Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 631 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Tolerância e dependência

com metanol é bastante comum, e este era tratado com a administração

de altas doses de etanol, que age retardando o metabolismo do metanol

pela competição com a álcool desidrogenase. O fomepizol inibe a

álcool desidrogenase e é o preferido atualmente, se disponível. Tal

tratamento pode ser feito em conjunto com hemodiálise para remover

metanol inalterado, que tem um pequeno volume de distribuição.

Envenenamento com etilenoglicol, usado em fluido anticongelante e de

freios automotivos, é uma emergência médica. É rapidamente absorvido

a partir do intestino e metabolizado a glicolato e depois mais lentamente

a oxalato. O glicolato interfere nos processos metabólicos e produz

acidose metabólica. Afeta cérebro, coração e rins. O tratamento é feito

com fomepizol ou, de forma cuidadosa, com etanol,15 e hemodiálise.

 

TOLERÂNCIA E DEPENDÊNCIA

A tolerância aos efeitos do etanol pode ser demonstrada tanto em seres

humanos quanto em animais de laboratório, na grandeza de redução na

potência de duas a três vezes ocorrendo ao longo de 1 a 3 semanas de

administração continuada de etanol. Uma pequena parte disso deve-se à

eliminação mais rápida do etanol. O principal componente é a tolerância

celular, responsável por uma diminuição de praticamente duas vezes na

potência e que pode ser observada in vitro (p. ex., ao medir o efeito

inibitório do etanol na liberação de transmissores dos sinaptossomos), bem

como in vivo. O mecanismo desta tolerância não é conhecido. A tolerância

ao etanol está associada à tolerância a muitos agentes anestésicos, e em

geral é difícil anestesiar alcoólatras.

Metabolismo do etanol

 

• O etanol é metabolizado principalmente pelo fígado, primeiro pela álcool desidrogenase

a acetaldeído, e depois pela aldeído desidrogenase a acetato. Cerca de 25% do acetaldeído

é metabolizado extra-hepaticamente

• Pequenas quantidades de etanol são excretadas na urina e no ar expirado

• O metabolismo hepático demonstra cinética de saturação, principalmente por causa da

disponibilidade limitada da dinucleotídio de nicotinamida e adenina (NAD+). A taxa

máxima do metabolismo do etanol é de cerca de 10 ml/h. Sendo assim, a concentração

plasmática cai de forma linear e não exponencial

• O acetaldeído pode produzir efeitos tóxicos. A inibição da aldeído desidrogenase pelo

dissul ram acentua náuseas etc., causada pelo acetaldeído, e pode ser usada na terapia

de aversão

• De forma semelhante, o metanol é metabolizado a ácido fórmico, que é tóxico,

especialmente para a retina

• A população asiática tem uma taxa elevada de polimor smo de álcool e aldeído

desidrogenase, associadas ao alcoolismo e à intolerância ao álcool, respectivamente.

 

A administração crônica de etanol produz várias mudanças nos

neurônios do SNC, que tendem a se opor aos efeitos celulares agudos que

ela produz. Há uma pequena redução na densidade dos receptores GABA A e uma proliferação de canais de cálcio regulados por voltagem e receptores

NMDA.

Uma síndrome de abstinência física bem-definida desenvolve-se em

resposta à retirada do etanol. Assim como com a maioria das substâncias

que causam dependência, isso provavelmente é importante como fator a

curto prazo na sustentação do hábito do fármaco, mas outros fatores (principalmente psicológicos) são mais importantes a longo prazo (ver