Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 210 de 751

Páginas do PDF

Rang e Dale: Farmacologia

Estrutura e biossíntese

O termo eicosanoide refere-se a um grupo de mediadores produzidos a

partir de precursores de ácidos graxos específicos. Esses mediadores

desempenham um papel no controle de muitos processos fisiológicos, estão

entre os mediadores e moduladores mais importantes na reação inflamatória

(Figuras 18.2 e 18.3) e são um alvo significativo para a ação farmacológica.

Os primeiros sinais de interesse pelos eicosanoides surgiram nos anos

1930, depois de detectarem que o sêmen continha uma substância lipídica,

aparentemente gerada pela próstata, e que contraía o músculo liso uterino.

Posteriormente, tornou-se claro que a prostaglandina (como veio a ser

chamada)3 não era uma substância única, mas todo um conjunto de

compostos gerados virtualmente por todas as células de precursores de

ácidos graxos insaturados com 20 átomos de carbono.

 

ESTRUTURA E BIOSSÍNTESE

Nos mamíferos terrestres, o principal precursor dos eicosanoides é o ácido

araquidônico (ácido 5,8,11,14-eicosatetraenoico), um ácido graxo

insaturado com 20 átomos de carbono e quatro ligações duplas (daí o

prefixo eicosa-, que se refere aos 20 átomos de carbono, e o prefixo tetra,

que se refere às quatro ligações duplas; ver Figura 18.2). Os principais

grupos de eicosanoides são prostaglandinas, tromboxanos, leucotrienos,

lipoxinas e resolvinas. O termo comum prostanoides refere-se apenas a

prostaglandinas e tromboxanos.

Na maioria dos tipos celulares, o ácido araquidônico é um componente

dos fosfolipídios e a concentração intracelular do ácido livre é baixa. Os

eicosanoides não são armazenados nas células (como a histamina, p. ex.),

mas são sintetizados e liberados de imediato. A biossíntese dos

eicosanoides é limitada pela liberação do ácido araquidônico intracelular.

Normalmente, esse é um processo único catalisado pela enzima fosfolipase

A2 (PLA2; ver Figura 18.3), mas, por vezes, é utilizado outro processo múltiplo que envolve as fosfolipases C ou D em conjunto com o

diacilglicerol-fosfato. Existem outros tipos de PLA 2; porém, o mais

importante é provavelmente a PLA2 citosólica finamente regulada (cPLA2). Essa enzima gera o ácido araquidônico e também a liso-glicerila-

fosforilcolina (liso-PAF), precursora do fator ativador de plaquetas (PAF;

do inglês, platelet activating factor), outro mediador inflamatório (ver

Figuras 18.2 e 18.3).

A PLA2 citosólica é ativada pela fosforilação, que pode ser desencadeada por sistemas de transdução de sinal ativados por muitos

estímulos, tais como a ação da trombina nas plaquetas, do C5a nos

neutrófilos, da bradicinina nos fibroblastos e nas reações antígeno-

antircorpos nos mastócitos. Danos gerais nas células também acionam a

ativação da cPLA2. O ácido araquidônico livre (que normalmente existe como araquidonato em solução) é metabolizado separadamente (ou

conjuntamente, por vezes) por vários sistemas, incluindo os seguintes:

 

• Ciclo-oxigenases (COX). Existem duas isoformas principais: COX-1 e

COX-2. São enzimas significativamente homólogas, mas reguladas de

forma diferente nas células. Combinam enzimaticamente substratos

araquidônicos (e outros ácidos graxos insaturados) com oxigênio

molecular para formar intermediários instáveis, endoperóxidos cíclicos,

que podem, subsequentemente, ser transformados por outras enzimas

em prostanoides diferentes

• Lipo-oxigenases. Existem vários subtipos, que trabalham

frequentemente de forma sequencial para sintetizar leucotrienos,

lipoxinas e outros compostos (Figuras 18.2 a 18.4).