Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 135 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Eliminação dos fármacos expressa por meio da depuração

A taxa de eliminação total de um fármaco por todas as vias (CLtot) é o parâmetro farmacocinético fundamental que descreve a eliminação dos

fármacos. É definido como o volume de plasma que contém o fármaco

removido do corpo por unidade de tempo. Por isso, é expresso como

volume por unidade de tempo (p. ex., ml/min ou l/h). A depuração renal

(CL ren), um componente importante da CLtot, foi apresentada no Capítulo 10.

A eliminação total de um fármaco (CL tot) é a soma das taxas de eliminação de cada mecanismo envolvido na eliminação de um fármaco,

normalmente depuração renal (CL ren) e depuração metabólica (CLmet), mais outras vias adicionais de eliminação (fezes, respiração etc.). Relaciona a

taxa de depuração de um fármaco (em unidades de massa/unidade tempo)

com a concentração plasmática, Cp:

 

A depuração de um fármaco pode ser determinada para um único

indivíduo pela medida da concentração plasmática do fármaco (p. ex., em

mg/l) em intervalos preestabelecidos durante uma infusão intravenosa

constante (p. ex., fornecendo X mg do fármaco por hora), até que um estado

de equilíbrio seja alcançado (Figura 11.1A). No estado de equilíbrio, a taxa

de entrada no organismo é igual à taxa de eliminação, assim:

 

Reorganizando essa equação:

em que Ceq é a concentração plasmática no estado de equilíbrio e CLtot está em unidades de volume/tempo (l/h no exemplo dado).

Para muitos fármacos, a depuração em um dado indivíduo é

independente da dose (pelo menos para as doses usadas terapeuticamente –

mas consulte a seção sobre cinética de saturação adiante para ver as

exceções). Logo, o conhecimento da depuração possibilita calcular

velocidade de administração necessária para atingir a concentração

plasmática no estado de equilíbrio (“alvo”) desejada, a partir da Equação

11.2.

Figura 11.1 Curvas de concentração plasmática de fármaco versus tempo. A. Durante uma infusão intravenosa constante a uma velocidade de X mg/h, indicada pela barra horizontal, a concentração plasmática (C) vai de zero ao valor de estado de equilíbrio (C ); quando a infusão é interrompida, C declina em direção a zero. B. Após uma eq

administração intravenosa em bolus (Q mg), a concentração plasmática aumenta abruptamente e então se reduz em direção a zero. C. Dados de (B) plotados com a concentração plasmática em escala logarítmica. A linha reta indica que a concentração declina exponencialmente. A extrapolação para a ordenada no tempo zero fornece uma estimativa de C , a concentração no tempo zero e, consequentemente, de V , o volume de 0 d distribuição.

 

CLtot também pode ser estimada pela medida da concentração plasmática em intervalos estabelecidos a partir de uma única dose

intravenosa em bolus de, digamos, Q mg (Figura 11.1B):

 

em que AUC 4 0-∞ corresponde à área sob a curva inteira relacionando Cp com

o tempo após a dose em bolus administrada no tempo t = 0. AUC0-∞ fornece a medida integrada de exposição do tecido ao fármaco em unidades de

tempo, multiplicadas pela concentração do fármaco. Em conjunto com Cmáx, informa os efeitos do fármaco, desejados e tóxicos, sendo importante para

antecipar os possíveis efeitos nos humanos daqueles observados durante os

experimentos farmacológicos e toxicológicos em animais. Por outro lado,

permite antecipar como os efeitos em pacientes com doenças que afetam a

função renal ou hepática diferem dos observados em indivíduos voluntários

saudáveis. Nos ensaios clínicos de primeira fase, essas medições da

exposição aos fármacos são determinadas em cada nível de dose, e o

protocolo inclui “regras de interrupção” de modo a evitar incrementos de

dose que tenham provocado toxicidade durante os experimentos animais.

Consulte o Capítulo 9, e Birkett, 2010, para uma explicação mais completa.