Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 401 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Obesidade como alteração do controle homeostático do balanço calórico

grupos. Um deles, no México, continuou a viver simplesmente no nível de

subsistência, comendo frugalmente e passando a maior parte da semana em

trabalho físico duro. Em geral, são magros e com baixa incidência de

diabetes melito tipo 2. O outro grupo se mudou para os EUA – ambiente

com fácil acesso a alimentos calóricos e menos necessidade de trabalho

físico duro. Estes são, em média, 26 kg mais pesados que o grupo mexicano

e têm incidência elevada de diabetes melito tipo 2 de início precoce.

 

OBESIDADE COMO ALTERAÇÃO DO CONTROLE HOMEOSTÁTICO DO BALANÇO CALÓRICO

Como o controle homeostático do balanço calórico é complexo, não é fácil

determinar exatamente o que ocorre de errado na obesidade.6 Quando a

história da leptina foi revelada, pensou-se que alterações na cinética dela

poderiam fornecer alguma explicação simples. Entretanto, há variação

interindividual na sensibilidade à leptina, e alguns indivíduos parecem

produzir quantidades insuficientes desse hormônio. Paradoxalmente, a

leptina plasmática costuma ser mais elevada nos obesos, em comparação

com os não obesos, e não mais baixa, como seria esperado. A razão para

isso é que a resistência ao hormônio, ao contrário da insuficiência dele, é o

que se tem de mais prevalente na obesidade. Tal resistência poderia ser

causada por defeitos no transporte de leptina na circulação ou para o SNC,

nos receptores de leptina no hipotálamo (como ocorre nos camundongos

obesos Db/Db) ou na sinalização pós-receptor.

Também estão implicados outros mediadores além da leptina. Por

exemplo, o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α, uma citocina que pode

retransmitir informação do tecido adiposo para o cérebro, está aumentado

no tecido adiposo de indivíduos obesos resistentes à insulina. Também ocorre redução da sensibilidade à insulina no músculo e na gordura, bem