Rang e Dale: Farmacologia
Introdução
“Câncer” caracteriza-se pela multiplicação descontrolada e a disseminação
de formas anormais de células do próprio corpo. É a segunda causa de
morte nos países desenvolvidos, somente atrás da doença cardiovascular, e
uma em cada duas pessoas nascida antes de 1960 terá um diagnóstico de
algum tipo de câncer durante a vida. De acordo com o Cancer Research UK
(2016), mais de 356.000 novos casos foram relatados no Reino Unido em
2014, e a mortalidade foi superior a 163.000 (panorama global, 8,8
milhões). O câncer é responsável por aproximadamente 30% de todas as
mortes no Reino Unido. O câncer de pulmão e o de intestino são as
neoplasias mais comuns, seguidos pelo câncer de mama e de próstata. As
estatísticas da maioria dos outros países do mundo desenvolvido são
semelhantes.
Uma comparação da incidência de câncer nos últimos 100 anos dá a
impressão de que a doença tem aumentando nos países desenvolvidos, mas
não é o caso. O câncer ocorre principalmente na fase tardia da vida adulta e,
com os avanços na saúde pública e na ciência médica, muito mais pessoas
vivem agora até uma idade em que a malignidade é comum.1
Os termos câncer, malignidade e tumor maligno são frequentemente
utilizados como sinônimos.2 Tanto o tumor benigno quanto o maligno
manifestam proliferação descontrolada, mas este último distingue-se por
sua capacidade para desdiferenciação, invasividade e capacidade de
metastatizar (espalhar-se para outras partes do corpo). O aparecimento
dessas características anormais reflete padrões alterados de expressão
genética nas células cancerígenas, resultantes de mutações hereditárias ou
adquiridas.
Existem três abordagens principais para o tratamento do câncer
estabelecido – excisão cirúrgica, irradiação e tratamento farmacológico (anteriormente, muitas vezes chamado de quimioterapia, mas hoje, com