Rang e Dale: Farmacologia
Novas diretrizes no tratamento com glicocorticoides
tratamento do hiperaldosteronismo primário e do secundário e, em conjunto
com outros fármacos, no tratamento da hipertensão resistente e da
insuficiência cardíaca (ver Capítulo 23), além do edema (ver Capítulo 30).
A eplerenona possui indicação e mecanismo de ação semelhantes, embora
apresente menos efeitos adversos, pois tem menos afinidade para os
receptores de hormônios sexuais (ver Capítulo 23).
Mineralocorticoides
A udrocortisona é administrada por via oral para produzir um efeito de mineralocorticoide.
Esse fármaco:
• Aumenta a reabsorção de Na+ nos túbulos distais e aumenta o e uxo de K+ e H+ para os
túbulos
• Atua nos receptores intracelulares que modulam a transcrição de DNA, causando síntese
do canal de Na+ e de outras proteínas que medeiam o efeito do fármaco
• Pode ser utilizado junto com um glicocorticoide na terapia de reposição.
NOVAS DIRETRIZES NO TRATAMENTO COM GLICOCORTICOIDES
Os glicocorticoides são altamente efetivos no controle da inflamação, mas a
sua utilidade é reprimida pelos seus potenciais efeitos adversos. A solução
ideal seria um glicocorticoide com efeito anti-inflamatório e sem efeitos
adversos, metabólicos ou de outro tipo.
Após a descoberta do cortisol, a indústria farmacêutica buscou esse
objetivo ambíguo, testando análogos estruturais diretos do cortisol. Embora
essa pesquisa tenha rendido muitos compostos ativos, novos e interessantes (muitos são usados na clínica atualmente), nenhum chegou a uma
verdadeira “separação” das ações glicocorticoides. Recentemente, têm
ocorrido tentativas inovadoras para alcançar isso. O desenvolvimento de
estruturas análogas em novas localizações no modelo esteroide (p. ex.,
Uings et al., 2013) teve mais sucesso, e os detalhes estruturais do receptor
revelados por cristalografia de raios X possibilitaram o desenho de ligantes
não esteroides ao receptor (ver, p. ex., Biggadike et al., 2009; He et al.,
2014). Outra abordagem foi adicionar grupos funcionais à molécula
esteroide, o que altera a conformação do receptor com o ligante. Fiorucci et
al. (2002) ligaram um grupo doador de óxido nítrico à prednisolona,
encontrando eficácia aumentada e efeitos adversos reduzidos. Foi relatado
que o composto é útil no tratamento da doença inflamatória intestinal
(Schacke et al., 2007). A concepção de glicocorticoides “suaves” que são
rapidamente metabolizados em formas inativas, limitando a capacidade de
produzirem efeitos adversos, também está sendo investigada (Dobricic et
al., 2017).
Muitos investigadores dessa área foram influenciados pelos “esteroides
dissociados” ou pela “hipótese da transrepressão”. Trata-se da noção, com
base em algumas observações experimentais, de que os efeitos anti-
inflamatórios dos glicocorticoides são geralmente causados pela regulação
negativa de genes (transrepressão), como os que codificam as citocinas,
enquanto os efeitos indesejados são normalmente causados pela
suprarregulação (transativação) de genes metabólicos e outros (p. ex.,
tirosina aminotransferase e fosfoenolpiruvato carboxiquinase). Como a
transativação e a transrepressão utilizam diferentes vias moleculares (ver
Figura 34.6) que dependem de diferentes estados conformacionais de GR,
os investigadores procuraram agonistas seletivos do receptor de
glicocorticoide (SEGRA; do inglês, selective glucocorticoid receptor agonists), que promovem um conjunto de ações sem o outro. A aplicação
dessa ideia foi revista por Schacke et al. (2007), e foi relatado o
desenvolvimento de compostos para o tratamento de condições da pele e
oculares (Schacke et al., 2009; Spinelli et al., 2014). Contudo, alguns
efeitos anti-inflamatórios dos glicocorticoides não encaixam bem nesse
esquema (Vandevyver et al., 2013); suas limitações foram revistas por
Clark e Belvisi (2012).
Outra abordagem se concentra nas enzimas histona desacetilase, que
facilitam a regulação da transcrição de genes após a ligação de receptores
nucleares a elementos da resposta hormonal (Hayashi et al., 2004). Pode
existir uma isoforma específica dessa enzima que lida com a
suprarregulação do gene, e se isso pudesse ser inibido, diminuiria a
possibilidade daqueles efeitos adversos. Barnes (2011) revisou essa
abordagem, particularmente porque está relacionada com a terapia da asma.
