Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 513 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Enfoques terapêuticos

Doença de Alzheimer

 

• A DA é uma demência relacionada com a idade, distinta da demência vascular associada a

infartos cerebrais As principais características patológicas da DA compreendem placas

amiloides, agregados neuro brilares e perda de neurônios (particularmente neurônios

colinérgicos na parte basal do prosencéfalo)

• As placas amiloides consistem em agregados de fragmentos Aβ do PPA, uma proteína

normal da membrana neuronal, produzida pela ação das β e γ-secretases. A DA está

associada à formação excessiva de Aβ, resultando em neurotoxicidade

• A DA familiar (rara) resulta de mutações no gene PPA ou nos genes da pré-senilina

(envolvidos na função da γ-secretase), ambos causando aumento da formação de Aβ

• Mutações na lipoproteína ApoE4 aumentam o risco de desenvolvimento de DA,

provavelmente por interferirem na depuração de Aβ

• Os agregados neuro brilares compreendem agregados intracelulares de uma forma

altamente fosforilada de uma proteína neuronal normal (Tau). A Tau hiperfosforilada e a

Aβ atuam sinergicamente para causar a neurodegeneração

• Acredita-se que a perda de neurônios colinérgicos responda por muitas das de ciências de

aprendizado e da memória na DA.

 

ENFOQUES TERAPÊUTICOS

Atualmente, os inibidores da colinesterase (ver Capítulo 14) e a memantina

são os únicos fármacos aprovados para o tratamento da DA. Nenhum

tratamento novo foi introduzido desde 2003, apesar da investigação

intensiva sobre as causas subjacentes da doença e do imenso investimento

no desenvolvimento de fármacos. Desvendar os mecanismos de

neurodegeneração na DA ainda não resultou em terapias capazes de retardá-

la e, tendo ocorrido alguns fracassos espetaculares em dispendiosos ensaios clínicos com novos fármacos, o otimismo sobre uma nova terapia efetiva

mesmo ao virar da esquina está se desvanecendo.

 

Inibidores da colinesterase

A tacrina foi o primeiro fármaco aprovado para o tratamento da DA; no

entanto, sua utilização foi descontinuada em virtude de sua

hepatotoxicidade e da subsequente disponibilidade de outros agentes

anticolinesterase. Compostos posteriores incluem donepezila, rivastigmina

e galantamina (Tabela 41.2). Os ensaios clínicos mostraram melhora

modesta nos testes da memória e cognição, mas sem efeito sustentado na

progressão da doença ou melhora em outras medidas comportamentais ou

psicológicas que afetam a qualidade de vida.

Outros fármacos apontados para a melhora da função colinérgica que

estão sendo investigados incluem outros inibidores da colinesterase e uma

variedade de agonistas dos receptores muscarínicos e nicotínicos. Até

agora, a falta de seletividade dos agonistas muscarínicos ortostéricos tem

impedido a sua utilização no tratamento de doenças do SNC devido à

incidência de efeitos adversos, mas há esperança quanto ao

desenvolvimento de moduladores positivos alostéricos (ver Capítulo 3) que

sejam seletivos (p. ex., aos receptores M 1).

 

Memantina

O outro fármaco aprovado no tratamento da DA é a memantina, um

antagonista oralmente ativo dos receptores NMDA. Foi originalmente

apresentado como um fármaco antiviral e reapresentado como um inibidor

potencial da excitotoxicidade. Surpreendentemente, produz uma ligeira

melhora cognitiva nas formas moderadas e graves da DA, mas não aparenta

ter efeitos de neuroproteção. Provavelmente funciona por meio da inibição seletiva da ativação excessiva e patológica do receptor NMDA, ao mesmo

tempo que preserva mais ativação fisiológica. Apresenta meia-vida

plasmática longa, e os efeitos adversos incluem dores de cabeça, tonturas,

sonolência, constipação intestinal, falta de ar e hipertensão, bem como uma

série de outros efeitos menos comuns. O potencial de outros fármacos que

atuam como agonistas ou moduladores alostéricos nos receptores NMDA

na melhora da cognição é discutido em Collingridge et al. (2013).

 

Tabela 41.2 Inibidores da colinesterase usados no

tratamento da doença de Alzheimer.a

 

Duração da ação e Principais efeitos

Fármaco Tipo de inibição Notas

dosagem colaterais

Seletivo para AChE, Cerca de 24 horas 1 Efeitos adversos

Donepezila –

SNC vez/dia, dosagem oral colinérgicos leves

Os efeitos adversos Aumento gradual da

Cerca de 8 horas Duas colinérgicos tendem a dose para minimizar

Rivastigmina Seletivo para SNC vezes/dia, dosagem diminuir com a os efeitos colaterais

oral continuação do Disponível em adesivo

tratamento transdérmico

Afeta tanto AChE

quanto BuChE Reforça

Cerca de 8 horas Duas

também a ativação do Poucos efeitos

Galantamina vezes/dia, dosagem –

receptor nicotínico da adversos

oral

acetilcolina por um

mecanismo alostérico

a Nível similar de benefício clínico para todos os fármacos. Sem evidências clínicas de retardo no processo patológico, embora

testes em animais sugiram a diminuição da Aβ e da formação de placas por um mecanismo não relacionado com a inibição da

colinesterase.

AChE, acetilcolinesterase; BuChE, butirilcolinesterase; SNC, sistema nervoso central.

Usos clínicos de fármacos na demência

 

 

• Os inibidores da acetilcolinesterase e os antagonistas NMDA melhoram de forma

detectável o comprometimento cognitivo nos ensaios clínicos, porém apresentam efeitos

adversos signi cativos e são de uso clínico limitado. Eles não foram capazes de retardar a

neurodegeneração

• A e cácia é monitorada periodicamente em cada paciente, e a administração é continuada

apenas quando se acredita que o fármaco esteja agindo quando se julga que seu efeito,

retardando a deterioração funcional e cognitiva, supere os efeitos adversos.

Inibidores da acetilcolinesterase

• Donepezila, galantamina, rivastigmina.Efeitos adversos colinérgicos podem ser um

problema

• Usados na DA de leve a moderada. Antagonistas do receptor NMDA

• Por exemplo: memantina(ver Capítulo 39)

• Usados na DA de moderada a grave.

 

■ Desenvolvimento futuro de fármacos

▼ Para a maioria das alterações discutidas neste capítulo, incluindo a

DA, o “cálice sagrado”, que até então nos escapa, seria um fármaco que

retardasse a neurodegeneração. Embora tenham sido identificados

vários alvos bem caracterizados, tais como a formação de Aβ pelas β e

γ-secretases, a agregação Aβ e a neurotoxicidade pela Aβ, em conjunto

com uma variedade de modelos animais transgênicos de DA nos quais

os compostos podem ser testados, os subsequentes ensaios clínicos dos

fármacos que têm por alvo estes processos têm sido desanimadores.