Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 622 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Fármacos que aumentam a cognição

“Cognição” engloba diversos aspectos da função mental, incluindo

memória, raciocínio e capacidade de resolver problemas, julgamentos

situacionais, tomada de decisões e função executiva. Uma variedade de

diferentes baterias de testes foi desenvolvida para medir essas funções em

seres humanos (p. ex., Bateria Automatizada de Testes Neuropsicológicos

de Cambridge [CANTAB; do inglês, Cambridge Neuropsychological Test

Automated Battery), os quais testam os efeitos dos fármacos. Muitos

transtornos clínicos, tais como doença de Alzheimer (ver Capítulo 41),

esquizofrenia (ver Capítulo 47), depressão (ver Capítulo 48) e

toxicodependência (ver Capítulo 50) afetam essas funções, e a esperança é

o desenvolvimento de fármacos que aumentem a cognição para restaurá-las.

O progresso tem sido limitado, apesar de muito exagerado, tanto com o

objetivo questionável de “melhorar” a função mental em indivíduos

saudáveis quanto de amenizar déficits nos pacientes.

Viu-se que os fármacos atualmente disponíveis:

 

• Alteram o processamento da memória (i. e., aumentam a memória)

• Reduzem a fadiga (estimulantes), de modo a permitir ao usuário usar a

função por mais tempo (i. e., melhorar o desempenho de tarefas

complexas e estudo para provas, superar jet lag)

• Aumentam a motivação, a energia, a segurança e a concentração.

 

Também são conhecidos como “pílulas da inteligência” ou “nootrópicos”.

Os fármacos com relatos de melhorar o desempenho cognitivo são

cafeína, anfetaminas, metilfenidato, modafinila, arecolina, donepezila,

vortioxetina e piracetam, mas a eficácia clínica desses fármacos é

limitada, e o desenvolvimento de fármacos mais eficazes que melhorem a cognição poderia ter benefícios significativos para muitos grupos de

pacientes.

Os fármacos que melhoram a cognição também são usados por

indivíduos saudáveis com o intuito de melhorar o seu desempenho, por

exemplo, em estudar e para fazer provas (d’Angelo et al., 2017) ou em

papéis profissionais com muita demanda. O uso de substâncias por

indivíduos saudáveis para aumentar o desempenho acadêmico levanta

questões éticas quanto a equidade, pressão acadêmica e medo de coerção

por pais “insistentes”. Também existem questões de segurança. Apesar de

muitas das substâncias usadas estarem disponíveis como remédios (i. e.,

terem passado por testes de segurança-padrão para fármacos), ainda há falta

de informação sobre os seus efeitos agudos e a longo prazo em crianças e

adolescentes, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento. Em

indivíduos saudáveis, o desempenho cognitivo pode ser aumentado por

melhora no sono e humor, assim como diminuição da ansiedade. Parece ser

mais apropriado alcançar isso por meio de mudanças no estilo de vida e

terapia comportamental do que recorrendo ao uso de substâncias.8

 

Eficácia

Enquanto a eficácia dos fármacos que aumentam a cognição em indivíduos

saudáveis geralmente é divulgada por indivíduos que fazem uso delas e pela

imprensa, a sua eficácia real é de certa forma inconclusiva e ambígua, como

avaliado em estudos científicos. Além disso, as substâncias podem afetar

diferentes tipos de memória de modo distinto (d’Angelo et al., 2017). É

importante fazer a distinção entre fármacos que somente melhoram as

habilidades de um indivíduo quando este está cansado e aqueles que podem

melhorar a habilidade cognitiva em indivíduos não cansados.