Rang e Dale: Farmacologia
Derivados de plantas
Fármacos anticâncer | Antibióticos citotóxicos
• A doxorrubicina inibe a síntese de DNA e RNA; o efeito no DNA se dá principalmente pela
interferência na ação da topoisomerase II. Os efeitos adversos incluem náuseas, vômitos,
mielossupressão e alopecia. O fármaco é cardiotóxico em doses elevadas
• A bleomicina causa fragmentação das cadeias do DNA. O fármaco age em células em não
divisão. Os efeitos adversos incluem febre, alergias, reações mucocutâneas e brose
pulmonar. Virtualmente, não há nenhuma mielossupressão
• A dactinomicina intercala-se no DNA, interferindo na RNA-polimerase e inibindo a
transcrição. Também afeta a ação da topoisomerase II. Os efeitos adversos incluem
náuseas, vômitos e mielossupressão
• A mitomicina é ativada para produzir um metabólito alquilante.
DERIVADOS DE PLANTAS
Vários produtos vegetais que ocorrem naturalmente exercem potentes
efeitos citotóxicos e têm aplicação como medicamentos anticancerígenos.
■ Alcaloides da vinca
Os alcaloides da vinca derivam da Madagascar periwinkle (Catharanthus
roseus). Os principais membros do grupo são vincristina, vimblastina e
vindesina. A vinflunina (um alcaloide da vinca fluorado) e a vinorelbina
são alcaloides de vinca semissintéticos com propriedades semelhantes. Os
fármacos ligam-se à tubulina e inibem a polimerização em microtúbulos,
impedindo a formação do fuso nas células em divisão e originando a parada
na metáfase. Seus efeitos manifestam-se apenas durante a mitose. Eles
também inibem outras atividades celulares que requerem o funcionamento microtubular, como a fagocitose de leucócitos e a quimiotaxia, bem como o
transporte axonal em neurônios.
Os efeitos adversos dos alcaloides da vinca diferem de outros fármacos
anticâncer. A vincristina tem atividade mielossupressora muito leve, mas é
neurotóxico e comumente causa parestesia (alterações sensoriais), dor
abdominal e fraqueza. A vimblastina é menos neurotóxica, mas causa
leucopenia, enquanto a vindesina apresenta mielotoxicidade e
neurotoxicidade moderadas. Todos os membros do grupo podem causar
alopecia reversível.
■ Paclitaxel e compostos relacionados
Esses taxanos são derivados de um composto que ocorre naturalmente,
encontrado na casca da árvore do teixo do Pacífico (Taxus spp.). O grupo
inclui paclitaxel e os derivados semissintéticos docetaxel e cabazitaxel.
Esses agentes atuam nos microtúbulos, estabilizando-os (na verdade,
“congelando-os”) no estado polimerizado e alcançando efeito semelhante
ao dos alcaloides da vinca. Esses fármacos normalmente são administrados
por infusão intravenosa. Em geral, são utilizados para tratar câncer de
mama e de pulmão, e o paclitaxel, juntamente com a carboplatina, é o
tratamento de escolha para câncer de ovário.
Os efeitos adversos, que podem ser graves, incluem supressão da
medula óssea e neurotoxicidade cumulativa. A retenção hídrica resistente
(particularmente edema das pernas) pode ocorrer com o docetaxel. A
hipersensibilidade a esses compostos é comum e requer pré-tratamento com
corticosteroides e anti-histamínicos.
■ Camptotecinas As camptotecinas irinotecano e topotecana, isoladas do tronco da árvore
Camptotheca acuminata, ligam-se a e inibem a topoisomerase I, cujos
níveis elevados estão presentes durante todo o ciclo celular. Diarreia e
depressão reversível da medula óssea são eventos possíveis, mas, em geral,
esses alcaloides provocam menos efeitos adversos que a maioria dos outros
agentes anticâncer.
■ Etoposídeo
O etoposídeo é um derivado da raiz da mandrágora (Podophyllum
peltatum). Seu modo de ação ainda não está completamente esclarecido,
mas pode ocorrer pela inibição da função mitocondrial e no transporte de
nucleosídio, bem como na topoisomerase II, semelhante ao efeito observado
com a doxorrubicina. Os efeitos adversos incluem náuseas e vômitos,
mielossupressão e alopecia.
▼ Compostos de esponjas marinhas. Eribulina é um composto que
ocorre naturalmente nas esponjas marinhas. Sua principal ação inibitória
sobre a divisão celular é por meio da inibição da função dos
microtúbulos. A trabectedina, outro composto derivado de esponjas
marinhas, também perturba o DNA, mas utiliza um mecanismo
relacionado ao superóxido.