Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 5 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Seção 1 Princípios Gerais

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Este capítulo introdutório explica como a farmacologia surgiu e evoluiu

como disciplina científica, descrevendo a estrutura atual do tema e suas

associações com outras ciências biomédicas. Sua configuração constitui a

base da organização do restante deste livro. Os leitores ansiosos para se

atualizarem sobre farmacologia podem, sem receio, pular este capítulo.

 

O QUE É UM FÁRMACO?

Para os propósitos deste livro, um fármaco pode ser definido como uma

substância química de estrutura conhecida, que não seja um nutriente ou

um ingrediente1 essencial da dieta, o qual, quando administrado a um

organismo vivo, produz um efeito biológico.

Alguns pontos merecem ser observados. Fármacos podem ser

substâncias químicas sintéticas, substâncias químicas obtidas a partir de

plantas ou animais ou produtos de biotecnologia (biofármacos). Um

medicamento é uma preparação química que, em geral – mas não

necessariamente –, contém um ou mais fármacos, administrado com a

intenção de produzir determinado efeito terapêutico. Em geral, os medicamentos contêm outras substâncias (excipientes, conservantes,

solventes etc.) ao lado do fármaco ativo, a fim de tornar seu uso mais

conveniente. Para que a substância seja considerada um fármaco, deve ser

administrada como tal, em vez de ser liberada por mecanismos fisiológicos.

Várias substâncias, como insulina ou tiroxina, são hormônios endógenos,

mas também são fármacos quando intencionalmente administradas. Muitos

fármacos não são usados normalmente em medicina, mas se revelam úteis

ferramentas de pesquisa. A definição de fármacos também inclui as toxinas,

que, da mesma forma, não são geralmente administradas na prática clínica,

mas ainda assim são ferramentas farmacológicas fundamentais. Na

linguagem comum, a palavra droga está frequentemente associada a

substâncias psicoativas e à dependência – infelizmente, conotações

negativas que tendem a influenciar a opinião desinformada contra qualquer

forma de terapia química. Neste livro, nos concentramos principalmente nos

fármacos usados para fins terapêuticos, mas também descrevemos fármacos

psicoativos e fornecemos exemplos importantes de substâncias usadas

como ferramentas experimentais. Os venenos caem estritamente dentro da

definição de drogas, e na verdade, “todos os fármacos são venenos (…)

apenas a dose diferencia veneno de um fármaco” (um aforismo creditado a

Paracelso, um médico suíço do século XVI). Por outro lado, os venenos

podem ser agentes terapêuticos eficazes quando administrados em doses

subtóxicas. A toxina botulínica (ver Capítulo 14) fornece um exemplo

notável: é o veneno mais potente conhecido em relação à sua dose letal,

mas é amplamente utilizada tanto como medicamento quanto como

cosmético. Aspectos gerais dos efeitos nocivos dos fármacos são

considerados no Capítulo 58. A toxicologia é o estudo dos efeitos tóxicos

das substâncias químicas (incluindo fármacos), e os testes toxicológicos são

realizados em novas entidades químicas durante o seu desenvolvimento