Rang e Dale: Farmacologia
19 Hormônios Locais 2 | Peptídios e Proteínas
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Tendo discutido no capítulo anterior os hormônios locais de pequenas
moléculas, debruçamo-nos agora sobre os peptídios e as proteínas, que
apresentam maior ordem de grandeza em termos moleculares. Este constitui
um grupo muito diverso e, ao contrário de outros descritos no Capítulo 18,
inclui substâncias (p. ex., citocinas) que parecem estar relacionadas
exclusivamente com a defesa do hospedeiro. Começamos com algumas
observações gerais introdutórias sobre a síntese e a secreção de proteínas e
de peptídios. Posteriormente, abordaremos a bradicinina, os neuropeptídios
e as citocinas (interleucinas, quimiocinas e interferonas) com mais detalhes.
Finalmente, concluiremos o capítulo com algumas notas sobre outras
proteínas e peptídios que promovem a infrarregulação (down-regulation) da
inflamação.
INTRODUÇÃO
Apesar de vários mediadores descobertos no início da história da nossa
disciplina terem sido reconhecidos como peptídios, a compreensão da sua
farmacologia era limitada até os anos 1970, quando as técnicas de
purificação, sequenciamento e síntese de peptídios e proteínas foram
primeiramente desenvolvidas. O desenvolvimento da cromatografia líquida
de alto desempenho e a síntese de peptídios em fase sólida, por exemplo,
vieram acelerar bastante o desenvolvimento dessa área e, enquanto as
proteínas que contêm 50 ou mais aminoácidos eram (e ainda são) difíceis de
sintetizar quimicamente, as técnicas de biologia molecular forneceram uma
rápida via sintética alternativa. De fato, o uso de proteínas recombinantes
como agentes terapêuticos – um desenvolvimento conduzido, sobretudo,
pela indústria de biotecnologia emergente – começa a ganhar terreno
rapidamente (ver Capítulo 5).
O uso da biologia molecular também ajudou na compreensão da
farmacologia de peptídios e proteínas em muitos outros contextos. A
disponibilidade de anticorpos monoclonais para os radioimunoensaios e a
imunocitoquímica resolveu uma série de problemas quantitativos. Animais
transgênicos com deleção nos genes de receptores ou de peptídios, com
superexpressão ou mutados, fornecem chaves importantes acerca das suas
funções, como foi o caso do uso de oligonucleotídios antisense, siRNA e
tecnologias de edição genética (CRISPR-Cas9) (ver também Capítulo 5) em
silenciar esses genes para fins experimentais. O controle da síntese de
precursores pode ser estudado indiretamente por meio da medição de
mRNA, para o qual foram desenvolvidos ensaios com elevadas
especificidade e sensibilidade, que são capazes de analisar o mRNA em
uma única célula. A técnica de hibridização in situ permite a localização e a
quantificação de mRNA a ser mapeada por resolução microscópica.