Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 372 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos que protegem a mucosa

associada a úlceras, e o câncer de estômago, sua sequela proeminente. Por

isso, a erradicação da infecção por H. pylori seguramente promove

fechamento rápido e duradouro de úlceras, sendo prática de rotina fazer

testes para o microrganismo em pacientes que apresentem sintomas

sugestivos. Se o teste for positivo, então o parasito poderá, em geral, ser

erradicado com um esquema de 1 ou 2 semanas de “terapia tríplice”, que

compreende um inibidor da bomba de prótons combinado aos

antibacterianos amoxicilina e metronidazol ou claritromicina (ver

Capítulo 52). Outras combinações são também utilizadas; ocasionalmente

são adicionadas preparações contendo bismuto (ver adiante). Conquanto a

eliminação do bacilo possa produzir remissão de úlceras a longo prazo,

poderá ocorrer reinfecção pelo microrganismo.

 

FÁRMACOS QUE PROTEGEM A MUCOSA

Afirma-se que alguns agentes, denominados citoprotetores, aumentam os

mecanismos endógenos de proteção da mucosa e/ou proporcionam uma

barreira física sobre a superfície da úlcera. Eles serão explorados a seguir.

 

Quelato de bismuto

Às vezes, o quelato de bismuto (dicitratobismutato tripotássico) é usado

em esquemas combinados para tratar H. pylori. Ele tem efeitos tóxicos

sobre o bacilo e pode impedir sua aderência à mucosa ou inibir suas

enzimas proteolíticas bacterianas. Acredita-se que o quelato também tenha

outras ações protetoras da mucosa, por mecanismos que não são claros; ele

é amplamente utilizado como medicamento de venda livre para o

tratamento de sintomas GI leves. Muito pouco do fármaco é absorvido; porém, se a eliminação renal for comprometida, as concentrações

plasmáticas elevadas de bismuto poderão resultar em encefalopatia.

Os efeitos adversos incluem náuseas, vômitos e escurecimento da língua e

das fezes.

 

Sucralfato

O sucralfato é um complexo de hidróxido de alumínio e sacarose sulfatada

que libera alumínio na presença de ácido. O complexo residual tem forte

carga negativa e se liga a grupos catiônicos em proteínas, glicoproteínas etc.

Pode formar géis complexos com o muco, ação que se pensa diminuir a

degradação do muco pela pepsina e limitar a difusão de íons H+. O

sucralfato pode também inibir a ação da pepsina e estimular a secreção de

muco, bicarbonato e PG pela mucosa gástrica. Todas essas ações

contribuem para o seu efeito protetor da mucosa.

O fármaco é administrado por via oral, e 3 horas após a administração,

cerca de 30% ainda estão presentes no estômago. No ambiente ácido, o

produto polimerizado forma uma pasta persistente que, por vezes, pode

produzir uma crosta obstrutiva (conhecida como bezoar),5 que fica presa ao

estômago. O sucralfato reduz a absorção de uma série de outros fármacos,

incluindo antibióticos, fluorquinolonas, teofilina, tetraciclina, digoxina e

amitriptilina. Como exigem ambiente ácido para ativação, os antiácidos

administrados concomitantemente ou antes de sua administração reduzem a

eficácia.

Os efeitos adversos são poucos, sendo o mais comum a constipação

intestinal. Ações menos comuns, além da formação de bezoar gástrico,

incluem boca seca, náuseas, vômitos, cefaleia e rashes.

 

Misoprostol As PG das séries E e I têm, geralmente, uma ação homeostática protetora no