Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 266 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Cardiopatia isquêmica

nesses pacientes agudamente doentes (O’Connor et al., 2011). Essa

linha de investigação teve um rumo mais feliz quando se descobriu que

o sacubitril, um inibidor da neprilisina (ver anteriormente), aumenta o

BNP e o ANP circulantes e, em combinação fixa com valsartana, é

eficaz no tratamento da insuficiência cardíaca crônica (ver Capítulo 23).

 

CARDIOPATIA ISQUÊMICA

Os depósitos ateromatosos são universais nas artérias coronárias dos adultos

que vivem em países desenvolvidos. São assintomáticos na maior parte da

história natural da doença (ver Capítulo 24), mas podem progredir

insidiosamente, culminando em IAM e suas complicações, incluindo

arritmia e insuficiência cardíaca. Detalhes sobre cardiopatia isquêmica estão

além do interesse deste livro e relatos excelentes estão disponíveis (p. ex.,

Mann et al., 2014) para os que buscam informações patológicas e clínicas.

Aqui, simplesmente preparamos a cena para compreender o lugar dos

fármacos que afetam a função cardíaca no tratamento dessa forma mais

comum de cardiopatia.

Consequências importantes da aterosclerose coronariana incluem:

 

• Angina (precordialgia causada por isquemia cardíaca)

• IAM.

 

ANGINA

Ocorre angina quando a oferta de oxigênio ao miocárdio é insuficiente para

suas necessidades. A dor tem distribuição característica em peito, membro

superior e pescoço, e é ocasionada por esforço físico, frio ou agitação.

Ocorre um tipo semelhante de dor no músculo esquelético quando se faz

que ele contraia enquanto sua irrigação é interrompida, e Lewis mostrou, há muitos anos, que fatores químicos liberados pelo músculo isquêmico são os

responsáveis. Possíveis candidatos incluem K+, H+ e adenosina (ver

Capítulo 17), todos eles sensibilizando ou estimulando os nociceptores (ver

Capítulo 43). É possível que o mesmo mediador que causa vasodilatação

coronariana seja responsável, em concentração mais alta, por iniciar a dor.

Clinicamente, são reconhecidos três tipos de angina: estável, instável e

variante.

Angina estável. Esta é uma precordialgia previsível pelo esforço físico.

É produzida por um aumento da demanda sobre o coração e geralmente

causada por um estreitamento fixo dos vasos coronarianos por ateroma;

embora, como já explicado, o estreitamento da válvula aórtica (“estenose

aórtica”) possa causar angina, o que reduz o fluxo sanguíneo coronário,

mesmo na ausência de estreitamento da artéria coronária. A terapia

sintomática é direcionada para alterar o trabalho cardíaco usando nitratos

orgânicos, β-bloqueadores e/ou antagonistas do cálcio, em associação ao

tratamento da doença ateromatosa subjacente, geralmente incluindo uma

estatina (ver Capítulo 24) e profilaxia contra trombose com um

antiagregante plaquetário, como o ácido acetilsalicílico (ver Capítulo 25).

Angina instável. Esta se caracteriza por dor que ocorre com cada vez

menos esforço físico, culminando em dor em repouso. A patologia é

semelhante à envolvida no IAM, a saber, trombo de plaquetas e fibrina

associado a uma placa ateromatosa rompida, mas sem oclusão completa do

vaso. O tratamento é semelhante ao do IAM e inclui procedimentos de

imagens e consideração de revascularização. Os fármacos anticoagulantes

(ácido acetilsalicílico e/ou um antagonista ADP como clopidogrel ou

prasugrel, ver Capítulo 17) reduzem o risco de IAM nessa situação, e os

fármacos antitrombóticos fazem um acréscimo a este benefício (ver