Rang e Dale: Farmacologia
Proteínas receptoras
bloqueia a captação de neurotransmissores de monoamina em terminais
nervosos; ver Capítulo 49).
A importância dos transportadores como fonte de variação individual nas
características farmacocinéticas de diferentes fármacos é cada vez mais
reconhecida (ver Capítulo 11).
PROTEÍNAS RECEPTORAS
CLONAGEM DE RECEPTORES
Nos anos 1970, a farmacologia entrou em uma nova fase quando os
receptores, que, até então, haviam sido entidades teóricas, começaram a
emergir como realidades bioquímicas como resultado do desenvolvimento
das técnicas de marcação (ver Capítulo 2), que tornaram possível extrair e
purificar o material do receptor.
Uma vez que as proteínas receptoras foram isoladas e purificadas, foi
possível analisar a sequência de aminoácidos de um pequeno trecho,
permitindo que a sequência básica do mRNA fosse deduzida e que um DNA
completo fosse isolado, por métodos de clonagem convencionais, a começar
de uma biblioteca de DNAc obtida de um tecido-fonte rico no receptor de
interesse. Os primeiros clones de receptor foram obtidos dessa maneira. Mais
tarde, foram amplamente usadas a clonagem por expressão e, com a
sequenciação de todo o genoma humano de várias espécies, incluindo o ser
humano, também as estratégias de clonagem com base na homologia de
sequências, que não requerem isolamento e purificação prévios da proteína
receptora. Assim, atualmente, algumas centenas de receptores de todas as
quatro famílias estruturais (ver Figura 3.3) foram clonadas. Os dados da
sequência assim obtidos revelaram muitas variantes moleculares (subtipos) de
receptores conhecidos que não tinham sido evidenciados a partir de estudos farmacológicos (IUPHAR/BPS, Guia de Farmacologia). Muito continua por
ser descoberto sobre o significado farmacológico, funcional e clínico deste
abundante polimorfismo molecular. Espera-se, no entanto, que tais variações
sejam responsáveis por parte da variabilidade entre indivíduos em resposta a
agentes terapêuticos (ver Capítulo 12).
Os ligantes endógenos de muitos desses novos receptores identificados
pela clonagem genética permanecem desconhecidos até então, sendo
descritos como “receptores órfãos”.2 A identificação de ligantes para esses
presumidos receptores é, em geral, difícil. Cada vez existem mais exemplos
(p. ex., receptores de ácidos graxos livres) em que ligantes endógenos
importantes foram vinculados a receptores até então órfãos. Há certo
otimismo de que irão surgir novos agentes terapêuticos cujo alvo seja esse
grupo de receptores órfãos.
Muitas informações foram obtidas pela introdução, em linhagens
celulares, do DNA clonado que codifica os receptores individuais,
produzindo, assim, células capazes de expressar os receptores importados de
forma funcional. Tais células manipuladas permitem um controle muito mais
preciso dos receptores expressos do que seria possível com células naturais
ou tecidos intactos, e a técnica é amplamente utilizada para estudar as
características farmacológicas e de ligação dos receptores clonados. Os
receptores humanos expressados, que, em geral, diferem em sequência e nas
propriedades farmacológicas de seus correspondentes em animais, podem ser
estudados dessa maneira.
Obter cristais de uma proteína permite a análise de sua estrutura em alta
resolução por meio de técnicas de difração de raios X, mas, infelizmente,
como muitos receptores são normalmente inseridos em lipídios de membrana,
estes têm sido até recentemente difíceis de cristalizar. Boa parte da
informação obtida está relacionada com a forma como os ligantes se unem
aos receptores, mas agora estamos começando a aprender mais sobre as mudanças conformacionais dos receptores induzidas pelos agonistas e de