Uma revisão mais geral de toda a área, com particular relevância no
tratamento de doenças reumáticas, foi proporcionada por Strehl et al.
(2011). Outras táticas moleculares que se mostraram promissoras incluem a
utilização de GILZ (proteína zíper de leucina induzida por glicocorticoides;
do inglês, glucocorticoid-induced leucine zipper) como um agente
terapêutico (Beaulieu e Morand, 2011), ou exploração de ações citosólicas,
não genômicas, desses fármacos (Jiang et al., 2014). A busca pelo
glicocorticoide perfeito continua.
REFERÊNCIAS E LEITURA COMPLEMENTAR
O hipotálamo e a hipófise
Chan, L.F., Clark, A.J., Metherell, L.A., 2008. Familial glucocorticoid deficiency: advances in the
molecular understanding of ACTH action. Horm. Res. 69, 75–82. (Este artigo e aquele escrito
pelo mesmo grupo, a seguir (Clark et al.), discutem a investigação sobre o papel do sistema de
sinalização ACTH na deficiência de glicocorticoide familiar. Uma obra especializada de
investigação científica. O segundo paper é mais acessível)
Chini, B., Manning, M., Guillon, G., 2008. Affinity and efficacy of selective agonists and antagonists
for vasopressin and oxytocin receptors: an ‘easy guide’ to receptor pharmacology. Prog. Brain
Res. 170, 513–517. (O título é autoexplicativo! Também lida com os prospectos para novos
fármacos na área)
Clark, A.J., Metherell, L.A., Cheetham, M.E., Huebner, A., 2005. Inherited ACTH insensitivity
illuminates the mechanisms of ACTH action. Trends Endocrinol. Metab. 16, 451–457. (ver
também Chan et al. acima)
Drolet, G., Rivest, S., 2001. Corticotropin-releasing hormone and its receptors; an evaluation at the
transcription level in vivo. Peptides 22, 761–767.
Freeman, M.E., Kanyicska, B., Lerant, A., Nagy, G., 2000. Prolactin: structure, function and
regulation of secretion. Physiol. Res. 80, 1524–1585. (Revisão abrangente da prolactina e de
seus receptores)
Getting, S.J., Christian, H.C., Flower, R.J., Perretti, M., 2002. Activation of melanocortin type 3
receptor as a molecular mechanism for adrenocorticotropic hormone efficacy in gouty arthritis.
Arthritis Rheum. 46, 2765–2775. (Artigo original que demonstra que ACTH tem ações anti-
inflamatórias intrínsecas independentes da estimulação suprarrenal)
Guillemin, R., 2005. Hypothalamic hormones a.k.a. hypothalamic releasing factors. J. Endocrinol.
184, 11–28. (Uma pequena revisão focada na história da pesquisa nesta área e que cobre a
descoberta e caracterização dos principais fatores de liberação. Algo a ser lido caso você seja
atraído por esse campo)
Lamberts, S.W.J., van der Lely, A.J., de Herder, W.W., Hofland, L.J., 1996. Octreotide. N. Engl. J.
