Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 125 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Metabolismo pré-sistêmico (“primeira passagem”)

A indução enzimática pode aumentar a toxicidade e a capacidade

carcinogênica de um fármaco, pois diversos metabólitos da fase 1 são

tóxicos ou carcinogênicos: o paracetamol é exemplo importante de um

fármaco com um metabólito altamente tóxico (ver Capítulo 58). A indução

enzimática é explorada terapeuticamente na administração de fenobarbital

em bebês prematuros, de forma a induzir a glicoronil transferase para, desse

modo, aumentar a conjugação da bilirrubina e reduzir o risco de kernicterus

(uma lesão neurológica dos núcleos da base pela bilirrubina, ver Capítulo

9).

▼ O mecanismo da indução não está totalmente elucidado, mas é

semelhante ao envolvido na ação dos esteroides e outros hormônios que

se ligam a receptores nucleares (ver Capítulo 3). Os agentes indutores

mais estudados são os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (p. ex.,

3-MC). Eles se unem ao domínio de ligação de ligantes de uma proteína

solúvel, denominada receptor de hidrocarboneto aromático (Ah). Esse

complexo é transportado para o núcleo por um translocador nuclear do

receptor Ah, ligando-se aos elementos de resposta do receptor Ah no

DNA, promovendo a transcrição do gene CYP1A1. Além de aumentar a

transcrição, alguns agentes indutores (p. ex., o etanol, que induz o

CYP2E1 em seres humanos) também estabilizam o mRNA ou a

proteína P450.

 

METABOLISMO PRÉ-SISTÊMICO (“PRIMEIRA

PASSAGEM”)

Alguns fármacos são eliminados com tanta eficácia pelo fígado ou parede

intestinal, que a quantidade que chega à circulação sistêmica é

consideravelmente menor que a absorvida. A isso se chama metabolismo

pré-sistêmico (ou de primeira passagem), que reduz a biodisponibilidade do

fármaco (ver Capítulo 9), mesmo quando ele é bem absorvido no intestino.

O metabolismo pré-sistêmico é importante para muitos fármacos

terapêuticos (a Tabela 10.2 mostra alguns exemplos), o que é problemático

porque:

 

• É necessária uma dose muito maior do fármaco quando administrado

oralmente do que por via parenteral

• Ocorrem acentuadas variações individuais na extensão do metabolismo

de primeira passagem, tanto na atividade das enzimas metabolizadoras

de fármacos como na variação do fluxo sanguíneo hepático ou

intestinal. O fluxo sanguíneo hepático pode ser reduzido no caso de

doença (p. ex., insuficiência cardíaca) ou por meio de fármacos, como

os antagonistas dos β-adrenorreceptores, que diminuem a depuração

(clearance) de outros fármacos não relacionados, tais como a lidocaína,

e que estão sujeitos ao metabolismo pré-sistêmico devido a uma alta

taxa de extração hepática. O fluxo sanguíneo intestinal é muito

influenciado pela alimentação, sendo comum a realização de estudos

sobre os efeitos farmacocinéticos dos alimentos no desenvolvimento de

fármacos administrados por via oral.

 

Tabela 10.2 Exemplos de fármacos que sofrem eliminação

pré-sistêmica (“de primeira passagem”)

significativa.

 

Ácido acetilsalicílico Metoprolol

Trinitrato de glicerila Mor na

Dinitrato de isossorbida Propranolol

Levodopa Salbutamol