Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 89 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fase de indução

os macrófagos ativados liberam IL-1 e TNF-α, que, por sua vez,

desencadeiam a liberação das quimiocinas e citocinas inflamatórias, que

desempenham papel importante na patologia da doença.

 

Os linfócitos T e B expressam receptores específicos para antígenos que

reconhecem e reagem virtualmente com todas as proteínas e todos os

polissacarídios estranhos que provavelmente serão encontrados no decorrer

da vida. Esse repertório de receptores é gerado de maneira aleatória e

também pode reconhecer proteínas “próprias”, além dos antígenos

estranhos, com resultados devastadores. Entretanto, a tolerância aos

antígenos próprios é adquirida durante a vida fetal, por meio da deleção

apoptótica dos clones de células T no timo que reconhecem os tecidos do

próprio hospedeiro. As células dendríticas e os macrófagos envolvidos na

resposta imune inata também desempenham papel relevante na prevenção

das reações imunes prejudiciais direcionadas contra as próprias células do

hospedeiro.

A resposta imune adaptativa ocorre em duas fases: fase de indução e

fase efetora.

 

FASE DE INDUÇÃO

Na fase de indução, o antígeno é “apresentado” às células T nos linfonodos

pelos macrófagos ou por grandes células dendríticas. Esse antígeno pode

constituir parte de um patógeno invasor (p. ex., a cobertura de uma bactéria)

ou pode ser liberado por um organismo desses (p. ex., uma toxina

bacteriana), além de atuar como uma vacina, um agente ambiental tal como

o pólen, uma picada de inseto, um alimento ou uma substância

experimentalmente introduzida para estudar a resposta imune (p. ex.,

injeção de albumina de ovo em cobaia). As APC ingerem e “processam”

proteoliticamente o antígeno e, uma vez alcançados os linfonodos locais, “apresentam” os fragmentos em sua superfície aos linfócitos, em

combinação com diversas moléculas do MHC. Este é seguido de interações

complexas dessas células T com as células B e outras células T (Figura 7.4).

Dois tipos de linfócitos “atendem” às APC. Em geral, esses linfócitos são

distinguidos pela presença de receptores CD4 ou CD8 em sua superfície.

Esses correceptores cooperam com os principais receptores antígeno-

específicos no reconhecimento antigênico. Macrófagos também contêm

proteínas CD4 de superfície.

 

Figura 7.3 Diagrama simplificado representando as fases indutora e efetora da

ativação linfocitária. Ver o texto para mais detalhes. MT, célula T de memória; MB, célula B de memória; TC, célula T citotóxica; P, células plasmáticas; Treg, célula T reguladora.

Resposta adaptativa

 

• A resposta imunológica adaptativa (especí ca, adquirida) potencializa a e cácia das

respostas inatas. Apresenta duas fases: fase de indução e fase efetora. Esta última contém

componentes (i) mediados por anticorpos e (ii) mediados por células

• Na fase de indução, ocorre a apresentação de antígenos para as células T naive que

expressam correceptores CD4 ou CD8. Como resultado, desencadeia-se a seguinte

proliferação:

– As células T CD8 se desenvolvem em células T citotóxicas, capazes de matar células

infectadas por vírus

– As células T auxiliares (Th ou T-helper) CD4 são estimuladas por diferentes citocinas a

se desenvolverem em células Th1, Th2, Th17 ou Treg

– As células Th1 se desenvolvem em células liberadoras de citocinas ativadoras de

macrófagos; estes, por sua vez, aliados às células T citotóxicas, controlam as respostas

mediadas por células

– As células Th2 controlam as respostas mediadas por anticorpos por meio da

estimulação da proliferação das células B, originando os plasmócitos secretores de

anticorpos e as células de memória

– As células Th17 são semelhantes às células Th1 e desempenham papel importante

em algumas doenças humanas, como, por exemplo, artrite reumatoide

– As células Treg restringem o desenvolvimento da resposta imune

• A fase efetora utiliza as respostas mediadas por anticorpos e por células

• Os anticorpos conferem:

– Ativação mais seletiva do complemento

– Fagocitose de patógenos mais e caz

– Fixação mais e ciente a parasitos pluricelulares, facilitando sua destruição

– Neutralização direta de alguns vírus e toxinas bacterianas

• A resposta mediada por células fornece:

– + Células T citotóxicas CD8, capazes de matar as células infectadas por vírus

– + Células T CD4 secretoras de citocinas, que capacitam os macrófagos a destruírem

patógenos intracelulares, como o bacilo da tuberculose

– Células de memória, que são condicionadas a reagir rapidamente a um antígeno

conhecido

– Ajudam na ativação das células B

• Reações imunes que se desenvolvem de maneira inadequada são denominadas reações de

hipersensibilidade

• Empregam-se fármacos anti-in amatórios e imunossupressores quando as respostas

in amatória e/ou imune protetoras normais fogem de controle.

 

Os dois tipos de linfócitos envolvidos na resposta adaptativa são:

 

• Linfócitos Th CD4+ não comprometidos (naive), ou células precursoras

de T helper (Thp), associadas a moléculas do MHC de classe II (ver

Figura 7.4)

• Linfócitos T CD8+ naive associados a moléculas do MHC de classe I.7

 

A ativação de uma célula T por uma APC requer a passagem de vários

sinais de “identificação” e “autenticação” entre ambas as células, nessa

“sinapse imunológica” (ver Figura 7.4; Medzhitov e Janeway, 2000). Após

a ativação, as células T tanto geram IL-2 como adquirem receptores de IL-

2. A IL-2 apresenta ação autócrina,8 estimulando a proliferação e

originando um clone de células T denominadas células Th0. Essas células,

dependendo do microambiente de citocinas prevalentes, dão origem a

diferentes subgrupos de células auxiliares armadas. Tais “células auxiliares” são classificadas em quatro tipos principais, e cada tipo gera um perfil de