Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 235 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Canabinoides derivados de plantas e seus efeitos farmacológicos

A Cannabis sativa, ou cânhamo, tem sido utilizada por suas propriedades

psicoativas por milhares de anos (ver Capítulo 49). Seu uso medicinal era

defendido na antiguidade, mas o interesse somente voltou à tona em 1964,

com a identificação do △9-tetra-hidrocanabinol (THC, Figura 20.1) como o

principal componente psicoativo. Os extratos de cannabis contêm

numerosos compostos relacionados, denominados canabinoides, a maioria

dos quais insolúvel em água. Os canabinoides mais abundantes são o THC,

seu precursor canabidiol e o canabinol, um produto de decomposição

formado espontaneamente a partir do THC. O canabidiol e o canabinol não

contêm as propriedades psicoativas do THC, mas podem apresentar

atividade anticonvulsivante (ver Capítulo 46) e induzir o metabolismo

hepático de fármacos (ver Capítulo 10).

 

EFEITOS FARMACOLÓGICOS

O THC atua principalmente no SNC, produzindo uma mescla de efeitos

psicotomiméticos e depressores, juntamente com vários efeitos

autonômicos mediados centralmente. Os principais efeitos subjetivos em

seres humanos consistem em:

 

• Sensações de relaxamento e bem-estar, similares ao efeito do etanol,

mas sem a imprudência e a agressividade associadas. (A insensibilidade

ao risco é uma característica importante da intoxicação pelo álcool e é

frequentemente um fator nos acidentes automobilísticos. Os usuários de

cannabis são, em geral, menos propensos a acidentes (apesar de seu

desempenho motor ficar prejudicado de maneira semelhante), embora a

cannabis contribua para um número significante de mortes na estrada a

cada ano)

• Impressões de consciência sensorial aguçada, com sons e visões

parecendo mais intensos e fantasiosos

• Esses efeitos são similares, mas geralmente menos pronunciados que

aqueles produzidos por substâncias psicotomiméticas, como a

dietilamida do ácido lisérgico (LSD; ver Capítulo 49). Os indivíduos

relatam que o tempo passa de maneira extremamente lenta. As

sensações alarmantes e ilusões paranoides sérias que muitas vezes

ocorrem com o LSD raramente são experimentadas com a cannabis,

exceto em altas doses. No entanto, estudos epidemiológicos apoiam

uma associação entre o uso “pesado” da cannabis na adolescência e o

subsequente transtorno psiquiátrico (Rubino et al., 2012).

 

Os efeitos centrais que podem ser diretamente mensurados nos estudos em

seres humanos e animais incluem:

 

• Comprometimento da memória a curto prazo e de tarefas de

aprendizagem simples – as percepções subjetivas de autoconfiança e

criatividade aumentada não se refletem no desempenho real

• Prejuízo da coordenação motora (p. ex., desempenho na direção de

veículos)

• Catalepsia – adoção de posturas fixas não naturais

• Hipotermia

• Analgesia

• Ação antiemética (ver Capítulo 31)

• Aumento do apetite (ver Capítulo 33).

 

Os principais efeitos periféricos da cannabis são:

 

• Taquicardia, que pode ser evitada por fármacos que bloqueiem a

transmissão simpática • Vasodilatação, que é particularmente marcante nos vasos do olho (vasos