Rang e Dale: Farmacologia
Peptídios natriuréticos cardíacos
Controle autônomo do coração
• A atividade simpática, atuando por intermédio dos receptores β 1-adrenérgicos, aumenta a
frequência, a contratilidade e o automatismo cardíacos, mas reduz a e ciência cardíaca
(com relação ao consumo de oxigênio)
• Os receptores β1-adrenérgicos atuam por aumento da formação de cAMP, o que aumenta
as correntes de Ca 2+
• A atividade parassimpática, atuando por intermédio dos receptores muscarínicos M2,
causa diminuição da frequência cardíaca, diminuição da força de contração (somente dos
átrios) e inibição da condução atrioventricular
• Os receptores M 2 inibem a formação de cAMP e também abrem os canais de potássio,
causando hiperpolarização.
PEPTÍDIOS NATRIURÉTICOS CARDÍACOS
Os peptídios natriuréticos cardíacos são uma família importante de
mediadores (para revisão, ver Potter et al., 2009). As células atriais contêm
grânulos secretores e armazenam e liberam peptídio natriurético atrial
(ANP; do inglês, atrial natriuretic peptide). Este tem efeitos pronunciados
sobre o rim e o sistema vascular. A liberação de ANP ocorre durante
sobrecarga de volume em resposta ao estiramento dos átrios, e a infusão
intravenosa de solução fisiológica é suficiente para estimular sua liberação.
O peptídio natriurético B (BNP) é liberado do músculo ventricular e se
opõe à fibrose vascular; sua concentração plasmática é aumentada em
pacientes com insuficiência cardíaca e isso (ou a concentração do seu
precursor, N-terminal pró-BNP) é usado como auxiliar no diagnóstico. O
peptídio natriurético C (CNP) é armazenado no endotélio e, juntamente com
as ações vasculares, influencia o desenvolvimento dos ossos longos. Tanto o ANP quanto o BNP são inativados pela neprilisina, também conhecida
como endopeptidase neutra (NEP; do inglês, neutral endopeptidase) (ver
Capítulo 23).
Os principais efeitos dos peptídios natriuréticos são: aumentar a
eliminação de Na+ e água pelo rim; relaxar a musculatura lisa vascular
(exceto arteríolas eferentes dos glomérulos renais; ver adiante); aumentar a
permeabilidade vascular; e inibir a liberação e/ou ações de vários
hormônios vasoconstritores ou de retenção de sal e mediadores, incluindo
aldosterona, angiotensina II, endotelina e hormônio antidiurético. Exercem
seus efeitos por combinação com receptores de membrana (receptores de
peptídio natriurético [NPR], que existem em pelo menos dois subtipos,
designados A e B).3
▼ Tanto o receptor NPR-A como o NPR-B incorporam um centro
guanilato ciclase catalítico (ver Capítulo 3) que, quando ativado,
aumenta o GMPc intracelular. Os nitratos orgânicos (discutidos adiante)
e o óxido nítrico endógeno (ver Capítulo 21) também aumentam o
GMPc, apesar de interagirem com a guanilato ciclase solúvel, e não
com aquela ligada à membrana. As arteríolas aferentes glomerulares
renais dilatam-se por efeito do ANP, mas as arteríolas eferentes
contraem-se e, portanto, a pressão de filtração fica maior, levando ao
aumento da filtração glomerular e da eliminação de Na+. Em outros
territórios da vasculatura, os peptídios natriuréticos causam relaxamento
vascular e reduzem a pressão arterial. O BNP recombinante (nesiritida)
teve um percurso de ioiô como potencial terapia para insuficiência
cardíaca aguda. Após a rejeição regulamentar inicial, foi aprovado em
2001 pela Food and Drug Administration (FDA) nos EUA. No entanto,
em 2011, um grande estudo mostrou que não aumentava a expectativa
de vida nem melhorava os sintomas que exigiam nova hospitalização