Rang e Dale: Farmacologia

Humphrey P. Rang · Capítulo 743 de 751

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Rang e Dale: Farmacologia

Substâncias estimulantes

exógeno. O hormônio de crescimento atua, em parte, pela liberação do fator

de crescimento semelhante à insulina (IGF; do inglês, insulin-like growth

factor) pelo fígado, sendo esse hormônio em si por vezes usado pelos

atletas.

Outro hormônio, eritropoetina, que aumenta a produção dos eritrócitos

(ver Capítulo 26), é administrado por injeção durante dias ou semanas para

aumentar a contagem de eritrócitos e, em consequência, melhorar a

capacidade de transporte de O2 do sangue. O desenvolvimento da eritropoetina recombinante tornou-a amplamente disponível, sendo difícil a

detecção do seu uso. Ela acarreta o risco de hipertensão, doença neurológica

e trombose.

 

SUBSTÂNCIAS ESTIMULANTES

As principais substâncias deste tipo utilizadas por atletas e proibidas

oficialmente são: efedrina e metilefedrina; várias anfetaminas e

substâncias similares, como fenfluramina e metilfenidato;4 cocaína; e uma

variedade de outros estimulantes do sistema nervoso central, como a

niquetamida, o amifenazol (já não usado na clínica) e a estricnina (ver

Capítulo 49). A cafeína também é usada: algumas “bebidas energéticas”

comercialmente disponíveis contêm taurina, bem como cafeína. No entanto,

a taurina é um agonista dos receptores da glicina e GABAA extrassinápticos

(ver Capítulo 40). Seus efeitos no cérebro são, portanto, provavelmente

inibitórios e não estimulatórios. A esse respeito, a taurina pode ser

responsável pela baixa energia após o consumo da bebida que é

experimentada assim que o efeito estimulante da cafeína cessa.

Em contraste com os esteroides, alguns ensaios demonstraram que as

substâncias estimulantes melhoram o desempenho em eventos como sprint e, sob condições experimentais, aumentam a força muscular, reduzindo de

forma significativa a fadiga muscular. O efeito psicológico dos estimulantes

é provavelmente tão importante quanto os seus efeitos fisiológicos. De

forma surpreendente, a cafeína parece ser mais eficaz em melhorar o

desempenho muscular do que outros estimulantes mais potentes e está entre

algumas das poucas substâncias (incluindo a nicotina e o álcool) que não

são proibidas.

Várias mortes ocorreram entre atletas que tomaram anfetaminas e

substâncias semelhantes à efedrina em eventos de resistência. As principais

causas são insuficiência coronariana, associada à hipertensão; hipertermia,

associada à vasoconstrição cutânea; e desidratação.

É permitida a utilização de fármacos pelos atletas por motivos clínicos

legítimos, sob o esquema “isenções de uso terapêutico”. De acordo com

esse esquema, que foi introduzido nos anos 1990, um atleta pode usar um

medicamento (digamos, glicocorticoides para a asma) se for determinado

clinicamente que essa isenção é justificada. Evidentemente, esse sistema

pode estar aberto a usos abusivos.

Os incentivos financeiros e quanto à reputação para atletas que fazem

uso de substâncias que melhoram o desempenho são excelentes, enquanto a

chance de serem descobertos é muito pequena, estimulando a procura por

agentes melhores e menos detectáveis. Isso, por sua vez, levanta mais

problemas analíticos para os reguladores, que devem elaborar testes de

rastreamento para monitorar uma gama crescente de agentes, alguns dos

quais difíceis de identificar. A corrida continua à medida que novas drogas

“de design”, agentes camuflantes (que tornam a detecção de uma substância

específica no sangue ou na urina ainda mais difícil) ou procedimentos são

inventados por químicos e médicos engenhosos.