Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 550 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Anestésicos locais

Embora muitos fármacos possam, em concentrações elevadas, bloquear os

canais de sódio controlados por voltagem e inibir a geração do potencial de

ação, os únicos usados clinicamente para este efeito são os anestésicos

locais, vários antiepilépticos e analgésicos (ver Capítulos 43 e 46) e os

antiarrítmicos da classe I (ver Capítulo 22).

 

História

As folhas de coca eram mastigadas por possuírem efeitos psicotrópicos, há

milhares de anos (ver Capítulo 49), pelos índios sul-americanos, que sabiam

sobre o efeito de entorpecimento que elas produziam na boca e na língua. A

cocaína foi isolada em 1860 e proposta como anestésico local para

procedimentos cirúrgicos. Sigmund Freud, que tentou fazer uso, sem

sucesso, de seu poder “energizante psíquico”, deu um pouco de cocaína a

um amigo oftalmologista em Viena, o Dr. Carl Köller, que relatou, em 1884,

que podia ser produzida anestesia reversível da córnea colocando-se gotas

de cocaína no olho. A ideia foi rapidamente aceita e, em alguns anos, foi

introduzida a anestesia com cocaína na odontologia e em cirurgia geral. Um

substituto sintético, a procaína, foi descoberto em 1905, e muitos outros

compostos úteis foram desenvolvidos posteriormente.

 

ASPECTOS QUÍMICOS

As moléculas de anestésico local consistem em uma parte aromática unida

por uma ligação éster ou amida a uma cadeia lateral básica (Figura 44.1).

São bases fracas, com valores de pKa principalmente na faixa entre 8 e 9, de modo que são principalmente, mas não completamente, ionizadas em pH

fisiológico (ver o Capítulo 9 para um exemplo de como o pH pode

influenciar a ionização de bases fracas). Isso é importante quanto à sua capacidade em penetrar a bainha nervosa e a membrana do axônio. Os