Rang e Dale: Farmacologia
Fármacos que protegem a mucosa
associada a úlceras, e o câncer de estômago, sua sequela proeminente. Por
isso, a erradicação da infecção por H. pylori seguramente promove
fechamento rápido e duradouro de úlceras, sendo prática de rotina fazer
testes para o microrganismo em pacientes que apresentem sintomas
sugestivos. Se o teste for positivo, então o parasito poderá, em geral, ser
erradicado com um esquema de 1 ou 2 semanas de “terapia tríplice”, que
compreende um inibidor da bomba de prótons combinado aos
antibacterianos amoxicilina e metronidazol ou claritromicina (ver
Capítulo 52). Outras combinações são também utilizadas; ocasionalmente
são adicionadas preparações contendo bismuto (ver adiante). Conquanto a
eliminação do bacilo possa produzir remissão de úlceras a longo prazo,
poderá ocorrer reinfecção pelo microrganismo.
FÁRMACOS QUE PROTEGEM A MUCOSA
Afirma-se que alguns agentes, denominados citoprotetores, aumentam os
mecanismos endógenos de proteção da mucosa e/ou proporcionam uma
barreira física sobre a superfície da úlcera. Eles serão explorados a seguir.
Quelato de bismuto
Às vezes, o quelato de bismuto (dicitratobismutato tripotássico) é usado
em esquemas combinados para tratar H. pylori. Ele tem efeitos tóxicos
sobre o bacilo e pode impedir sua aderência à mucosa ou inibir suas
enzimas proteolíticas bacterianas. Acredita-se que o quelato também tenha
outras ações protetoras da mucosa, por mecanismos que não são claros; ele
é amplamente utilizado como medicamento de venda livre para o
tratamento de sintomas GI leves. Muito pouco do fármaco é absorvido; porém, se a eliminação renal for comprometida, as concentrações
plasmáticas elevadas de bismuto poderão resultar em encefalopatia.
Os efeitos adversos incluem náuseas, vômitos e escurecimento da língua e
das fezes.
Sucralfato
O sucralfato é um complexo de hidróxido de alumínio e sacarose sulfatada
que libera alumínio na presença de ácido. O complexo residual tem forte
carga negativa e se liga a grupos catiônicos em proteínas, glicoproteínas etc.
Pode formar géis complexos com o muco, ação que se pensa diminuir a
degradação do muco pela pepsina e limitar a difusão de íons H+. O
sucralfato pode também inibir a ação da pepsina e estimular a secreção de
muco, bicarbonato e PG pela mucosa gástrica. Todas essas ações
contribuem para o seu efeito protetor da mucosa.
O fármaco é administrado por via oral, e 3 horas após a administração,
cerca de 30% ainda estão presentes no estômago. No ambiente ácido, o
produto polimerizado forma uma pasta persistente que, por vezes, pode
produzir uma crosta obstrutiva (conhecida como bezoar),5 que fica presa ao
estômago. O sucralfato reduz a absorção de uma série de outros fármacos,
incluindo antibióticos, fluorquinolonas, teofilina, tetraciclina, digoxina e
amitriptilina. Como exigem ambiente ácido para ativação, os antiácidos
administrados concomitantemente ou antes de sua administração reduzem a
eficácia.
Os efeitos adversos são poucos, sendo o mais comum a constipação
intestinal. Ações menos comuns, além da formação de bezoar gástrico,
incluem boca seca, náuseas, vômitos, cefaleia e rashes.
Misoprostol As PG das séries E e I têm, geralmente, uma ação homeostática protetora no