Med. 334, 246–254. (Revisão que aborda os receptores da somatostatina, os análogos da
somatostatina e o tratamento de tumores que expressam receptores da somatostatina com a
octreotida)
Schneider, F., Tomek, W., Grundker, C., 2006. Gonadotropin-releasing hormone (GnRH) and its
natural analogues: a review. Theriogenology 66, 691–709. (Foca principalmente a utilização de
tais agentes na medicina veterinária)
Thibonnier, M., Coles, P., Thibonnier, A., et al., 2001. The basic and clinical pharmacology of
nonpeptide vasopressin receptor antagonists. Annu. Rev. Pharmacol. 41, 175–202. (Relato
fidedigno dos receptores do ADH e da pesquisa por novos antagonistas)
Wikberg, J.E.S., Muceniece, R., Mandrika, I., et al., 2000. New aspects on the melanocortins and
their receptors. Pharmacol. Res. 42, 393–420. (Revisão detalhada dos diferentes papéis
biológicos das melanocortinas e de seus receptores)
Glicocorticoides Barnes, P.J., 2011. Glucocorticosteroids: current and future directions. Br. J. Pharmacol. 163 (1), 29–
43. (Avaliação útil e acessível com ênfase nos mecanismos gerais com referência especial à
asma)
Beaulieu, E., Morand, E.F., 2011. Role of GILZ in immune regulation, glucocorticoid actions and
rheumatoid arthritis. Nat. Rev. Rheumatol. 7, 340–348. (Detalha o papel da proteína zíper de
leucina induzida por glicocorticoides na ação da GC e especula que ela poderia ser usada como
um agente terapêutico isolado com algumas vantagens sobre o tratamento com GC)
Buttgereit, F., Scheffold, A., 2002. Rapid glucocorticoid effects on immune cells. Steroids 67, 529–
534. (Um pequeno artigo que detalha alguns dos efeitos de GC nas células que não podem ser
explicados por mecanismos genômicos)
Baxter, J.D., Rousseau, G.G. (Eds.), 1979. Glucocorticoid Hormone Action. Monographs on
Endocrinology. Springer-Verlag, Berlin, p. 12. (Outra fonte de informação muito útil, embora
seja um pouco antiga)
Biggadike, K., Bledsoe, R.K., Coe, D.M., et al., 2009. Design and x-ray crystal structures of high-
potency nonsteroidal glucocorticoid agonists exploiting a novel binding site on the receptor. Proc.
Natl. Acad. Sci. U. S. A. 106, 18114–18119. (Explora o desenho de novos fármacos não
esteroides que se ligam ao receptor de glicocorticoides)
Buckingham, J.C., 1998. Stress and the hypothalamo–pituitary–immune axis. Int. J. Tissue React. 20,
23–34. (Excelente revisão da complexidade dos efeitos do estresse sobre a função do eixo HHSR)
Clark, A.R., Belvisi, M.G., 2012. Maps and legends: the quest for dissociated ligands of the
glucocorticoid receptor. Pharmacol. Ther. 134, 54–67. (Relato muito acessível da hipótese da
“transrepressão” e suas deficiências)
D’Acquisto, F., Perretti, M., Flower, R.J., 2008. Annexin-A1: a pivotal regulator of the innate and
adaptive immune systems. Br. J. Pharmacol. 155, 152–169. (Revisa o papel da proteína regulada
por glicocorticoides anexina-A1 na mediação da ação anti-inflamatória de fármacos
glicocorticoides)
Dobricic, V., Jacevic, V., Vucicevic, J., Nikolic, K., Vladimirov, S., Cudina, O., 2017. Evaluation of
biological activity and computer-aided design of new soft glucocorticoids. Arch. Pharm.
(Weinheim) 350 (5).
Fiorucci, S., Antonelli, E., Distrutti, E., et al., 2002. NCX-1015, a nitric-oxide derivative of
prednisolone, enhances regulatory T cells in the lamina propria and protects against 2,4,6-
trinitrobenzene sulfonic acid-induced colitis in mice. Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. A. 99, 15770–
15775.
Hannen, R., Udeh-Momoh, C., Upton, J., et al., 2017. Dysfunctional skin-derived glucocorticoid
synthesis is a pathogenic mechanism of psoriasis. J. Invest. Dermatol. (Um de dois trabalhos
recentes (ver Talaber et al. adiante) que derrubam a ideia de que os GC só podem ser
sintetizados no córtex da suprarrenal)
Hayashi, R., Wada, H., Ito, K., Adcock, I.M., 2004. Effects of glucocorticoids on gene transcription.
Eur. J. Pharmacol. 500, 51–62. (Uma boa revisão básica da ação dos glicocorticoides; de fácil
leitura)
He, Y., Yi, W., Suino-Powell, K., et al., 2014. Structures and mechanism for the design of highly
potent glucocorticoids. Cell Res. 24, 713–726.
Jiang, C.L., Liu, L., Tasker, J.G., 2014. Why do we need nongenomic glucocorticoid mechanisms?
