Rang e Dale: Farmacologia
Cetamina
1 vez/dia antes de dormir e pode funcionar por meio da correção de
distúrbios do ritmo circadiano, frequentemente associados com a depressão.
Existem registros de hepatotoxicidade em alguns pacientes, e não deve ser
usada em pacientes com doença hepática.
CETAMINA
Pequenos ensaios clínicos sugerem que uma dose subanestésica única,
intravenosa, de cetamina pode produzir uma diminuição rápida, mas de
curta ação, nos sintomas depressivos que dura de poucas horas até 14 dias,
sem o atraso de 3 a 4 semanas para o início de ação observado com outros
fármacos antidepressivos (Malhi et al., 2016). Embora não aprovada para
uso nessa indicação, a cetamina parece aumentar o humor em pacientes que
sofrem de depressão resistente a outras formas de terapia antidepressiva. Os
ensaios clínicos da escetamina intranasal, o isômero S da cetamina, estão
em curso, assim como estudos maiores e a longo prazo sobre a cetamina. O
antagonista muscarínico escopolamina (Capítulo 14) também pode ter
efeitos antidepressivos de início rápido, mas ensaios clínicos maiores são
necessários para substanciar essa ideia.
A cetamina é um bloqueador não competitivo do canal NMDA (ver
Capítulo 42), no entanto, a memantina, que também bloqueia os receptores
NMDA, não mostrou ser um antidepressivo. Existe controvérsia em torno
da questão sobre se o efeito antidepressivo putativo é produzido pela
cetamina em si ou pelo seu metabólito, R,R-hidroxinorcetamina. A
hidroxinorcetamina teria ainda a vantagem de, ao contrário da cetamina,
não poder causar efeitos psicotomiméticos por ter baixa afinidade pelo
receptor NMDA, sendo, portanto, pouco provável ser alvo de uso abusivo
(ver Capítulo 50).