Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 326 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

28 Pele

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Com uma área de superfície de cerca de 1,6 a 1,8 m2 e aproximadamente

4,5 kg de peso no adulto, a pele é o maior e mais pesado órgão do corpo.

Ela é também um alvo importante para a terapia farmacológica, agentes

cosméticos, entre outros. Aqui abordamos a estrutura da pele humana e

revemos brevemente algumas patologias dermatológicas comuns.

Discutimos, a seguir, alguns dos muitos tipos de fármacos que atuam na

pele ou através dela.

 

INTRODUÇÃO

A pele é um órgão complexo com muitos papéis.1 Em primeiro lugar, atua

como uma barreira. Sendo impermeável à água, previne a perda de umidade

do corpo e a entrada de água e muitas outras substâncias. Ela ainda protege

os tecidos subjacentes contra lesões térmicas e mecânicas e defende-os da

radiação ultravioleta e da infecção. Ainda que os microrganismos possam sobreviver no ambiente levemente ácido da superfície da pele, não

conseguem atravessar com facilidade a sua barreira exterior. No caso de o

fazerem, encontram sistemas especializados de vigilância imunológica,

compreendendo as células de Langerhans, um tipo de célula dendrítica,

bem como mastócitos e outros tipos de células imunocompetentes.2

Uma segunda função é a termorregulação. Cerca de 10% do volume

total de sangue está nas redes capilares densas da pele. Arteríolas cutâneas,

controladas pelo sistema nervoso simpático, regulam o fluxo de sangue e a

perda de calor pela pele. As glândulas sudoríparas (glândulas écrinas)

secretam um líquido aquoso sob controle colinérgico, que, ao evaporar,

aumenta a perda de calor.

A luz solar estimula a síntese de vitamina D3 (colecalciferol) no estrato basal e no estrato espinhoso da pele. A ausência desta vitamina, causada

pela exposição inadequada ao componente ultravioleta (UVB) da luz do sol,

pode levar a sintomas de carência (ver Capítulo 37). O pigmento melanina

de cor escura, que protege a pele contra a radiação solar excessiva,

potencialmente prejudicial, dá à pele a sua cor característica e é produzido

pelos melanócitos na camada basal da epiderme na junção com a derme. A

formação de grânulos de melanina é estimulada pela luz solar de acordo

com a intensidade da luz predominante.

A pele é também um órgão profundamente sensorial. Ela é densamente

inervada por neurônios, incluindo terminações nervosas específicas que

sinalizam dor, calor e frio; os receptores especializados que detectam o

toque (corpúsculos de Meissner) e a pressão (corpúsculos de Paccini), bem

como prurido (uma sensação exclusiva da pele com uma farmacologia

interessante). Os corpos celulares dos nervos sensoriais cutâneos residem

nos gânglios das raízes dorsais.

Como são visíveis, a pele e os fâneros (pelos e unhas) têm papel

importante na sinalização social e sexual. Como tal, ela é um importante

alvo para preparações cosméticas, agentes de camuflagem, loções

bronzeadoras, compostos antienvelhecimento, entre outros. Como a pele

com má aparência pode causar problemas de adaptação social ou até mesmo

doença psiquiátrica grave, a distinção entre um agente terapêutico e uma

preparação cosmética pode tornar-se confusa. De fato, o mercado para

cosmecêuticos, como são chamados, é enorme: só nos EUA foram gastos

mais de 8 bilhões de dólares nestes compostos em 2012 (muitos dos quais

sem prova de eficácia) (Nolan et al., 2012).

Abordamos aqui, de forma breve, algumas condições comuns que

afetam a pele e alguns dos fármacos usados para tratá-las (Tabela 28.1). Na

maior parte dos casos, esses fármacos também têm outros usos e os seus

mecanismos de ação estão descritos em outro local do livro; assim as

referências apropriadas são apresentadas na Tabela 28.1. A inflamação é

uma característica comum das doenças da pele, e os fármacos anti-

inflamatórios, discutidos em detalhe no Capítulo 27, são frequentemente

usados. Em outras situações, os próprios fármacos, ou a sua utilidade

particular, são quase únicos para a farmacologia da pele e serão explicados

com um pouco mais de detalhe. Os fármacos usados para tratar as infecções

e neoplasias da pele são discutidos nos Capítulos 52, 54 e 57.

A aplicação tópica de fármacos na pele pode ser usada como uma via

para administração sistêmica (ver Capítulo 9) e também para tratar os

tecidos subjacentes. Por exemplo, anti-inflamatórios não esteroides (AINE)

aplicados topicamente reduzem a inflamação das articulações e do tecido

conjuntivo subjacentes com menos efeitos adversos do que os observados

com a administração sistêmica (Klinge e Sawyer, 2013). Contudo, não

iremos abordar aqui esse tópico em profundidade.