR NA HEMOSTASIA E NA

TROMBOSE

O endotélio vascular, o continente do sangue circulante, pode mudar

focalmente de uma estrutura não trombogênica para uma trombogênica em

resposta a diferentes necessidades. Normalmente, ele fornece uma

superfície não trombogênica em virtude do heparan sulfato da membrana,

um glicosaminoglicano relacionado à heparina que é um cofator da antitrombina III, tal como a heparina. O endotélio, portanto, desempenha

papel essencial na prevenção da ativação de plaquetas intravasculares e na

coagulação. Entretanto, também tem papel ativo na hemostasia, por meio da

síntese e do armazenamento de vários componentes hemostáticos

essenciais; o fator de von Willebrand,3 o fator tecidual e o inibidor do

ativador de plasminogênio (PAI; do inglês, plasminogen activator

inhibitor)-1 são particularmente importantes. O PAI-1 é secretado em

resposta à angiotensina IV, cujos receptores se encontram nas células

endoteliais, como um elo entre o sistema renina-angiotensina (ver Capítulo

23) e a trombose. Esses fatores pró-trombóticos estão envolvidos,

respectivamente, na adesão de plaquetas e na coagulação e estabilização do

coágulo. Entretanto, o endotélio também está implicado na limitação do

trombo. Nesse contexto, ele produz prostaglandina (PG) I2 (prostaciclina;

ver Capítulo 18) e óxido nítrico (NO; ver Capítulo 21); converte o ADP,

que causa agregação plaquetária, em adenosina, que a inibe (ver Capítulo

17); sintetiza o ativador de plasminogênio tecidual (tPA; ver pp. 330-333);

e expressa a trombomodulina, um receptor para a trombina. Após a

combinação com a trombomodulina, a trombina ativa um anticoagulante, a

proteína C. A proteína C ativada, auxiliada por seu cofator, a proteína S,

inativa os fatores Va e VIIa. Esse mecanismo é considerado importante

fisiologicamente, porque uma mutação de ocorrência natural do gene que

codifica para o fator V (fator V de Leiden), que confere resistência à

proteína C ativada, resulta na forma reconhecidamente mais comum de

trombofilia hereditária.

Endotoxinas e várias citocinas, inclusive o fator de necrose tumoral,

alteram o equilíbrio das funções endoteliais pró-trombóticas e

antitrombóticas em direção à trombose pela perda de heparan (ver

anteriormente) e aumentam a expressão de fator tecidual, além de comprometer a função do NO. Se outros mecanismos limitadores da

coagulação também estiverem ausentes ou exauridos, pode resultar uma

coagulação intravascular disseminada. Trata-se de uma complicação grave

da sepse e de certas neoplasias, e o tratamento principal é a correção da

doença de base.

Coagulação sanguínea (formação de brina)

 

O sistema da coagulação consiste em uma cascata de enzimas proteolíticas e cofatores.

• Precursores inativos são ativados em série, cada um originando mais quantidade do fator

seguinte

• A última enzima, a trombina, derivada da protrombina (II), converte o brinogênio solúvel

(I) em uma trama de brina insolúvel na qual as células sanguíneas são aprisionadas,

formando o coágulo

• Existem duas vias na cascata:

– Via in vivo (extrínseca)

– Via de contato (intrínseca)

• Ambas as vias resultam na ativação do fator X para Xa, o qual então converte a

protrombina em trombina

• Íons cálcio e fosfolipídios (FL) carregados negativamente são essenciais para três etapas,

que são as ações do:

– Fator IXa sobre o X

– Fator VIIa sobre o X

– Fator Xa sobre o II

• O FL é fornecido pelas plaquetas ativadas que aderem à parede do vaso lesionado

• Alguns fatores promovem coagulação por meio da ligação a FL e a um fator serino-

protease; por exemplo, o fator Va na ativação do II pelo Xa, ou o fator VIIIa na ativação do X

pelo IXa

• A coagulação sanguínea é controlada por:

– Inibidores enzimáticos (p. ex., antitrombina III)

– Fibrinólise.