Rang e Dale: Farmacologia
Óxido nitroso
O óxido nitroso (N 2O, não confundir com óxido nítrico, NO) é um gás inodoro com muitas características vantajosas para anestesia. Sua ação tem
início rápido por causa de seu baixo coeficiente de partição sangue:gás (ver
Tabela 42.2), e ele é um analgésico efetivo em concentrações muito baixas
para causar inconsciência. Sua potência é pequena. Ele é usado como
mistura 50:50 com O2 para, dessa forma, reduzir a dor durante o parto. Nunca deve ser administrado como 100% do gás inspirado, visto que os
pacientes precisam respirar oxigênio! Até mesmo a 80%, em mistura com o
gás inspirado, o óxido nitroso não produz anestesia cirúrgica. Por isso não é
utilizado como um anestésico isoladamente, mas (sendo 70% de óxido
nítrico no oxigênio) como adjuvante com anestésicos voláteis de forma a
acelerar a indução – ver descrição do efeito de segundo gás (p. 538).
Durante a recuperação da anestesia com óxido nitroso, a transferência do
gás do sangue para os alvéolos pode ser suficiente para reduzir, por
diluição, a pressão parcial alveolar de oxigênio, produzindo hipoxia
transitória (conhecida como hipoxia de difusão). Isso é importante para os
pacientes com doença respiratória.
O óxido nitroso tende a entrar nas cavidades gasosas, fazendo com que
se expandam. Isso pode ser perigoso caso exista quadro de pneumotórax ou
embolismo vascular, ou caso o intestino esteja obstruído.
Administrado por períodos curtos, o óxido nitroso é desprovido de
qualquer efeito tóxico sério, porém a exposição prolongada (> 6 horas)
causa inativação da metionina sintase, uma enzima necessária para a síntese
de DNA e de proteína, resultando em depressão da medula óssea, que pode
causar anemia e leucopenia; assim, seu uso deve ser evitado em pacientes
com anemia relacionada com deficiência de vitamina B 12. A depressão da medula óssea não ocorre com exposição curta ao óxido nitroso, porém o uso prolongado ou repetido deve ser evitado (p. ex., em condições dolorosas