Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 596 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Mecanismo de ação dos antidepressivos

responsáveis pelos

efeitos

antidepressivos

a Outros ADT incluem dosulepina, doxepina, lofepramina, trimipramina.

bOutros inibidores da captação 5-HT/NE incluem milnaciprana e levomilnaciprana.

5-HT, 5-hidroxitriptamina; TDAH, transtorno do dé cit de atenção com hiperatividade; SNC, sistema nervoso; GI, gastrintestinal;

IV, intravenoso; MAO, monoamina oxidase; NE, norepinefrina; ISRS, inibidor seletivo da recaptação de setoronina; ADT,

antidepressivos tricíclicos.

 

MECANISMO DE AÇÃO DOS ANTIDEPRESSIVOS

 

Alterações adaptativas crônicas

Em virtude da discrepância entre o rápido início dos efeitos neuroquímicos

da maioria dos fármacos antidepressivos e do início demorado de seus

efeitos antidepressivos, têm sido realizados esforços para determinar se os

benefícios terapêuticos ocorrem devido a lentas alterações adaptativas

induzidas pela exposição crônica a esses fármacos (Racagni e Popoli,

2008).

Esse enfoque levou à descoberta de que certos receptores de

monoaminas, em particular os receptores β1 e α2-adrenérgicos, são consistentemente infrarregulados após o tratamento crônico com

antidepressivos e, em alguns casos, também pela ECT. Isso pode ser

demonstrado em animais de experimentação pela redução no número de

pontos de ligação, bem como pela redução da resposta funcional aos

agonistas (p. ex., estimulação da formação de cAMP pelos agonistas dos

receptores beta-adrenérgicos). Provavelmente, também ocorre

infrarregulação em humanos, visto que as respostas endócrinas à clonidina,

agonista dos receptores α2-adrenérgicos, são reduzidas pelo tratamento a longo prazo com antidepressivos. No entanto, a relevância desses achados quanto à resposta antidepressiva não está clara. A perda de receptores β-

adrenérgicos, como fator para amenizar a depressão, não se encaixa

confortavelmente na teoria, porque os antagonistas dos receptores β-

adrenérgicos não são antidepressivos.

Com relação à administração aguda, deveríamos esperar a inibição da

recaptação da 5-HT (p. ex., pelo ISRS) para elevar o nível de 5-HT na

sinapse, por meio da inibição da recaptação deste para o terminal neural.

Entretanto, foi observado que o aumento nos níveis de 5-HT sinápticos é

menor que o esperado. Isso ocorre em virtude da ativação aumentada de 5-

HT1A nos receptores do corpo celular, e os dendritos dos neurônios da rafe

inibem esses neurônios e, assim, reduzem a liberação de 5-HT (Figura

48.3A), anulando, em certa medida, seu efeito inibitório sobre a recaptação

de 5-HT para o interior dos terminais nervosos. Em um tratamento

prolongado com esses fármacos, a elevação dos níveis de 5-HT na região

somatodendrítica dessensibiliza os receptores 5-HT 1A, reduzindo seu efeito inibitório sobre a liberação de 5-HT pelos terminais nervosos.

 

Controle noradrenérgico da liberação de 5-HT

O bloqueio dos autorreceptores pré-sinápticos α 2 nas terminações nervosas noradrenérgicas, ao longo do sistema nervoso central (SNC), reduzirá o

mecanismo de retroalimentação negativa da liberação de norepinefrina e,

portanto, aumentará a liberação futura de norepinefrina (ver Capítulos 15 e

38). Além disso, os antagonistas dos receptores α2-adrenérgicos podem, indiretamente, aumentar a liberação de 5-HT.

O efeito de um antagonista de receptor α 2-adrenérgico sobre a norepinefrina sináptica e sobre os níveis de 5-HT seria rápido no início e,

portanto, essas mudanças, de alguma forma, devem induzir outras respostas adaptativas mais lentas que dariam origem ao demorado desenvolvimento