Front. Neuroendocrinol. 35, 72–75. (Outro pequeno, porém estimulante, artigo sobre o potencial
papel de ações não genômicas dos GC na resposta fisiológica ao estresse)
Kirwan, J., Power, L., 2007. Glucocorticoids: action and new therapeutic insights in rheumatoid
arthritis. Curr. Opin. Rheumatol. 19, 233–237. (Escrita principalmente do ponto de vista de um
reumatologista, essa revisão oferece conhecimento interessante sobre o uso desses fármacos para
modificar a gravidade da artrite crônica)
Munck, A., Guyre, P.M., Holbrook, N.J., 1984. Physiological functions of glucocorticoids in stress
and their relation to pharmacological actions. Endocr. Rev. 5, 25–44. (Revisão seminal que sugere
que as ações anti-inflamatórias/imunossupressoras dos glicocorticoides possuem uma função
fisiológica; precisa ser lida caso você queira entender a fisiologia e farmacologia dos
glicocorticoides)
Norman, A.W., Mizwicki, M.T., Norman, D.P., 2004. Steroid-hormone rapid actions, membrane
receptors and a conformational ensemble model. Nat. Rev. Drug Discov. 3, 27–41. (Estudo
bastante avançado, que contém muitas tabelas úteis e excelentes diagramas; valerá o esforço, se
esse assunto lhe interessar)
Oakley, R.H., Cidlowski, J.A., 2001. The glucocorticoid receptor: expression, function and regulation
of glucocorticoid responsiveness. In: Goulding, N.J., Flower, R.J. (Eds.), Milestones in Drug
Therapy: Glucocorticoids.
Birkhäuser Verlag, Basle, pp. 55–80. (O livro é uma fonte útil de informações sobre todos os aspectos
da biologia e farmacologia de glicocorticoides, contendo capítulos escritos por algumas
referências da área)
Oakley, R.H., Cidlowski, J.A., 2013. The biology of the glucocorticoid receptor: new signaling
mechanisms in health and disease. J. Allergy Clin. Immunol. 132, 1033–1044. (Uma contribuição
fascinante sobre o papel de variantes splice e isoformas de GR na ação glicocorticoide)
Spinelli, S.L., Xi, X., McMillan, D.H., et al., 2014. Mapracorat, a selective glucocorticoid receptor
agonist, upregulates RelB, an anti-inflammatory nuclear factor-kappaB protein, in human ocular
cells. Exp. Eye Res. 127, 290–298.
Reichardt, H.M., Kaestner, K.H., Tuckermann, J., et al., 1998. DNA binding of the glucocorticoid
receptor is not essential for survival. Cell 93, 531–541. (Relato do trabalho que mudou a forma
como pensamos as ações do receptor glicocorticoide)
Schacke, H., Berger, M., Rehwinkel, H., Asadullah, K., 2007. Selective glucocorticoid receptor
agonists (SEGRAs): novel ligands with an improved therapeutic index. Mol. Cell. Endocrinol.
275, 109–117. (Este artigo e o próximo descrevem as ideias por trás do conceito de “SEGRA” e
os fármacos que foram produzidos como resultado)
Schacke, H., Zollner, T.M., Docke, W.D., et al., 2009. Characterization of ZK 245186, a novel,
selective glucocorticoid receptor agonist for the topical treatment of inflammatory skin diseases.
Br. J. Pharmacol. 158, 1088–1103.
Song, I.H., Gold, R., Straub, R.H., et al., 2005. New glucocorticoids on the horizon: repress, don’t
activate! J. Rheumatol. 32, 1199–1207. (Bom resumo sobre as diferentes abordagens utilizadas
para transpassar os efeitos adversos dos glicocorticoides)
Strehl, C., Spies, C.M., Buttgereit, F., 2011. Pharmacodynamics of glucocorticoids. Clin. Exp.
Rheumatol. 29, S13–S18. (Revisão geral dos mecanismos de glicocorticoides com referência
especial para o tratamento de doenças reumáticas)
Tak, P.P., Firestein, G.S., 2001. NF-kappaB: a key role in inflammatory diseases. J. Clin. Invest. 107,
7–11. (Relato sucinto e bastante claro do papel do fator nuclear (NF) β na inflamação)
Talaber, G., Jondal, M., Okret, S., 2015. Local glucocorticoid production in the thymus. Steroids 103,
58–63. (Um de dois artigos recentes [ver Hannen et al. acima] que invalida a ideia de que os GC
podem ser sintetizados apenas no córtex da suprarrenal)
Uings, I.J., Needham, D., Matthews, J., et al., 2013. Discovery of GW870086: a potent anti-
inflammatory steroid with a unique pharmacological profile. Br. J. Pharmacol. 169, 1389–1403.
Vandevyver, S., Dejager, L., Tuckermann, J., Libert, C., 2013. New insights into the anti-
inflammatory mechanisms of glucocorticoids: an emerging role for glucocorticoid-receptor-
mediated transactivation. Endocrinology 154, 993–1007.
