Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 217 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

19 Hormônios Locais 2 | Peptídios e Proteínas

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Tendo discutido no capítulo anterior os hormônios locais de pequenas

moléculas, debruçamo-nos agora sobre os peptídios e as proteínas, que

apresentam maior ordem de grandeza em termos moleculares. Este constitui

um grupo muito diverso e, ao contrário de outros descritos no Capítulo 18,

inclui substâncias (p. ex., citocinas) que parecem estar relacionadas

exclusivamente com a defesa do hospedeiro. Começamos com algumas

observações gerais introdutórias sobre a síntese e a secreção de proteínas e

de peptídios. Posteriormente, abordaremos a bradicinina, os neuropeptídios

e as citocinas (interleucinas, quimiocinas e interferonas) com mais detalhes.

Finalmente, concluiremos o capítulo com algumas notas sobre outras

proteínas e peptídios que promovem a infrarregulação (down-regulation) da

inflamação.

 

INTRODUÇÃO

Apesar de vários mediadores descobertos no início da história da nossa

disciplina terem sido reconhecidos como peptídios, a compreensão da sua

farmacologia era limitada até os anos 1970, quando as técnicas de

purificação, sequenciamento e síntese de peptídios e proteínas foram

primeiramente desenvolvidas. O desenvolvimento da cromatografia líquida

de alto desempenho e a síntese de peptídios em fase sólida, por exemplo,

vieram acelerar bastante o desenvolvimento dessa área e, enquanto as

proteínas que contêm 50 ou mais aminoácidos eram (e ainda são) difíceis de

sintetizar quimicamente, as técnicas de biologia molecular forneceram uma

rápida via sintética alternativa. De fato, o uso de proteínas recombinantes

como agentes terapêuticos – um desenvolvimento conduzido, sobretudo,

pela indústria de biotecnologia emergente – começa a ganhar terreno

rapidamente (ver Capítulo 5).

O uso da biologia molecular também ajudou na compreensão da

farmacologia de peptídios e proteínas em muitos outros contextos. A

disponibilidade de anticorpos monoclonais para os radioimunoensaios e a

imunocitoquímica resolveu uma série de problemas quantitativos. Animais

transgênicos com deleção nos genes de receptores ou de peptídios, com

superexpressão ou mutados, fornecem chaves importantes acerca das suas

funções, como foi o caso do uso de oligonucleotídios antisense, siRNA e

tecnologias de edição genética (CRISPR-Cas9) (ver também Capítulo 5) em

silenciar esses genes para fins experimentais. O controle da síntese de

precursores pode ser estudado indiretamente por meio da medição de

mRNA, para o qual foram desenvolvidos ensaios com elevadas

especificidade e sensibilidade, que são capazes de analisar o mRNA em

uma única célula. A técnica de hibridização in situ permite a localização e a

quantificação de mRNA a ser mapeada por resolução microscópica.