Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 123 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Reações de fase 2

As reações da fase 2 são sintéticas (“anabólicas”) e incluem conjugação (i.

e., ligação de um grupo substituinte), que normalmente resulta em produtos

inativos, embora existam exceções (p. ex., o sulfato ativo metabólito do

minoxidil é um ativador do canal de potássio utilizado no tratamento da

hipertensão grave [ver Capítulo 23] e [como creme] da queda do cabelo).

As reações da fase 2 ocorrem principalmente no fígado. Se a molécula de

um fármaco ou um produto da fase 1 tiver uma “alavanca” adequada (p. ex.,

um grupo hidroxila, tiol ou amino), torna-se suscetível à conjugação. O

grupo químico inserido pode ser glicuronil (Figura 10.3), sulfato, metilo ou

acetilo. A glutationa conjuga fármacos ou os seus metabólitos da fase 1

através do seu grupo sulfídrico, como no caso da desintoxicação do

paracetamol (Figura 58.1). A glicuronidação envolve a formação de um

composto de fosfato de alta energia (“doador”), o ácido uridinadifosfato

glicurônico (UDPGA), a partir do qual o ácido glicurônico é transferido

para um átomo rico em elétrons (N, O ou S) no substrato, formando uma

ligação amina, éster ou tiol. A UDP, que catalisa essas reações, tem

especificidade para um amplo conjunto de substratos, o que abarca muitos

fármacos e outras moléculas estranhas. Várias substâncias endógenas,

incluindo a bilirrubina e os corticosteroides suprarrenais, são conjugadas

pela mesma via de sinalização.

Nas reações de acetilação e metilação, a acetil-CoA e a S-adenosil

metionina, respectivamente, atuam como os grupos doadores. Muitas

reações de conjugação ocorrem no fígado, mas outros tecidos, como os

pulmões e rins, também estão envolvidos.

 

ESTEREOSSELETIVIDADE

Muitos fármacos clinicamente importantes, como o sotalol (ver Capítulo

22), a varfarina (ver Capítulo 25) e a ciclofosfamida (ver Capítulo 57), são

misturas de estereoisômeros, cujos componentes se diferenciam não apenas

por seus efeitos farmacológicos, mas também por seu metabolismo, que

pode seguir vias completamente diferentes (Campo et al., 2009). Diversas

interações medicamentosas clinicamente importantes de fármacos

envolvem inibição estereoespecífica do metabolismo de um fármaco por

outro (Tabela 10.6). Em alguns casos, a toxicidade do fármaco está ligada

principalmente a um dos estereoisômeros, e não necessariamente ao

farmacologicamente ativo. Quando possível, as autoridades reguladoras

insistem para que novos fármacos consistam em estereoisômeros puros para

reduzir tais complicações.1

 

Figura 10.4 Estimulação do metabolismo hepático do benzopireno. Foi administrado benzopireno (intraperitonealmente) a ratos jovens nas doses indicadas, e a atividade de metabolização do benzopireno por homogeneizados de fígado foi medida, de tempos em tempos, por até 6 dias. (De Conney, A.H. et al., 1957. J. Biol. Chem. 228, 753.)