Rang e Dale: Farmacologia
Resistência aos fármacos anti-helmínticos
Os efeitos adversos incluem erupções cutâneas e prurido, mas, em geral,
o fármaco é muito bem tolerado. Uma exceção interessante na medicina
veterinária é a toxicidade para o SNC em cães da raça Collie.4
RESISTÊNCIA AOS FÁRMACOS ANTI-HELMÍNTICOS
A resistência aos fármacos anti-helmínticos é um problema generalizado e
crescente, afetando não apenas os seres humanos, mas também o mercado
de saúde animal. Os mecanismos das mutações helmínticas nas formas de
resistência farmacológica não foram tão bem compreendidos ou
investigados, como no caso de outros micróbios. Durante os anos 1990, as
infestações helmínticas nas ovelhas (e, em menor extensão, no gado)
desenvolveram graus variados de resistência a vários fármacos. Os parasitos
que desenvolveram tal resistência transmitiram essa capacidade à sua prole,
levando ao fracasso no tratamento. O uso generalizado de agentes anti-
helmínticos na lavoura foi relacionado à expansão das espécies resistentes.
Há, provavelmente, vários mecanismos moleculares que contribuem
para a resistência ao fármaco. A presença da glicoproteína-P transportadora
(ver Capítulo 10) em algumas espécies de nematoides já foi mencionada, e
agentes como o verapamil, que bloqueiam esse transportador nos
tripanossomos, podem reverter parcialmente a resistência aos
benzimidazóis. No entanto, alguns aspectos da resistência ao benzimidazol
podem ser atribuídos a alterações em sua capacidade de ligação de alta
afinidade com a betatubulina parasitária. Da mesma forma, a resistência ao
levamisol está associada a mudanças na estrutura do receptor nicotínico da
acetilcolina.
A maneira pela qual os helmintos enganam o sistema imunológico do
hospedeiro é de grande significância. Ainda que possam prosperar nos
locais imunologicamente expostos, como os linfáticos ou a corrente sanguínea, muitos têm vida longa e podem coexistir com seus hospedeiros
por muitos anos sem afetar seriamente sua saúde, ou, em alguns casos, sem
sequer serem notados. É impressionante que as duas famílias principais de
helmintos, embora evoluindo separadamente, demonstrem estratégias
similares para evitar a destruição pelo sistema imunológico. Claramente,
isso deve ser fundamental para a sobrevivência das espécies.
▼ Além dos antígenos externos que mudam rapidamente, o que
perturba o reconhecimento imune, parece que muitos helmintos
secretam produtos imunomoduladores que dirigem o sistema imune do
hospedeiro para longe da resposta Th1 local (ver Capítulo 7), o que
poderia lesionar o parasito, e, em vez disso, promovem um tipo de
resposta sistêmica modificada Th2. Isso está associado com a produção
de citocinas “anti-inflamatórias” pelo hospedeiro, como a interleucina-
10, e é favorável aos parasitos ou pelo menos mais bem tolerado por
estes. A imunologia subjacente a isso é fascinante, porém complexa
(ver, p. ex., Harris, 2011; Harnett, 2014; McNeilly e Nisbet, 2014).
De forma irônica, a capacidade de os helmintos modificarem a resposta
imunológica do hospedeiro dessa maneira pode ter algum valor na
sobrevivência dos próprios hospedeiros. Por exemplo, além do efeito
anti-inflamatório exercido pelas infecções helmínticas, vê-se também a
rápida cicatrização dos ferimentos. Claramente, essa é uma vantagem
para os parasitos que têm de penetrar nos tecidos sem destruí-lo, além
de também ser benéfica para o hospedeiro. Propôs-se que as infestações
helmínticas sejam capazes de mitigar algumas formas de malária e
outras doenças, possivelmente conferindo vantagens de sobrevivência
nas populações em que essas doenças são endêmicas. A ingestão
“terapêutica” deliberada de helmintos por pacientes foi avaliada como
uma estratégia (reconhecidamente pouco atraente) para induzir a