Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 15 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Classificação de receptores

ao aparecimento de efeitos colaterais indesejados por ações “fora do alvo”,2

dos quais nenhum fármaco está livre.

Desde os anos 1970, a pesquisa farmacológica tem tido sucesso na

identificação dos alvos proteicos de diferentes tipos de fármacos.

Atualmente, sabe-se que fármacos como os analgésicos opioides (ver

Capítulo 43), os canabinoides (ver Capítulo 20) e os tranquilizantes

benzodiazepínicos (ver Capítulo 45), cujos efeitos foram descritos em

minúcias durante muitos anos, têm alvos receptores bem-definidos, muitos

dos quais foram completamente caracterizados por técnicas de clonagem de

genes e cristalografia de proteínas (ver Capítulo 3).

 

CLASSIFICAÇÃO DE RECEPTORES

▼ Quando a ação de um fármaco pode ser associada a um receptor

específico, tem-se um meio valioso para as etapas de classificação e

aperfeiçoamento do processo de planejamento de fármacos. Por

exemplo, a análise farmacológica das ações da histamina (ver Capítulo

18) mostrou que alguns dos efeitos dessa substância (os efeitos H 1,

como a contração da musculatura lisa) eram fortemente antagonizados

pelos antagonistas competitivos da histamina então conhecidos. Em

1970, Black et al. sugeriram que as outras ações apresentadas pela

histamina, que incluíam efeito estimulante sobre a secreção gástrica,

poderiam representar a existência de uma segunda classe de receptores

para a histamina (H2). Ao testar uma série de análogos da histamina,

constataram que algumas dessas substâncias agiam de modo seletivo ao

produzirem efeitos H2, acompanhados de pouca atividade H1. Ao

analisar quais partes da molécula da histamina conferiam esse tipo de

especificidade, esses pesquisadores foram capazes de desenvolver

antagonistas seletivos, que se provaram eficientes no bloqueio da

secreção ácida do estômago, um evento de grande importância

terapêutica (ver Capítulo 31).3 Posteriormente, foram descobertos dois

outros tipos de receptores para a histamina (H3 e H4).

A classificação dos receptores com base nas respostas farmacológicas

continua a ser uma perspectiva valiosa e amplamente utilizada.

Posteriormente, tratamentos experimentais mais recentes produziram

novos critérios para a classificação dos receptores. A medição direta da

ligação do ligante ao receptor (ver adiante) permitiu a determinação de

muitos subtipos novos de receptores, que não poderiam ser facilmente

distinguidos por meio do estudo de efeitos farmacológicos. O

sequenciamento molecular da estrutura dos aminoácidos (ver Capítulo

3) forneceu uma base completamente nova para a classificação em um

nível muito mais rico de detalhes do que aquele que pode ser obtido por

meio da análise farmacológica. Por fim, a análise das vias bioquímicas

associadas à ativação dos receptores (ver Capítulo 3) fornece ainda

outra base para classificação.

Como resultado dessa explosão de dados, ocorreu que, em pouco tempo,

a classificação dos receptores tornou-se muito mais detalhada, e houve

uma proliferação de subtipos de receptores para todos os tipos

principais de ligantes. O mais preocupante, no entanto, foi o surgimento

de classificações moleculares e bioquímicas alternativas incompatíveis

com as classes de receptores farmacologicamente definidas já aceitas. A

International Union of Basic and Clinical Pharmacology (IUPHAR)

reuniu vários grupos de especialistas com o objetivo de elaborar

classificações concordantes para os principais tipos de receptores, as

quais levassem em consideração as informações farmacológicas,

moleculares e bioquímicas disponíveis. Esses especialistas têm uma