Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 214 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Outros derivados importantes dos ácidos graxos

Leucotrienos

 

• Oxigenação do ácido araquidônico na 5-lipo-oxigenase para formar ácido 5-

hidroperoxitetraenoico (5-HPETE) que é convertido em leucotrieno (LT)A4. Por sua vez,

este pode ser convertido tanto em LTB4 ou em uma série de produtos com glutationa, os

leucotrienos cisteínicos LTC4, LTD4 e LTE4 • O LTB4, ao atuar em receptores especí cos, causa adesão, quimiotaxia e ativação de polimorfos e monócitos e estimula a proliferação e

produção de citocinas pelos macrófagos e linfócitos

• Os leucotrienos cisteínicos causam:

– Contração do músculo liso brônquico

– Vasodilatação na maior parte dos vasos, mas vasoconstrição coronária

• O LTB4 é um mediador importante em todos os tipos de in amação; os leucotrienos

cisteínicos são importantes na asma.

 

OUTROS DERIVADOS IMPORTANTES DOS ÁCIDOS GRAXOS

Os ácidos graxos insaturados, tais como ácido araquidônico, ácido

eicosapentaenoico e ácido docosa-hexaenoico, podem ser enzimaticamente

transformados em outros importantes mediadores lipídicos. Os metabólitos

do tri-hidroxiaraquidonato, denominados lipoxinas (ver Figuras 18.2 e

18.4), são formados pela ação combinada das enzimas 5- e 12- ou 15-lipo-

oxigenase durante a inflamação. As lipoxinas (Lx) atuam nos leucócitos

polimorfonucleares por intermédio de receptores acoplados à proteína G,

como o ALX (também conhecido como receptor de formil peptídio 2

[FPR2], que também reconhece outros fatores anti-inflamatórios, como

anexina A1), para se opor à ação dos estímulos pró-inflamatórios,

fornecendo o que pode ser chamado de “sinais de stop” para deter a

inflamação (Chandrasekharan e Sharma-Walia, 2015). O ácido

acetilsalicílico (um inibidor de COX, ver Capítulo 27) estimula a síntese de

lipoxinas porque a COX-2 ainda pode produzir ácidos graxos hidroxi

mesmo quando inibida por ácido acetilsalicílico e incapaz de sintetizar

prostaglandinas. A formação de lipoxinas provavelmente contribui para os

efeitos anti-inflamatórios do ácido acetilsalicílico, alguns dos quais não são

completamente explicados pela inibição da geração de prostaglandinas

(Gilroy e Perretti, 2005; Serhan, 2005).

As resolvinas (Rv) são, como o nome indica, uma série de compostos

que cumprem uma função semelhante, mas, ao contrário das lipoxinas, seu

ácido graxo precursor é o ácido eicosapentaenoico (RvE1-4) ou ácido

docosa-hexaenoico (RvD1-4). Os óleos de peixe são ricos nesses ácidos graxos, e é provável que pelo menos alguns dos seus benefícios anti-

inflamatórios sejam produzidos por meio da conversão para essas espécies

altamente ativas (ver Zhang e Spite, 2012, para uma revisão dessa área

fascinante). O RvD 1 atua por intermédio do sistema receptor ALX/FPR2

enquanto o RvE1 atua por meio de um GPCR chamado receptor de quemerina. Este sinaliza por intermédio do sistema G1/Gq para diminuir o

cAMP e liberar o cálcio intracelular. As resolvinas podem neutralizar a dor

inflamatória (Xu et al., 2010), e análogos estão sendo submetidos a ensaios

para o tratamento de uma série de condições inflamatórias (Lee e Surh,

2012). As maresinas (Ma) e protectinas são ácidos di-hidroxi gerados a

partir do ácido docosa-hexaenoico, também pelas ações das lipo-

oxigenases. As maresinas são predominantemente sintetizadas por

macrófagos e têm papel na resolução inflamatória. As protectinas (P) são

produzidas por linfócitos e provavelmente atuam para modular o

funcionamento do sistema imunológico, entre outras funções. Esta área, que

pode ser confusa até que se familiarize com as estruturas lipídicas, foi bem revisada por Sansbury e Spite (2016), Duvall e Levy (2016) e Serhan et al.