Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 601 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Cetamina

1 vez/dia antes de dormir e pode funcionar por meio da correção de

distúrbios do ritmo circadiano, frequentemente associados com a depressão.

Existem registros de hepatotoxicidade em alguns pacientes, e não deve ser

usada em pacientes com doença hepática.

 

CETAMINA

Pequenos ensaios clínicos sugerem que uma dose subanestésica única,

intravenosa, de cetamina pode produzir uma diminuição rápida, mas de

curta ação, nos sintomas depressivos que dura de poucas horas até 14 dias,

sem o atraso de 3 a 4 semanas para o início de ação observado com outros

fármacos antidepressivos (Malhi et al., 2016). Embora não aprovada para

uso nessa indicação, a cetamina parece aumentar o humor em pacientes que

sofrem de depressão resistente a outras formas de terapia antidepressiva. Os

ensaios clínicos da escetamina intranasal, o isômero S da cetamina, estão

em curso, assim como estudos maiores e a longo prazo sobre a cetamina. O

antagonista muscarínico escopolamina (Capítulo 14) também pode ter

efeitos antidepressivos de início rápido, mas ensaios clínicos maiores são

necessários para substanciar essa ideia.

A cetamina é um bloqueador não competitivo do canal NMDA (ver

Capítulo 42), no entanto, a memantina, que também bloqueia os receptores

NMDA, não mostrou ser um antidepressivo. Existe controvérsia em torno

da questão sobre se o efeito antidepressivo putativo é produzido pela

cetamina em si ou pelo seu metabólito, R,R-hidroxinorcetamina. A

hidroxinorcetamina teria ainda a vantagem de, ao contrário da cetamina,

não poder causar efeitos psicotomiméticos por ter baixa afinidade pelo

receptor NMDA, sendo, portanto, pouco provável ser alvo de uso abusivo

(ver Capítulo 50).