Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 679 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Inibidores da DNA-polimerase

uso, em combinação com os inibidores da transcriptase reversa,

transformado a terapia da AIDS. No caso do vírus da hepatite C, dois alvos

de protease também foram identificados, proteína não estrutural (NS) 3,

uma protease de serina, e NS 5A, que parece atuar como uma proteína

acessória para a NS3. Exemplos de inibidores de protease atuais são

mostrados nas Tabelas 53.2 e 53.3.

O darunavir, um exemplo típico, liga-se fortemente às proteases

específicas de retropepsina do HIV-1 e HIV-2, inativando o local catalítico.

O ritonavir atua de modo semelhante, mas também inibe as enzimas P450

que metabolizam esses fármacos, potencializando a sua atividade, e por

essa razão é muitas vezes administrado em combinação com outros

inibidores da protease (p. ex., lopinavir).

Os efeitos adversos compartilhados pelos integrantes desse grupo

incluem alterações GI (p. ex., náuseas, êmese, dor abdominal), alterações

sanguíneas (às vezes anemia ou neutropenia) e efeitos sobre o SNC (p. ex.,

insônia, tontura, cefaleia), assim como risco de hiperglicemia.

As interações farmacológicas são numerosas, clinicamente importantes

e imprevisíveis. Tal como ocorre com outros fármacos antirretrovirais, é

essencial pesquisar possíveis interações antes de prescrever qualquer outro

medicamento a pacientes que estejam recebendo tratamento antirretroviral.

 

INIBIDORES DA DNA-POLIMERASE

 

■ Aciclovir

O desenvolvimento do fármaco-referência aciclovir (ver Tabela 53.2)

iniciou a era da terapia antiviral efetiva seletiva. Típico dos fármacos desse

grupo, trata-se de um derivado da guanosina, convertido em monofosfato pela timidinoquinase viral. Essa enzima viral é muito mais efetiva em

realizar a fosforilação do que as enzimas da célula hospedeira; assim, o

aciclovir é ativado predominantemente nas células infectadas. As quinases

da célula do hospedeiro convertem, então, o monofosfato em trisfosfato, a

forma ativa que inibe a DNA-polimerase viral, interrompendo a cadeia

nucleotídica. É 30 vezes mais potente contra a enzima do herpes-vírus do

que contra a enzima do hospedeiro. O trisfosfato de aciclovir é inativado

dentro das células do hospedeiro, presumivelmente pelas fosfatases

celulares. Foi relatada a resistência causada pelas modificações nos genes

virais que codificam a timidinoquinase ou a DNA-polimerase, e os herpes-

vírus simples resistentes ao aciclovir têm sido a causa de pneumonia,

encefalite e infecções mucocutâneas em pacientes imunocomprometidos.

O aciclovir pode ser administrado por via oral, intravenosa ou

topicamente. Quando administrado por via oral, somente 20% da dose é

absorvida. O fármaco é amplamente distribuído, atingindo concentrações

efetivas no LCR. É eliminado pelos rins, em parte por filtragem glomerular

e em parte por secreção tubular.

Os efeitos adversos são mínimos. A inflamação local pode ocorrer

durante a injeção intravenosa se houver extravasamento da solução. A

disfunção renal tem sido relatada quando o aciclovir é administrado na

forma intravenosa; a infusão lenta reduz o risco. Podem ocorrer náuseas e

cefaleia e, raramente, encefalopatia.

Atualmente, existem outros fármacos com ação semelhante à do

aciclovir (ver Tabela 53.2). O foscarnete alcança o mesmo efeito por meio

de um mecanismo ligeiramente diferente.