Mineralocorticoides
Bastl, C., Hayslett, J.P., 1992. The cellular action of aldosterone in target epithelia. Kidney Int. 42,
250–264. (Uma revisão detalhada sobre o receptor de aldosterona e a regulação da expressão
gênica, a ação da aldosterona sobre o transporte eletrogênico e eletroneutro de Na+, e sobre a
secreção de K+ + e H)
Jaisser, F., Farman, N., 2016. Emerging roles of the mineralocorticoid receptor in pathology: toward
new paradigms in clinical pharmacology. Pharmacol. Rev. 68, 49–75. (Esta revisão é uma
contribuição bastante abrangente da ação mineralocorticoide e, apesar de se concentrar no
papel do MR na patologia, contém também uma grande quantidade de informação básica da
fisiologia e farmacologia do MR)
____________
1 A palavra “fator” foi usada originalmente em uma época em que sua
estrutura e função não eram conhecidas. Esses fatores são mensageiros
levados pelo sangue; portanto, são hormônios. Porém, o termo “fator”,
ainda que indevido, continua sendo usado.
2 Nesse contexto, o sufixo ‘-relina’ indica peptídios que estimulam a
liberação de hormônios.
3 A ocitocina é liberada durante o nascimento, a lactação e o orgasmo, e foi
demonstrado promover confiança e outros comportamentos pró-sociais. Ela
ganhou o apelido de “hormônio do amor” (ou, ainda mais enjoativo,
“hormônio do afeto”) na imprensa popular e em grupos de discussão na
internet.
4 Assim nomeado porque nos experimentos iniciais foram observadas que
duas frações brutas de extrato da suprarrenal causavam alterações na
glicose sanguínea ou na retenção de água e sais.
5 Estranhamente, Hench demonstrou que a cortisona apresentava potente
atividade anti-inflamatória nos seus estudos clássicos de 1949. A razão para
esse dado aparentemente anômalo é a presença, em alguns tecidos, da
enzima 11β-hidroxiesteroide desidrogenase tipo 1, que pode reduzir a
cortisona em cortisol (i. e., hidrocortisona), restaurando, portanto, sua
atividade biológica.
6 O receptor de glicocorticoides é também referido como receptor de
corticosteroides tipo II. O receptor de corticosteroides tipo I é o que mais
frequentemente é chamado de receptor mineralocorticoide (MR).
7 Entretanto, algumas das doenças para as quais os glicocorticoides estão
indicados retardam o crescimento. Em um teste clássico, o tratamento com eles aumentou o crescimento em adolescentes com doença inflamatória
intestinal, assim como curou a própria doença (Whittington et al., 1977).
8 Pacientes em tratamento a longo prazo com glicocorticoides são
aconselhados a levarem consigo um cartão com o seguinte aviso: “Faço
TRATAMENTO COM ESTEROIDES. Meu tratamento não pode ser
interrompido abruptamente.”
Capítulo 34
34.1 TEMA
O eixo hipotálamo-pituitária-suprarrenal (HPS) desempenha importante papel
na regulação e manutenção da homeostasia por meio da liberação regulada de
hormônios.
Qual dos seguintes hormônios é liberado pelo hipotálamo para atuar sobre a
adeno-hipó se?
A. Somatostatina
B. Somatotro na
C. Somatropina
D. Sermorrelina
E. Somatomedina
Resposta A Somatostatina.
A somatostatina é liberada pelo hipotálamo e inibe a liberação do hormônio do
crescimento e do hormônio estimulante da tireoide da adeno-hipó se.
Alternativa B incorreta: A somatotro na ou hormônio do crescimento é secretada
pela adeno-hipó se.
Alternativa C incorreta: A somatotropina é um fator de crescimento humano
recombinante, utilizado para defeitos do crescimento.
Alternativa D incorreta: A sermorrelina é um análogo do fator de liberação do
hormônio do crescimento, que tem sido utilizada no diagnóstico para testar a liberação
de hormônio do crescimento.
Alternativa E incorreta: As somatomedinas são fatores de crescimento semelhantes à
insulina, que são sintetizadas no fígado.
Concluir questão
34.2 TEMA
A vasopressina é um hormônio fundamental liberado pela neuro-hipó se, que
desempenha papel crucial na regulação do conteúdo de água do organismo.
Qual das seguintes a rmativas sobre os efeitos siológicos e farmacológicos da
vasopressina e seus análogos é correta?
