Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 706 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Resistência aos fármacos anti-helmínticos

Os efeitos adversos incluem erupções cutâneas e prurido, mas, em geral,

o fármaco é muito bem tolerado. Uma exceção interessante na medicina

veterinária é a toxicidade para o SNC em cães da raça Collie.4

 

RESISTÊNCIA AOS FÁRMACOS ANTI-HELMÍNTICOS

A resistência aos fármacos anti-helmínticos é um problema generalizado e

crescente, afetando não apenas os seres humanos, mas também o mercado

de saúde animal. Os mecanismos das mutações helmínticas nas formas de

resistência farmacológica não foram tão bem compreendidos ou

investigados, como no caso de outros micróbios. Durante os anos 1990, as

infestações helmínticas nas ovelhas (e, em menor extensão, no gado)

desenvolveram graus variados de resistência a vários fármacos. Os parasitos

que desenvolveram tal resistência transmitiram essa capacidade à sua prole,

levando ao fracasso no tratamento. O uso generalizado de agentes anti-

helmínticos na lavoura foi relacionado à expansão das espécies resistentes.

Há, provavelmente, vários mecanismos moleculares que contribuem

para a resistência ao fármaco. A presença da glicoproteína-P transportadora

(ver Capítulo 10) em algumas espécies de nematoides já foi mencionada, e

agentes como o verapamil, que bloqueiam esse transportador nos

tripanossomos, podem reverter parcialmente a resistência aos

benzimidazóis. No entanto, alguns aspectos da resistência ao benzimidazol

podem ser atribuídos a alterações em sua capacidade de ligação de alta

afinidade com a betatubulina parasitária. Da mesma forma, a resistência ao

levamisol está associada a mudanças na estrutura do receptor nicotínico da

acetilcolina.

A maneira pela qual os helmintos enganam o sistema imunológico do

hospedeiro é de grande significância. Ainda que possam prosperar nos

locais imunologicamente expostos, como os linfáticos ou a corrente sanguínea, muitos têm vida longa e podem coexistir com seus hospedeiros

por muitos anos sem afetar seriamente sua saúde, ou, em alguns casos, sem

sequer serem notados. É impressionante que as duas famílias principais de

helmintos, embora evoluindo separadamente, demonstrem estratégias

similares para evitar a destruição pelo sistema imunológico. Claramente,

isso deve ser fundamental para a sobrevivência das espécies.

▼ Além dos antígenos externos que mudam rapidamente, o que

perturba o reconhecimento imune, parece que muitos helmintos

secretam produtos imunomoduladores que dirigem o sistema imune do

hospedeiro para longe da resposta Th1 local (ver Capítulo 7), o que

poderia lesionar o parasito, e, em vez disso, promovem um tipo de

resposta sistêmica modificada Th2. Isso está associado com a produção

de citocinas “anti-inflamatórias” pelo hospedeiro, como a interleucina-

10, e é favorável aos parasitos ou pelo menos mais bem tolerado por

estes. A imunologia subjacente a isso é fascinante, porém complexa

(ver, p. ex., Harris, 2011; Harnett, 2014; McNeilly e Nisbet, 2014).

De forma irônica, a capacidade de os helmintos modificarem a resposta

imunológica do hospedeiro dessa maneira pode ter algum valor na

sobrevivência dos próprios hospedeiros. Por exemplo, além do efeito

anti-inflamatório exercido pelas infecções helmínticas, vê-se também a

rápida cicatrização dos ferimentos. Claramente, essa é uma vantagem

para os parasitos que têm de penetrar nos tecidos sem destruí-lo, além

de também ser benéfica para o hospedeiro. Propôs-se que as infestações

helmínticas sejam capazes de mitigar algumas formas de malária e

outras doenças, possivelmente conferindo vantagens de sobrevivência

nas populações em que essas doenças são endêmicas. A ingestão

“terapêutica” deliberada de helmintos por pacientes foi avaliada como

uma estratégia (reconhecidamente pouco atraente) para induzir a