Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 369 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Coordenação dos fatores que regulam a secreção ácida

como diretamente sobre a produção de ácido pelas células parietais.

 

COORDENAÇÃO DOS FATORES QUE REGULAM A SECREÇÃO ÁCIDA

A regulação da célula parietal é complexa, e muitos hormônios locais

provavelmente desempenham um papel no “ajuste fino” da resposta

secretória. O modelo mais aceito atualmente é que o eixo gastrina-ECS-

célula parietal é o mecanismo dominante para o controle da secreção de

ácido. De acordo com essa ideia (ver Figura 31.2), que é apoiada pela

maioria dos estudos feitos em camundongos transgênicos nocaute, a etapa

inicial para o controle fisiológico da secreção é a liberação de gastrina pelas

células G. Ela atua por meio do seu receptor CCK2 nas células ECS, promovendo liberação de histamina, e pode também ter um efeito

secundário sobre as próprias células parietais, embora essa hipótese esteja

em discussão. A histamina atua sobre os receptores H2 das células parietais aumentando o cAMP e ativando a secreção de prótons, como descrito

anteriormente.

Figura 31.2 Diagrama esquemático mostrando a regulação de uma célula parietal

gástrica secretora de ácido, ilustrando o local de ação de fármacos que influenciam a secreção ácida. A etapa inicial do controle fisiológico da secreção é a liberação de gastrina pelas células G. Ela atua por meio do seu receptor de gastrina/colecistocinina (CCK ), presente nas células enterocromafim-símiles (ECS), evocando liberação de 2

histamina, e pode também apresentar um efeito secundário direto sobre as próprias células parietais, embora esse fato não esteja esclarecido. A histamina atua sobre os receptores H 2 das células parietais, elevando o monofosfato de adenosina cíclico (cAMP), o qual ativa a secreção de ácido pela bomba de prótons. A estimulação vagal direta também provoca a secreção de ácido, e a acetilcolina (ACh) liberada estimula diretamente os receptores M3 nas células parietais. A influência da somatostatina (SST) nas células G, nas células ECS e nas células parietais é inibitória. As prostaglandinas (PG) locais (ou terapeuticamente administradas) exercem efeitos inibitórios predominantemente sobre a função das células ECS. Receptores representados em vermelho têm efeitos inibitórios na secreção celular, enquanto aqueles em azul estimulam a secreção celular. AA, ácido araquidônico; ACh, acetilcolina; + + AINE , anti-inflamatórios não esteroidais; B , bomba de prótons (H-K-ATPase); C + -, carreador simporte de K e Cl; CCK R, receptor de gastrina/colecistocinina; EP R,

2 2/3

receptores 2 e 3 de prostaglandinas; H2R, receptor H2 da histamina; M3R, receptor M3 da acetilcolina; PGE , prostaglandina E ; SST R, receptor tipo 2 da somatostatina. 2 2 2

 

A estimulação vagal direta também pode provocar secreção de ácido (o

que fundamenta as “úlceras de estresse”) com a liberação de ACh, que

estimula diretamente os receptores M 3 presentes nas células parietais. A SST provavelmente exerce sua influência inibitória tônica sobre as células

G, as ECS e as células parietais. As PG locais (ou administradas

exogenamente) atuam em receptores EP2/3, exercendo efeito inibitório predominantemente sobre a função das células ECS.

Esse sistema de controle é claramente complexo, mas a exposição

prolongada dos tecidos ao excesso de secreção gástrica é perigosa e deve

ser escrupulosamente regulada (Schubert e Peura, 2008).