Rang e Dale: Farmacologia
28 Pele
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Com uma área de superfície de cerca de 1,6 a 1,8 m2 e aproximadamente
4,5 kg de peso no adulto, a pele é o maior e mais pesado órgão do corpo.
Ela é também um alvo importante para a terapia farmacológica, agentes
cosméticos, entre outros. Aqui abordamos a estrutura da pele humana e
revemos brevemente algumas patologias dermatológicas comuns.
Discutimos, a seguir, alguns dos muitos tipos de fármacos que atuam na
pele ou através dela.
INTRODUÇÃO
A pele é um órgão complexo com muitos papéis.1 Em primeiro lugar, atua
como uma barreira. Sendo impermeável à água, previne a perda de umidade
do corpo e a entrada de água e muitas outras substâncias. Ela ainda protege
os tecidos subjacentes contra lesões térmicas e mecânicas e defende-os da
radiação ultravioleta e da infecção. Ainda que os microrganismos possam sobreviver no ambiente levemente ácido da superfície da pele, não
conseguem atravessar com facilidade a sua barreira exterior. No caso de o
fazerem, encontram sistemas especializados de vigilância imunológica,
compreendendo as células de Langerhans, um tipo de célula dendrítica,
bem como mastócitos e outros tipos de células imunocompetentes.2
Uma segunda função é a termorregulação. Cerca de 10% do volume
total de sangue está nas redes capilares densas da pele. Arteríolas cutâneas,
controladas pelo sistema nervoso simpático, regulam o fluxo de sangue e a
perda de calor pela pele. As glândulas sudoríparas (glândulas écrinas)
secretam um líquido aquoso sob controle colinérgico, que, ao evaporar,
aumenta a perda de calor.
A luz solar estimula a síntese de vitamina D3 (colecalciferol) no estrato basal e no estrato espinhoso da pele. A ausência desta vitamina, causada
pela exposição inadequada ao componente ultravioleta (UVB) da luz do sol,
pode levar a sintomas de carência (ver Capítulo 37). O pigmento melanina
de cor escura, que protege a pele contra a radiação solar excessiva,
potencialmente prejudicial, dá à pele a sua cor característica e é produzido
pelos melanócitos na camada basal da epiderme na junção com a derme. A
formação de grânulos de melanina é estimulada pela luz solar de acordo
com a intensidade da luz predominante.
A pele é também um órgão profundamente sensorial. Ela é densamente
inervada por neurônios, incluindo terminações nervosas específicas que
sinalizam dor, calor e frio; os receptores especializados que detectam o
toque (corpúsculos de Meissner) e a pressão (corpúsculos de Paccini), bem
como prurido (uma sensação exclusiva da pele com uma farmacologia
interessante). Os corpos celulares dos nervos sensoriais cutâneos residem
nos gânglios das raízes dorsais.
Como são visíveis, a pele e os fâneros (pelos e unhas) têm papel
importante na sinalização social e sexual. Como tal, ela é um importante
alvo para preparações cosméticas, agentes de camuflagem, loções
bronzeadoras, compostos antienvelhecimento, entre outros. Como a pele
com má aparência pode causar problemas de adaptação social ou até mesmo
doença psiquiátrica grave, a distinção entre um agente terapêutico e uma
preparação cosmética pode tornar-se confusa. De fato, o mercado para
cosmecêuticos, como são chamados, é enorme: só nos EUA foram gastos
mais de 8 bilhões de dólares nestes compostos em 2012 (muitos dos quais
sem prova de eficácia) (Nolan et al., 2012).
Abordamos aqui, de forma breve, algumas condições comuns que
afetam a pele e alguns dos fármacos usados para tratá-las (Tabela 28.1). Na
maior parte dos casos, esses fármacos também têm outros usos e os seus
mecanismos de ação estão descritos em outro local do livro; assim as
referências apropriadas são apresentadas na Tabela 28.1. A inflamação é
uma característica comum das doenças da pele, e os fármacos anti-
inflamatórios, discutidos em detalhe no Capítulo 27, são frequentemente
usados. Em outras situações, os próprios fármacos, ou a sua utilidade
particular, são quase únicos para a farmacologia da pele e serão explicados
com um pouco mais de detalhe. Os fármacos usados para tratar as infecções
e neoplasias da pele são discutidos nos Capítulos 52, 54 e 57.
A aplicação tópica de fármacos na pele pode ser usada como uma via
para administração sistêmica (ver Capítulo 9) e também para tratar os
tecidos subjacentes. Por exemplo, anti-inflamatórios não esteroides (AINE)
aplicados topicamente reduzem a inflamação das articulações e do tecido
conjuntivo subjacentes com menos efeitos adversos do que os observados
com a administração sistêmica (Klinge e Sawyer, 2013). Contudo, não
iremos abordar aqui esse tópico em profundidade.