Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 562 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Outros fármacos potencialmente ansiolíticos

eles se desligam da realidade. O risco de superdosagem é aumentado com o

uso concomitante de álcool. A tolerância e a dependência física ocorrem

como descritos anteriormente.

 

OUTROS FÁRMACOS POTENCIALMENTE ANSIOLÍTICOS

O transtorno de estresse pós-traumático (PTSD) é causado pela experiência

de eventos perturbadores, causadores de estresse ou assustadores. Com

frequência, quem sofre desse transtorno revive os eventos traumáticos com

pesadelos e recordações e pode ter sentimentos de isolamento, irritabilidade

e culpa. Os sintomas incluem ansiedade, depressão e insônia. Se o

tratamento com terapias psicológicas for malsucedido, então pode ser

tentada a terapia farmacológica com fármacos ansiolíticos/antidepressivos

(ver Capítulo 48) como os ISRS (p. ex., paroxetina, sertralina e

mirtazapina), um antidepressivo tricíclico (amitriptilina) ou um inibidor

da monoamina oxidase (fenelzina). Além disso, os agentes hipnóticos (ver

adiante) podem ajudar no sono.

Um desenvolvimento recente foi a percepção de que as memórias

negativas e desagradáveis que causam o medo não são necessariamente

permanentes. Quando essas memórias são reativadas (lembradas), elas

voltam transitoriamente para um estado lábil que pode ser interrompido.

Nos humanos, o propranolol administrado antes da reativação da memória

pode apagar as memórias negativas (Lonergan et al., 2013). Cetamina,

psilocibina, dietilamida do ácido lisérgico (LSD) e 3,4-

metilenodioximetanfetamina (MDMA ou ecstasy) podem ter efeito

semelhante. Assim, a interrupção de memórias desagradáveis pode

constituir um novo tratamento para o PTSD.

Além dos mecanismos do GABA e do 5-HT discutidos anteriormente,

muitos outros transmissores e hormônios foram implicados nos transtornos

de ansiedade e pânico, em particular norepinefrina, glutamato, melatonina,

fator liberador de corticotrofina, colecistocinina (CCK), substância P,

neuropeptídio Y, galanina, orexinas e neuroesteroides. Os fármacos

ansiolíticos dirigidos a esses alvos estão em desenvolvimento (Murrough et

al., 2015). Alguns canabinoides (ver Capítulo 20) podem ter propriedades

ansiolíticas.

Benzodiazepínicos

 

• Atuam pela ligação a um ponto modulador alostérico especí co no receptor GABAA,

aumentando assim o efeito inibitório do GABA. Existem subtipos do receptor GABAA em

regiões diferentes do cérebro e diferem nos seus efeitos funcionais

• Os benzodiazepínicos ansiolíticos são agonistas nesse ponto modulador. Outros

benzodiazepínicos (p. ex., umazenil) são antagonistas ou moduladores alostéricos

negativos fracos e previnem as ações dos benzodiazepínicos ansiolíticos. Os moduladores

alostéricos negativos fortes (não usados clinicamente) são ansiogênicos e pro-

convulsivantes

• Os efeitos ansiolíticos são mediados pelos receptores GABAA que contêm a subunidade α2,

enquanto a sedação ocorre por intermédio da subunidade a1

• Os benzodiazepínicos causam:

– Redução da ansiedade e da agressividade

– Sedação, levando à melhora da insônia

– Relaxamento muscular e perda da coordenação motora

– Supressão das convulsões (efeito antiepiléptico)

– Amnésia anterógrada

As diferenças no per l farmacológico dos diferentes benzodiazepínicos são mínimas; o

•

clonazepam parece ter uma ação mais anticonvulsivante em relação aos seus outros

efeitos

• Os benzodiazepínicos são ativos oralmente e diferem principalmente quanto à sua

duração de ação. Os agentes de ação de curta duração (p. ex., lorazepam e temazepam,

meias-vidas de 8 a 12 horas) são metabolizados em compostos inativos e são usados

principalmente como comprimidos para dormir. Alguns agentes de ação de longa duração

(p. ex., diazepam e clordiazepóxido) são convertidos em um metabólito ativo de longa

duração (nordazepam)