Rang e Dale: Farmacologia
Obesidade como alteração do controle homeostático do balanço calórico
grupos. Um deles, no México, continuou a viver simplesmente no nível de
subsistência, comendo frugalmente e passando a maior parte da semana em
trabalho físico duro. Em geral, são magros e com baixa incidência de
diabetes melito tipo 2. O outro grupo se mudou para os EUA – ambiente
com fácil acesso a alimentos calóricos e menos necessidade de trabalho
físico duro. Estes são, em média, 26 kg mais pesados que o grupo mexicano
e têm incidência elevada de diabetes melito tipo 2 de início precoce.
OBESIDADE COMO ALTERAÇÃO DO CONTROLE HOMEOSTÁTICO DO BALANÇO CALÓRICO
Como o controle homeostático do balanço calórico é complexo, não é fácil
determinar exatamente o que ocorre de errado na obesidade.6 Quando a
história da leptina foi revelada, pensou-se que alterações na cinética dela
poderiam fornecer alguma explicação simples. Entretanto, há variação
interindividual na sensibilidade à leptina, e alguns indivíduos parecem
produzir quantidades insuficientes desse hormônio. Paradoxalmente, a
leptina plasmática costuma ser mais elevada nos obesos, em comparação
com os não obesos, e não mais baixa, como seria esperado. A razão para
isso é que a resistência ao hormônio, ao contrário da insuficiência dele, é o
que se tem de mais prevalente na obesidade. Tal resistência poderia ser
causada por defeitos no transporte de leptina na circulação ou para o SNC,
nos receptores de leptina no hipotálamo (como ocorre nos camundongos
obesos Db/Db) ou na sinalização pós-receptor.
Também estão implicados outros mediadores além da leptina. Por
exemplo, o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α, uma citocina que pode
retransmitir informação do tecido adiposo para o cérebro, está aumentado
no tecido adiposo de indivíduos obesos resistentes à insulina. Também ocorre redução da sensibilidade à insulina no músculo e na gordura, bem