Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 30 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Canais iônicos

antagonistas nos receptores de mediadores endógenos conhecidos. Na maior

parte dos casos, o mediador endógeno foi descoberto antes – com frequência,

muitos anos antes – de o receptor ter sido caracterizado farmacológica e

bioquimicamente. Em alguns casos, como o dos receptores canabinoides e

dos receptores opioides (ver Capítulos 20 e 43), os mediadores endógenos

foram identificados mais tarde; em outros, conhecidos por receptores órfãos

(ver adiante), o mediador permanece desconhecido, se é que existe. O sistema

de defesa do hospedeiro também utiliza um conjunto de receptores (p. ex., os

receptores “Toll”) que são peritos em reconhecer fragmentos “estranhos” de

bactérias e outros organismos invasores. Estes serão considerados

separadamente no Capítulo 7.

 

CANAIS IÔNICOS

Os canais iônicos1 são basicamente portões presentes nas membranas

celulares, que, de modo seletivo, permitem a passagem de determinados íons,

e que são induzidos a se abrir ou se fechar por uma variedade de mecanismos.

Os canais controlados por ligantes e os canais controlados por voltagem são

dois tipos importantes. O primeiro abre apenas quando uma ou mais

moléculas agonistas são ligadas, e são propriamente classificados como

receptores, visto que é necessária a ligação de um agonista para que sejam

ativados. Os canais controlados por voltagem não são regulados por ligação

de um agonista, mas por alterações no potencial transmembrana.

De modo geral, os fármacos podem alterar a função dos canais iônicos de

várias maneiras:

 

1. Por meio da ligação à própria proteína do canal, tanto no local de ligação

(ortostérica) do ligante quanto em outros locais (alostérica); ou, no caso

mais simples, exemplificado pela ação dos anestésicos locais nos canais

de sódio dependentes da voltagem (ver Capítulo 44), a molécula do

fármaco liga-se fisicamente ao canal (Figura 3.1B) e, desse modo,

bloqueia a permeabilidade aos íons. Os fármacos que se ligam a locais

alostéricos no canal da proteína e que, por essa razão, alteram o sistema

de abertura do canal incluem:

• Benzodiazepínicos (ver Capítulo 45). Esses fármacos ligam-se a uma

região do complexo receptor-cloreto GABA A (um canal ativado por ligante) que é diferente do local de ligação de GABA, facilitando a

abertura do canal através do neurotransmissor inibitório GABA (ver

Capítulo 39)

• Fármacos vasodilatadores da classe di-hidropiridina (ver Capítulo

23), que inibem a abertura dos canais de cálcio tipo L (ver Capítulo

4).

2. Por uma interação indireta, envolvendo uma subunidade proteica G

ativada ou outro intermediário (p. 34).

3. Por meio da alteração do nível de expressão dos canais iônicos na

superfície celular. Por exemplo, a gabapentina reduz a incorporação de

canais de cálcio do tipo N na membrana plasmática (ver Capítulo 46).