Rang e Dale: Farmacologia
Orlistate
humor, observados em alguns pacientes. O taranabanto, outro antagonista
CB1 promissor, teve um destino semelhante.
ORLISTATE
O único fármaco atualmente licenciado (2017) no Reino Unido para o
tratamento da obesidade é o inibidor da lipase, orlistate, usado
concomitantemente com dieta e outras terapias (p. ex., exercício).
No intestino, o orlistate reage com resíduos de serina nos locais ativos
das lipases gástrica e pancreática, inibindo irreversivelmente essas enzimas
e, assim, impedindo a degradação da gordura da dieta a ácidos graxos e
glicerol. Portanto, ele reduz a absorção (e causa a eliminação fecal
correspondente) de cerca de 30% da gordura da dieta.
Administrado juntamente com dieta hipocalórica a indivíduos obesos,
produz uma perda de peso modesta, mas consistente, em comparação com
controles tratados com placebo. Em metanálise de 11 ensaios a longo prazo,
controlados com placebo, englobando mais de 6.000 pacientes, o orlistate
produziu uma redução do peso corporal 2,9% maior do que no grupo-
controle, e 12% mais pacientes perderam 10% ou mais do seu peso
corporal, em comparação com os controles (Padwal et al., 2003).
Relatou-se, também, que o orlistate é eficaz em pacientes portadores de
diabetes melito tipo 2 e outras complicações da obesidade. Ele reduz os
níveis de leptina e da pressão arterial, protege contra as alterações da
secreção biliar induzidas pela perda de peso, retarda o esvaziamento
gástrico e a secreção gástrica e melhora vários parâmetros metabólicos
importantes sem interferir na liberação ou ação dos hormônios da tireoide
ou outros hormônios importantes (Curran e Scott, 2004). Não induz
alteração no gasto de energia.
Aspectos farmacocinéticos e efeitos adversos
Virtualmente, quase todo o orlistate (97%) é eliminado nas fezes (83%
inalterados), sendo absorvidas apenas quantidades desprezíveis do fármaco
ou de seus metabólitos.
Podem ocorrer cólicas abdominais, flatos com secreção e incontinência
fecal, assim como borborigmo intestinal e manchas oleosas nas roupas.
Surpreendentemente, apesar da possibilidade de ocorrência desses efeitos
antissociais, o fármaco é bem tolerado. Pode ser necessária uma terapia
suplementar com vitaminas lipossolúveis. A absorção das pílulas
contraceptivas e da ciclosporina (ver Capítulo 27) pode ser reduzida. Em
geral, a redução da absorção das pílulas contraceptivas não é clinicamente
significativa, mas o caso da ciclosporina é mais grave. Devido ao seu bom
registro de segurança, o orlistate foi recentemente licenciado para ser
incluído com alguns medicamentos que não precisam de prescrição para
perda de peso.