A. A vasopressina atua sobre os receptores V1A no rim para promover a reabsorção de água
B. A vasopressina constitui um adjuvante útil durante a cirurgia de extração dentária em
pacientes hemofílicos
C. A desmopressina é utilizada terapeuticamente pelos seus efeitos vasoconstritores para
prolongar os efeitos de anestésicos locais
D. Os antagonistas da vasopressina seriam úteis no tratamento do diabetes insípido
E. A vasopressina causa relaxamento do músculo liso uterino
Resposta A A vasopressina, que atua sobre os receptores V 2, aumenta a expressão das aquaporinas e, portanto, a reabsorção de água nos ductos coletores renais.
Alternativa B incorreta: A vasopressina constitui um adjuvante útil durante a cirurgia
de extração dentária em pacientes hemofílicos.
A vasopressina estimula a coagulação sanguínea por meio de agregação plaquetária e
mobilização dos fatores de coagulação.
Alternativa C incorreta: A desmopressina possui maior a nidade pelos receptores V2
e, consequentemente, é utilizada para aumentar a reabsorção de água.
Alternativa D incorreta: Os agonistas da vasopressina seriam úteis no tratamento do
diabetes insípido, que resulta em produção excessiva de urina.
Alternativa E incorreta: A vasopressina causa contração do músculo liso vascular. O
ocitocina, que também é liberada pela neuro-hipó se, causa contração do músculo liso
uterino.
Concluir questão
34.3 TEMA
Os esteroides suprarrenais, que compreendem os mineralocorticoides, os
glicocorticoides e os androgênios, são mediadores hormonais do eixo HPS.
Qual das seguintes a rmativas sobre a regulação e a função dos hormônios
suprarrenais é correta?
A. A liberação de aldosterona é desencadeada por concentrações plasmáticas elevadas de
Na+
B. A dexametasona é utilizada para detectar uma insu ciência na produção de
glicocorticoides
C. Alguns dos efeitos anti-in amatórios dos glicocorticoides podem ser mediados pela
transcrição de anexina-A1 mediada pela proteinoquinase A (PKA)
D. A hidrocortisona é inativada em cortisona nos rins pela 11-β-hidroxilase
E. + A aldosterona aumenta o e uxo de K nos túbulos renais
Resposta A Uma baixa concentração plasmática de Na+ estimula a liberação de
aldosterona para aumentar a reabsorção de Na+.
Alternativa B incorreta: O teste de supressão de dexametasona é utilizado para
detectar a hipersecreção de hormônio adrenocorticotró co ou de glicocorticoides.
Alternativa C incorreta: Os glicocorticoides induzem a fosforilação mediada pela
proteinoquinase C (PKC) e a liberação do potente mediador anti-in amatório, a anexina
A1.
Alternativa D incorreta: A hidrocortisona é metabolizada nos rins pela 11-β-
hidroxiesteroide desidrogenase.
Alternativa + E incorreta: A aldosterona aumenta o e uxo de K nos túbulos renais.
Esse efeito ocorre por um aumento na expressão dos transportadores Na+ + /K ATPase na
membrana basolateral, de modo a facilitar a reabsorção de Na+.
Concluir questão
34.4 TEMA
Nos seres humanos, a hidrocortisona constitui o principal glicocorticoide
secretado pelo córtex suprarrenal e exerce ações disseminadas sobre o
metabolismo dos carboidratos e das proteínas e sobre a defesa do hospedeiro.
Qual das seguintes opções resultaria em aumento da liberação de
hidrocortisona?
A. Peptídios opioides
B. Doença de Addison
C. Síndrome de Conn
D. No nal da tarde
E. Vasopressina
Resposta A Os peptídios opioides inibem a liberação do fator liberador de
corticotro na (CRF) pelo hipotálamo e, consequentemente, diminuem a liberação de
hidrocortisona.
Alternativa B incorreta: A doença de Addison é uma de ciência na produção de
corticosteroide.
Alternativa C incorreta: A síndrome de Conn caracteriza-se por produção excessiva de
mineralocorticoides.
Alternativa D incorreta: A liberação de glicocorticoides é afetada pelo ritmo
circadiano, com maior liberação pela manhã, com declínio durante o dia e níveis mais
baixos à noite.
Alternativa E incorreta: Vasopressina.
Além de seus efeitos renais sobre a diminuição da perda de água, a vasopressina
também atua para aumentar a liberação do hormônio adrenocorticotró co por meio de
sua ação sobre os receptores V1B na adeno-hipó se.
Concluir questão
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