Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 641 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Bactérias

adversas (i. e., se o hospedeiro estiver imunocomprometido ou se uma

quebra de barreira resultar na colonização de qualquer outra localização

inapropriada do corpo humano).

Todos os organismos vivos podem ser classificados como procariontes,

células sem núcleo (p. ex., bactérias), ou eucariontes, células com núcleo

(p. ex., protozoários, fungos, helmintos). Em uma categoria separada estão

os vírus, que necessitam utilizar a maquinaria metabólica da célula

hospedeira para se replicar, constituindo, como tal, um tipo especial de

problema para o ataque quimioterápico. Escondidos nas sombras

taxonômicas estão os misteriosos agentes proteináceos, os príons (ver

Capítulo 40), que causam doença, mas resistem a todas as tentativas de

classificação e tratamento.

Virtualmente, todas as criaturas, hospedeiro e parasito, têm o mesmo

plano básico de DNA (com exceção dos vírus de RNA), pelo que muitos

processos bioquímicos são comuns à maior parte, se não a todos, os

organismos. Encontrar agentes que afetem os patógenos, mas não outras

células humanas, requer a identificação de diferenças bioquímicas

quantitativas ou qualitativas entre eles.

 

BACTÉRIAS

As bactérias são uma causa comum de doenças infecciosas leves e graves, e

a Figura 51.1 mostra, de maneira diagramática simplificada, os principais

componentes de uma célula bacteriana nocional e suas funções. Em torno

da bactéria está a parede celular, que caracteristicamente contém

peptidoglicanos (exceto no Mycoplasma). O peptidoglicano é único das

células procariontes e não tem equivalente em eucariontes. Na parede

celular está a membrana plasmática, que, tal como a das células eucariontes, consiste em uma bicamada fosfolipídica e proteínas. Funciona

como uma membrana seletivamente permeável a mecanismos de transporte

específicos para vários nutrientes. No entanto, nas bactérias, a membrana

plasmática não contém quaisquer esteróis (p. ex., colesterol), e isso pode

alterar a penetração de algumas substâncias químicas.

A parede celular suporta a membrana plasmática subjacente, que é

sujeita à pressão osmótica interna de cerca de 5 atmosferas nos organismos

gram-negativos e cerca de 20 atmosferas nos organismos gram-positivos

(ver Capítulo 52 para uma explicação completa da coloração de Gram). A

membrana plasmática e a parede celular juntas constituem o invólucro

bacteriano.

Figura 51.1 Diagrama da estrutura e do metabolismo de uma célula bacteriana

“típica”. A. Representação esquemática de uma célula bacteriana. B. Fluxograma que mostra a síntese dos principais tipos de macromoléculas de uma célula bacteriana. Reações de classe I resultam na síntese de moléculas precursoras necessárias para as reações de classe II, que resultam na síntese de moléculas constituintes; estas são depois montadas em macromoléculas por reações de classe III. (Modificada a partir de Mandelstam, J., McQuillen, K., Dawes, I. (Eds). 1982. Biochemistry of Bacterial growth. Blackwell Scientific, Oxford.)

 

Tal como nas células eucariontes, a membrana plasmática rodeia o

citoplasma e as organelas celulares. As células bacterianas não têm núcleo

ou mitocôndrias. Em vez disso, o material genético, na forma de um único

cromossomo contendo toda a informação genética, localiza-se no citoplasma sem membrana nuclear circundante, e a energia celular é gerada

por sistemas enzimáticos localizados na membrana plasmática, e não em

organelas dedicadas.

Reações bioquímicas que são potenciais alvos para fármacos

antibacterianos são mostradas na Figura 51.1. Estas podem ser classificadas

em três grupos:

 

• Classe I: as reações catabólicas envolvidas na utilização de glicose, ou

outra fonte de carbono alternativa, para a geração de energia (ATP) e

síntese de compostos de carbono simples usados como precursores na

próxima classe de reações

• Classe II: vias sintéticas que utilizam estes precursores em uma síntese

dependente de energia de todos os aminoácidos, nucleotídios,

fosfolipídios, aminoaçúcares, carboidratos e fatores de crescimento

necessários para sobrevivência e crescimento celular

• Classe III: reações anabólicas que juntam essas pequenas moléculas em

macromoléculas – proteínas, RNA, DNA, polissacarídios e

peptidoglicano.

 

Outros potenciais alvos farmacológicos incluem estruturas formadas, por

exemplo, a membrana celular, os microtúbulos nos fungos ou tecido

muscular nos helmintos. Considerando esses alvos, será dada ênfase às

bactérias, mas também será feita referência aos protozoários, helmintos,

fungos e vírus. A classificação a seguir não é inflexível; um fármaco pode

afetar mais de uma classe de reações ou mais de um subgrupo de reações

em uma classe.