Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 300 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos que atuam na cascata da coagulação

São os fármacos utilizados para modificar a cascata, seja quando existe

defeito na coagulação ou quando há coagulação indesejada.

 

DEFEITOS DA COAGULAÇÃO

As deficiências geneticamente determinadas de fatores de coagulação não

são comuns. Temos como exemplo a hemofilia clássica, causada pela

ausência do fator VIII, e uma forma ainda mais rara de hemofilia (hemofilia

B ou doença de Christmas) causada pela ausência do fator IX (também

chamado fator de Christmas). A reposição intravenosa de fatores é feita por

especialistas para prevenir ou limitar a hemorragia nesses pacientes. Alguns

pacientes desenvolvem inibidores de fatores, e o seu controle é

particularmente exigente (p. ex., pela indução de tolerância imune, Capítulo

7). Os derivados de plasma concentrados estão dando lugar às proteínas

recombinantes puras (p. ex., dos fatores VIII e IX; o fator II recombinante

está em desenvolvimento) – essa é uma área que está evoluindo

rapidamente. Também está disponível uma forma humana de fator VIIa

recombinante para hemorragias em pacientes com doenças hemorrágicas

graves, mas pode causar coagulação intravascular.

Os defeitos adquiridos da coagulação são mais comuns do que os

hereditários. As causas compreendem doença hepática, deficiência de

vitamina K (universal em recém-nascidos) e excesso de terapia

anticoagulante oral, cada qual podendo necessitar de tratamento com

vitamina K.

 

Vitamina K

A vitamina K (de Koagulation, em alemão) é uma vitamina lipossolúvel

(Figura 25.3) que ocorre naturalmente em vegetais (vitamina K1) e como uma série de menaquinonas bacterianas (vitamina K2) formadas no intestino (ver revisão em Shearer e Newman, 2008). É essencial para a formação dos

fatores de coagulação II, VII, IX e X. Estes são glicoproteínas com diversos

resíduos de ácido γ-carboxiglutâmico (Gla). A interação dos fatores Xa e

protrombina (fator II) com o Ca2+ e os fosfolipídios é mostrada na Figura

25.4. A γ-carboxilação ocorre após a síntese da cadeia de aminoácido, e a

enzima carboxilase requer menos vitamina K como cofator (Figura 25.5). A

ligação não ocorre na ausência de γ-carboxilação. Considerações

semelhantes aplicam-se à ativação proteolítica do fator X pelo IXa e pelo

VIIa (ver Figura 25.2).

 

Figura 25.3 Vitamina K e varfarina. A varfarina, um antagonista da vitamina K, é um anticoagulante oral. Ela compete com a vitamina K (observe a semelhança das suas estruturas) pela enzima redutase (VKORC1) que ativa a vitamina K e é o alvo de sua ação

(ver Figura 25.5).

Figura 25.4 Ativação da protrombina (fator II) pelo fator Xa. O complexo do fator Va com uma superfície de fosfolipídios carregados negativamente (fornecida pelas plaquetas agregadas) forma um ponto de ligação para o fator Xa e a protrombina (II), que têm cadeias peptídicas (mostradas esquematicamente) semelhantes entre si. As plaquetas servem, assim, como um foco de localização para o processo. Os íons cálcio são essenciais para a ligação. O fator Xa ativa a protrombina, liberando a trombina (mostrada em cinza). (Modificada de Jackson, C.M., 1978. Br. J. Haematol. 39, 1.)

 

Existem algumas outras proteínas Gla dependentes de vitamina K,

inclusive as proteínas C e S e a osteocalcina no osso.