Rang e Dale: Farmacologia
Outros fármacos potencialmente ansiolíticos
eles se desligam da realidade. O risco de superdosagem é aumentado com o
uso concomitante de álcool. A tolerância e a dependência física ocorrem
como descritos anteriormente.
OUTROS FÁRMACOS POTENCIALMENTE ANSIOLÍTICOS
O transtorno de estresse pós-traumático (PTSD) é causado pela experiência
de eventos perturbadores, causadores de estresse ou assustadores. Com
frequência, quem sofre desse transtorno revive os eventos traumáticos com
pesadelos e recordações e pode ter sentimentos de isolamento, irritabilidade
e culpa. Os sintomas incluem ansiedade, depressão e insônia. Se o
tratamento com terapias psicológicas for malsucedido, então pode ser
tentada a terapia farmacológica com fármacos ansiolíticos/antidepressivos
(ver Capítulo 48) como os ISRS (p. ex., paroxetina, sertralina e
mirtazapina), um antidepressivo tricíclico (amitriptilina) ou um inibidor
da monoamina oxidase (fenelzina). Além disso, os agentes hipnóticos (ver
adiante) podem ajudar no sono.
Um desenvolvimento recente foi a percepção de que as memórias
negativas e desagradáveis que causam o medo não são necessariamente
permanentes. Quando essas memórias são reativadas (lembradas), elas
voltam transitoriamente para um estado lábil que pode ser interrompido.
Nos humanos, o propranolol administrado antes da reativação da memória
pode apagar as memórias negativas (Lonergan et al., 2013). Cetamina,
psilocibina, dietilamida do ácido lisérgico (LSD) e 3,4-
metilenodioximetanfetamina (MDMA ou ecstasy) podem ter efeito
semelhante. Assim, a interrupção de memórias desagradáveis pode
constituir um novo tratamento para o PTSD.
Além dos mecanismos do GABA e do 5-HT discutidos anteriormente,
muitos outros transmissores e hormônios foram implicados nos transtornos
de ansiedade e pânico, em particular norepinefrina, glutamato, melatonina,
fator liberador de corticotrofina, colecistocinina (CCK), substância P,
neuropeptídio Y, galanina, orexinas e neuroesteroides. Os fármacos
ansiolíticos dirigidos a esses alvos estão em desenvolvimento (Murrough et
al., 2015). Alguns canabinoides (ver Capítulo 20) podem ter propriedades
ansiolíticas.
Benzodiazepínicos
• Atuam pela ligação a um ponto modulador alostérico especí co no receptor GABAA,
aumentando assim o efeito inibitório do GABA. Existem subtipos do receptor GABAA em
regiões diferentes do cérebro e diferem nos seus efeitos funcionais
• Os benzodiazepínicos ansiolíticos são agonistas nesse ponto modulador. Outros
benzodiazepínicos (p. ex., umazenil) são antagonistas ou moduladores alostéricos
negativos fracos e previnem as ações dos benzodiazepínicos ansiolíticos. Os moduladores
alostéricos negativos fortes (não usados clinicamente) são ansiogênicos e pro-
convulsivantes
• Os efeitos ansiolíticos são mediados pelos receptores GABAA que contêm a subunidade α2,
enquanto a sedação ocorre por intermédio da subunidade a1
• Os benzodiazepínicos causam:
– Redução da ansiedade e da agressividade
– Sedação, levando à melhora da insônia
– Relaxamento muscular e perda da coordenação motora
– Supressão das convulsões (efeito antiepiléptico)
– Amnésia anterógrada
As diferenças no per l farmacológico dos diferentes benzodiazepínicos são mínimas; o
•
clonazepam parece ter uma ação mais anticonvulsivante em relação aos seus outros
efeitos
• Os benzodiazepínicos são ativos oralmente e diferem principalmente quanto à sua
duração de ação. Os agentes de ação de curta duração (p. ex., lorazepam e temazepam,
meias-vidas de 8 a 12 horas) são metabolizados em compostos inativos e são usados
principalmente como comprimidos para dormir. Alguns agentes de ação de longa duração
(p. ex., diazepam e clordiazepóxido) são convertidos em um metabólito ativo de longa
duração (nordazepam)