Rang e Dale: Farmacologia
Mdma
Cocaína
• A cocaína age inibindo a recaptação de catecolaminas (especialmente a DA) pelos
terminais nervosos
• Os efeitos comportamentais da cocaína são muito semelhantes aos das anfetaminas,
apesar de efeitos psicotomiméticos serem mais raros. A duração do efeito é mais curta
• A cocaína usada durante a gravidez prejudica o desenvolvimento fetal e pode produzir
malformações fetais
• A cocaína produz forte dependência psicológica.
MDMA
MDMA (3,4-metilenedioximetanfetamina, ecstasy ou “molly”) e
substâncias relacionadas são amplamente usados em festas raves por conta
dos sentimentos de empatia e euforia e perda de inibição, exacerbação das
sensações e impulso de energia que elas produzem. São algumas vezes
chamadas de “empatógenos” ou “entactógenos”. Também apresentam
efeitos alucinógenos leves. Exemplos comuns estão listados na Tabela 49.1.
A MDMA está na fase III de ensaios clínicos, em conjunto com a
psicoterapia, para o tratamento do transtorno do estresse pós-traumático.
■ Efeitos farmacológicos
Apesar de ser um derivado da anfetamina (ver Figura 49.1), a MDMA afeta
a função da monoamina de forma diferente das anfetaminas. Inibe os
transportadores de monoaminas, principalmente o transportador 5-HT, e
também libera 5-HT, sendo o efeito final um grande aumento na 5-HT livre
em certas regiões cerebrais, seguido de depleção. Mudanças semelhantes,
porém menores, ocorrem em relação à liberação de DA e NE. De forma simplista, os efeitos na função da 5-HT determinam os efeitos
psicotomiméticos, enquanto as alterações na DA e NE são responsáveis
pela euforia inicial e posterior rebote de disforia. A MDMA não induz
dependência psicológica ou física, mas o seu uso é acompanhado de vários
riscos. Pode ocorrer o consumo não intencional de altas doses se as pílulas
tiverem um conteúdo maior do que o esperado de MDMA, ou quando a
MDMA é consumida em forma em pó. Além disso, os comprimidos ou pós
ilícitos de MDMA podem ser contaminados ou completamente substituídos
por parametoxianfetamina (PMA), um agente psicoativo mais perigoso.
Os efeitos adversos comuns da ingestão de MDMA são:
• Hipertermia aguda (Figura 49.2), resultando em dano ao músculo
esquelético e consequente insuficiência renal. Ainda não está claro
como a hipertermia é produzida em seres humanos. Pode ser mediada
centralmente pela liberação de 5-HT, DA e NE, agindo em vários
receptores para essas monoaminas (Docherty e Green, 2010). Também
poderia refletir uma ação da MDMA na função da mitocôndria. É
exacerbada por dança vigorosa e temperatura ambiente alta, e alguns
indivíduos podem ser particularmente suscetíveis a esse perigo
• Excesso de ingestão e retenção de água. Os usuários podem consumir
grandes quantidades de água como resultado do aumento da atividade
física e por sentirem calor. Além disso, a MDMA causa secreção
inapropriada do hormônio antidiurético (ver Capítulo 34). Isso pode
levar a hiper-hidratação e hiponatremia (“intoxicação por água”). Os
sintomas incluem tontura e desorientação, levando ao colapso até o
coma
• Insuficiência cardíaca em indivíduos com uma doença cardíaca não
diagnosticada.
Figura 49.2 Uma única injeção de MDMA causa aumento na temperatura corporal
em ratos, de acordo com a dose. Substância administrada no momento zero. (Reproduzida, com autorização, de Green et al., 2004. Eur. J. Pharmacol. 500, 3-13.)
Os efeitos tardios da MDMA persistem por alguns dias e englobam
depressão, ansiedade, irritabilidade e maior agressividade – a “tristeza do
meio da semana”. Também há evidência de efeitos deletérios a longo prazo
na memória e função cognitiva em usuários pesados de MDMA. Em
estudos animais, a MDMA pode causar degeneração dos neurônios 5-HT e
DA, mas não está claro se isso ocorre em seres humanos (Green et al.,
2012).