Rang e Dale: Farmacologia
Substâncias estimulantes
exógeno. O hormônio de crescimento atua, em parte, pela liberação do fator
de crescimento semelhante à insulina (IGF; do inglês, insulin-like growth
factor) pelo fígado, sendo esse hormônio em si por vezes usado pelos
atletas.
Outro hormônio, eritropoetina, que aumenta a produção dos eritrócitos
(ver Capítulo 26), é administrado por injeção durante dias ou semanas para
aumentar a contagem de eritrócitos e, em consequência, melhorar a
capacidade de transporte de O2 do sangue. O desenvolvimento da eritropoetina recombinante tornou-a amplamente disponível, sendo difícil a
detecção do seu uso. Ela acarreta o risco de hipertensão, doença neurológica
e trombose.
SUBSTÂNCIAS ESTIMULANTES
As principais substâncias deste tipo utilizadas por atletas e proibidas
oficialmente são: efedrina e metilefedrina; várias anfetaminas e
substâncias similares, como fenfluramina e metilfenidato;4 cocaína; e uma
variedade de outros estimulantes do sistema nervoso central, como a
niquetamida, o amifenazol (já não usado na clínica) e a estricnina (ver
Capítulo 49). A cafeína também é usada: algumas “bebidas energéticas”
comercialmente disponíveis contêm taurina, bem como cafeína. No entanto,
a taurina é um agonista dos receptores da glicina e GABAA extrassinápticos
(ver Capítulo 40). Seus efeitos no cérebro são, portanto, provavelmente
inibitórios e não estimulatórios. A esse respeito, a taurina pode ser
responsável pela baixa energia após o consumo da bebida que é
experimentada assim que o efeito estimulante da cafeína cessa.
Em contraste com os esteroides, alguns ensaios demonstraram que as
substâncias estimulantes melhoram o desempenho em eventos como sprint e, sob condições experimentais, aumentam a força muscular, reduzindo de
forma significativa a fadiga muscular. O efeito psicológico dos estimulantes
é provavelmente tão importante quanto os seus efeitos fisiológicos. De
forma surpreendente, a cafeína parece ser mais eficaz em melhorar o
desempenho muscular do que outros estimulantes mais potentes e está entre
algumas das poucas substâncias (incluindo a nicotina e o álcool) que não
são proibidas.
Várias mortes ocorreram entre atletas que tomaram anfetaminas e
substâncias semelhantes à efedrina em eventos de resistência. As principais
causas são insuficiência coronariana, associada à hipertensão; hipertermia,
associada à vasoconstrição cutânea; e desidratação.
É permitida a utilização de fármacos pelos atletas por motivos clínicos
legítimos, sob o esquema “isenções de uso terapêutico”. De acordo com
esse esquema, que foi introduzido nos anos 1990, um atleta pode usar um
medicamento (digamos, glicocorticoides para a asma) se for determinado
clinicamente que essa isenção é justificada. Evidentemente, esse sistema
pode estar aberto a usos abusivos.
Os incentivos financeiros e quanto à reputação para atletas que fazem
uso de substâncias que melhoram o desempenho são excelentes, enquanto a
chance de serem descobertos é muito pequena, estimulando a procura por
agentes melhores e menos detectáveis. Isso, por sua vez, levanta mais
problemas analíticos para os reguladores, que devem elaborar testes de
rastreamento para monitorar uma gama crescente de agentes, alguns dos
quais difíceis de identificar. A corrida continua à medida que novas drogas
“de design”, agentes camuflantes (que tornam a detecção de uma substância
específica no sangue ou na urina ainda mais difícil) ou procedimentos são
inventados por químicos e médicos engenhosos.