Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 344 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Fisiologia da respiração

CONTROLE DA RESPIRAÇÃO

A respiração é controlada por descargas rítmicas espontâneas que partem do

centro respiratório no bulbo, moduladas por aferências provenientes de

centros pontinos e de centros mais altos do sistema nervoso central (SNC),

assim como de aferentes vagais dos pulmões. Vários fatores químicos

afetam o centro respiratório, incluindo a pressão parcial de dióxido de

carbono no sangue arterial (PACO2), por ação sobre os quimiorreceptores

bulbares, e a do oxigênio (P O A2), por ação sobre os quimiorreceptores nos glomos caróticos.

Certo controle voluntário pode se sobrepor à regulação automática da

respiração, implicando conexões entre o córtex e os neurônios motores que

inervam os músculos da respiração. A poliomielite bulbar e certas lesões no

tronco encefálico acarretam perda da regulação automática da respiração,

sem perda da regulação voluntária.1

 

REGULAÇÃO DA MUSCULATURA, DOS VASOS E DAS

GLÂNDULAS DAS VIAS RESPIRATÓRIAS

Os receptores de irritantes e os nervos aferentes não mielinizados

respondem a irritantes químicos e ao ar frio, bem como a mediadores

inflamatórios. As vias eferentes que controlam as vias respiratórias

compreendem nervos parassimpáticos colinérgicos e nervos inibitórios não

adrenérgicos, não colinérgicos (NANC) (ver Capítulo 13). As vias

respiratórias doentes também sofrem influência de mediadores

inflamatórios (ver Capítulo 18) e outros broncoconstritores NANC.

O tônus do músculo brônquico influencia a resistência das vias

respiratórias, que também é afetada pelo estado da mucosa e a atividade das

glândulas da submucosa secretoras de muco nos pacientes com asma e bronquite. A resistência das vias respiratórias pode ser medida

indiretamente por instrumentos que registram o volume ou o fluxo da

expiração forçada. VEF1 é o volume expiratório forçado em 1 s. O pico do fluxo expiratório (PFE) é o fluxo máximo (expresso em ℓ/min) após uma

inspiração completa; este é mais simples de medir ao pé do leito em relação

ao VEF 1, do qual é muito próximo.

 

Vias eferentes

 

■ Inervação autônoma

Uma revisão sobre a inervação autônoma das vias respiratórias humanas

está em Van der Velden e Hulsmann (1999).

Inervação parassimpática. A inervação parassimpática dos músculos

lisos brônquicos predomina. Os gânglios parassimpáticos estão imersos nas

paredes dos brônquios e bronquíolos, e as fibras pós-ganglionares inervam

os músculos lisos das vias respiratórias, os músculos lisos vasculares e as

glândulas. Cinco tipos de receptores muscarínicos (M) estão presentes (ver

Capítulo 14, Tabela 14.2). Os receptores M 3, farmacologicamente, são os mais importantes na doença das vias respiratórias. São encontrados na

musculatura lisa e nas células glandulares dos brônquios e medeiam a

constrição brônquica e a secreção de muco. Os receptores M 1 estão localizados nos gânglios e nas células pós-sinápticas e facilitam a

neurotransmissão nicotínica, enquanto os receptores M 2 são autorreceptores inibitórios que medeiam a retroalimentação negativa sobre a liberação de

acetilcolina por nervos colinérgicos pós-ganglionares. A estimulação do

vago causa broncoconstrição – principalmente nas grandes vias

respiratórias. Discute-se adiante a possível relevância clínica da

heterogeneidade dos receptores muscarínicos nas vias respiratórias.

Uma população distinta de nervos NANC (ver Capítulo 13) também

regula as vias respiratórias. Dentre os broncodilatadores liberados por esses

nervos estão o polipeptídio intestinal vasoativo (ver Tabela 13.2) e o óxido

nítrico (NO; ver Capítulo 21).

Inervação simpática. Os nervos simpáticos inervam as glândulas e os

vasos traqueobrônquicos, mas não a musculatura lisa das vias respiratórias

humanas. Os agonistas β-adrenérgicos, contudo, expressam-se

abundantemente na musculatura lisa das vias respiratórias humanas (bem

como nos mastócitos, no epitélio, nas glândulas e nos alvéolos). Os

agonistas β, por sua vez, relaxam a musculatura lisa brônquica, inibem a

liberação de mediadores dos mastócitos e aumentam a depuração

mucociliar. No homem, os agonistas β-adrenérgicos nas vias respiratórias

são da variedade β2.

Além da inervação autônoma, fibras sensoriais não mielinizadas ligadas

a receptores de irritantes nos pulmões liberam taquicininas como substância

P, neurocinina A e neurocinina B (ver Capítulo 19), produzindo inflamação

neurogênica.

 

Receptores sensitivos e vias aferentes

Receptores de estiramento de adaptação lenta controlam a respiração por

intermédio do centro respiratório. Também são importantes fibras C

sensitivas não mielinizadas e receptores de irritantes de adaptação rápida

associados a fibras vagais mielinizadas.

Estímulos físicos ou químicos, atuando sobre receptores de irritantes em

fibras mielinizadas nas vias respiratórias superiores e/ou receptores das

fibras C nas vias respiratórias inferiores, causam tosse, broncoconstrição e

secreção de muco. Tais estímulos incluem ar frio e irritantes, como amônia,

dióxido de enxofre, fumaça de cigarro e a ferramenta farmacológica