Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 615 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Mdma

Cocaína

 

• A cocaína age inibindo a recaptação de catecolaminas (especialmente a DA) pelos

terminais nervosos

• Os efeitos comportamentais da cocaína são muito semelhantes aos das anfetaminas,

apesar de efeitos psicotomiméticos serem mais raros. A duração do efeito é mais curta

• A cocaína usada durante a gravidez prejudica o desenvolvimento fetal e pode produzir

malformações fetais

• A cocaína produz forte dependência psicológica.

 

MDMA

MDMA (3,4-metilenedioximetanfetamina, ecstasy ou “molly”) e

substâncias relacionadas são amplamente usados em festas raves por conta

dos sentimentos de empatia e euforia e perda de inibição, exacerbação das

sensações e impulso de energia que elas produzem. São algumas vezes

chamadas de “empatógenos” ou “entactógenos”. Também apresentam

efeitos alucinógenos leves. Exemplos comuns estão listados na Tabela 49.1.

A MDMA está na fase III de ensaios clínicos, em conjunto com a

psicoterapia, para o tratamento do transtorno do estresse pós-traumático.

 

■ Efeitos farmacológicos

Apesar de ser um derivado da anfetamina (ver Figura 49.1), a MDMA afeta

a função da monoamina de forma diferente das anfetaminas. Inibe os

transportadores de monoaminas, principalmente o transportador 5-HT, e

também libera 5-HT, sendo o efeito final um grande aumento na 5-HT livre

em certas regiões cerebrais, seguido de depleção. Mudanças semelhantes,

porém menores, ocorrem em relação à liberação de DA e NE. De forma simplista, os efeitos na função da 5-HT determinam os efeitos

psicotomiméticos, enquanto as alterações na DA e NE são responsáveis

pela euforia inicial e posterior rebote de disforia. A MDMA não induz

dependência psicológica ou física, mas o seu uso é acompanhado de vários

riscos. Pode ocorrer o consumo não intencional de altas doses se as pílulas

tiverem um conteúdo maior do que o esperado de MDMA, ou quando a

MDMA é consumida em forma em pó. Além disso, os comprimidos ou pós

ilícitos de MDMA podem ser contaminados ou completamente substituídos

por parametoxianfetamina (PMA), um agente psicoativo mais perigoso.

Os efeitos adversos comuns da ingestão de MDMA são:

 

• Hipertermia aguda (Figura 49.2), resultando em dano ao músculo

esquelético e consequente insuficiência renal. Ainda não está claro

como a hipertermia é produzida em seres humanos. Pode ser mediada

centralmente pela liberação de 5-HT, DA e NE, agindo em vários

receptores para essas monoaminas (Docherty e Green, 2010). Também

poderia refletir uma ação da MDMA na função da mitocôndria. É

exacerbada por dança vigorosa e temperatura ambiente alta, e alguns

indivíduos podem ser particularmente suscetíveis a esse perigo

• Excesso de ingestão e retenção de água. Os usuários podem consumir

grandes quantidades de água como resultado do aumento da atividade

física e por sentirem calor. Além disso, a MDMA causa secreção

inapropriada do hormônio antidiurético (ver Capítulo 34). Isso pode

levar a hiper-hidratação e hiponatremia (“intoxicação por água”). Os

sintomas incluem tontura e desorientação, levando ao colapso até o

coma

• Insuficiência cardíaca em indivíduos com uma doença cardíaca não

diagnosticada.

Figura 49.2 Uma única injeção de MDMA causa aumento na temperatura corporal

em ratos, de acordo com a dose. Substância administrada no momento zero. (Reproduzida, com autorização, de Green et al., 2004. Eur. J. Pharmacol. 500, 3-13.)

 

Os efeitos tardios da MDMA persistem por alguns dias e englobam

depressão, ansiedade, irritabilidade e maior agressividade – a “tristeza do

meio da semana”. Também há evidência de efeitos deletérios a longo prazo

na memória e função cognitiva em usuários pesados de MDMA. Em

estudos animais, a MDMA pode causar degeneração dos neurônios 5-HT e

DA, mas não está claro se isso ocorre em seres humanos (Green et al.,

2012).