Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 26 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Ligação na qual mais de um fármaco está presente

isento de problemas e, atualmente, é comum o cálculo desses

parâmetros a partir dos valores de ligação não transformados por um

método de ajuste de curvas não lineares iterativo.

Até aqui, nossa análise levou em conta apenas a ligação de um ligante a

uma população homogênea de receptores. Para nos aproximarmos da

farmacologia real, precisamos considerar (a) o que acontece quando

mais de um ligante está presente e (b) de que maneira a resposta

tecidual está relacionada com a ocupação dos receptores.

 

LIGAÇÃO NA QUAL MAIS DE UM FÁRMACO ESTÁ

PRESENTE

▼ Suponhamos que dois fármacos, A e B, que se ligam ao mesmo

receptor com as constantes de dissociação KA e KB, respectivamente,

estejam presentes nas concentrações xA e xB. Se os dois fármacos

competem entre si (i. e., o receptor é capaz de acomodar apenas um

deles por vez), então, ao aplicarmos o mesmo raciocínio utilizado na

situação anteriormente descrita, que envolve apenas um fármaco, a

ocupação dos receptores pelo fármaco A será dada por:

 

A comparação desse resultado com a Equação 2.5 mostra que, conforme

esperado, a adição do fármaco B reduz a ocupação dos receptores pelo

fármaco A. A Figura 2.4A (p. 11) mostra as curvas de ligação previstas

para A na presença de concentrações crescentes de B, revelando um

desvio sem qualquer alteração na inclinação ou no valor máximo, o que

caracteriza o efeito farmacológico de um antagonista competitivo (ver

Figura 2.5). O grau do desvio para a direita, em escala logarítmica,

representa o valor da razão (rA, dada por xA’/xA, em que xA’ corresponde

à concentração aumentada de A), por meio da qual a concentração do

fármaco A precisa ser elevada de tal modo que ele possa superar a

competição realizada por B. O rearranjo da Equação 2.9 mostra que

 

Assim, rA depende apenas da concentração e da constante de equilíbrio

do fármaco competidor B, e não da concentração ou da constante de

equilíbrio de A.

Se A for um agonista e B, um antagonista competitivo, supondo-se que

a resposta do tecido seja uma função de PA, e não necessariamente uma

função linear, então o valor de r A determinado pelo desvio da curva da

concentração do agonista versus efeito em diferentes concentrações do

antagonista poderá ser utilizado para estimar a constante de dissociação

de equilíbrio KB do antagonista. Tais estimativas farmacológicas de rA

são, em geral, denominadas razões de dose relativa ao agonista (mais

apropriadamente razões de concentração, embora a maioria dos

farmacologistas utilize o termo impróprio, mais antigo). Essa equação

(2.10) simples e muito útil é conhecida como equação de Schild, em

homenagem ao farmacologista que a utilizou pela primeira vez para

analisar o antagonismo farmacológico.

A Equação 2.10 pode ser logaritmicamente expressa ao se assumir a

seguinte forma:

Assim, o gráfico de log (rA–1) versus log xB, geralmente chamado

gráfico de Schild (como mostra a Figura 2.5), deve originar uma linha

reta com inclinação unitária (i. e., seu gradiente é igual a 1) que

intercepta o eixo das abscissas em um ponto igual ao log KB. Adotando

a notação usada em pH e pK, a potência do antagonista pode ser

expressa como um valor de pA 2; em condições de antagonismo

competitivo, pA2 = –log KB. Numericamente, pA2 é definido como o

logaritmo negativo da concentração molar do antagonista necessária

para produzir uma razão de dose relativa ao agonista igual a 2. Como

ocorre com a notação pH, sua principal vantagem é produzir números

simples: um pA2 de 6,5 equivale a um K –7 B de 3,2 × 10 mol/l.

Essa análise do antagonismo competitivo mostra as seguintes

características da razão de dose r:

• Depende apenas da concentração e da constante de equilíbrio do antagonista, e não da

dimensão da resposta que é escolhida como ponto de referência para as medições (desde que seja submáxima)

• Não depende da constante de equilíbrio do agonista

• Aumenta linearmente com x , e a inclinação da curva do gráfico (r –1) versus x é igual a B A B

1/K ; essa relação, por ser independente das características do agonista, deve ser a mesma B

para um antagonista versus todos os agonistas que atuam sobre a mesma população de receptores.

 

Essas características foram comprovadas em muitos exemplos de

antagonismo competitivo (ver Figura 2.5).

Nesta seção, evitamos nos aprofundar e simplificamos

consideravelmente a teoria. À medida que aprendemos mais acerca de

como os receptores atuam, em nível molecular, para produzir seus

efeitos biológicos (ver Capítulo 3), as deficiências desse tratamento

teórico tornam-se mais evidentes. O modelo dos dois estados pode ser

incorporado sem dificuldade, mas surgem complicações quando